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ANÁLISE

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Lançamentos de imóveis desaceleram, mas ainda crescem 27% em 12 meses

Queda nos lançamentos contrasta com vendas resilientes, sustentadas pelo segmento de baixa renda, em um mês sazonalmente mais fraco


O mercado imobiliário da cidade de São Paulo apresentou números operacionais mistos em janeiro, segundo dados divulgados pelo Secovi-SP. Os lançamentos somaram 4,2 mil unidades no mês, queda de 35% na comparação anual. Ainda assim, o volume acumulado dos últimos 12 meses alcançou 137,4 mil unidades, alta de 27% em relação ao mesmo período anterior.

As vendas líquidas totalizaram 8,1 mil unidades em janeiro, avanço de 20% na base anual. Com isso, o acumulado de 2026 chegou a 114 mil unidades vendidas, crescimento de 9%. Em valor, o PSV vendido atingiu R$ 59,5 bilhões, alta de 3% em 12 meses.

Velocidade de vendas perde fôlego

O Índice de Velocidade de Vendas mensal da cidade ficou em 9,1%, recuo de 1 ponto percentual na comparação anual. Já o indicador dos últimos 12 meses caiu para 58,4%, queda de 5 pontos percentuais.

Esse movimento elevou o estoque para o equivalente a 8,5 meses de vendas. O número supera os 6,9 meses observados em janeiro de 2025, mas permanece abaixo dos 9,0 meses registrados em dezembro de 2025.

Imóveis de baixa renda mostram resiliência

O segmento de baixa renda apresentou desempenho mais sólido, apesar da desaceleração nos lançamentos. O volume lançado caiu para 3,2 mil unidades, recuo de 22% em relação a janeiro do ano anterior.

Por outro lado, as vendas líquidas cresceram 31% na mesma base, para 6,0 mil unidades. O Índice de Velocidade de Vendas mensal alcançou 12,1%, com leve queda anual de 0,4 ponto percentual.

No acumulado de 12 meses, as vendas somaram 73,4 mil unidades, alta de 24%. O estoque do segmento recuou para 7,1 meses de vendas. A baixa renda respondeu por 54% do estoque total da cidade, participação ligeiramente superior à observada um ano antes.

Médio e alto padrão seguem pressionados

O nicho de média e alta renda enfrentou um cenário mais fraco em um mês tradicionalmente sazonal. Os lançamentos totalizaram 929 unidades, queda expressiva de 58% na comparação anual.

As vendas líquidas ficaram praticamente estáveis, em 2,1 mil unidades, com leve recuo de 1%. O Índice de Velocidade de Vendas caiu para 5,4%, o menor patamar desde 2023.

O estoque encerrou janeiro em 11,0 meses de vendas. Entre as faixas de preço, todas apresentaram retração mensal e anual. O segmento de luxo, com unidades acima de R$ 5 milhões, registrou velocidade de vendas de apenas 1,6%. Já os imóveis de renda média, entre R$ 350 mil e R$ 700 mil, recuaram para 7,0%.

Análise dos especialistas

Para o Safra, os números refletem um mês altamente sazonal, com sinais claros de assimetria entre os segmentos. A baixa renda manteve desempenho consistente, com velocidade de vendas próxima de 12%.

Em contraste, o segmento médio e alto continuou em desaceleração. Ainda assim, o banco avalia de forma positiva a menor atividade de lançamentos, após um forte crescimento em 2025 que não foi acompanhado pelas vendas, o que elevou as preocupações com o nível de estoques.

Nesse contexto, a Cyrela (CYRE3) segue como a principal preferência do Safra no setor. A avaliação se apoia no menor nível de estoque, estimado em cerca de 15 meses de vendas, maior exposição ao programa Minha Casa, Minha Vida e um múltiplo P/L estimado para 2026 em torno de 6 vezes.


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