Os dados operacionais de abril divulgados pelo Secovi, Sindicato da Habitação, de São Paulo indicam um desempenho mais fraco para as incorporadoras que atuam na capital paulista. O número de lançamentos chegou a 11,6 mil unidades no mês, alta de 46% na comparação anual. No acumulado de 12 meses, foram lançadas 141,8 mil unidades, crescimento de 18%.
As vendas líquidas somaram 9,6 mil unidades em abril, avanço de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 12 meses, o volume vendido alcançou 114,8 mil unidades, alta de 4%. Ainda assim, o valor geral de vendas totalizou 59,1 bilhões de reais no período, queda de 1% na base anual.
A velocidade de vendas mensal recuou para 10,0%, três pontos percentuais abaixo de abril de 2025. No acumulado de 12 meses, o indicador caiu para 57,2%, o que elevou o estoque para o equivalente a 9,0 meses de vendas.
Baixa renda lidera lançamentos com apoio de incentivos
O segmento de baixa renda concentrou a maior parte da atividade. Os lançamentos cresceram 124% em um ano, para 8,7 mil unidades, o equivalente a 75% do total lançado na cidade. As vendas líquidas atingiram 6,6 mil unidades, alta de 23% na comparação anual.
A velocidade de vendas ficou em 12,1% no mês. O nível segue saudável, embora inferior ao observado um ano antes. Parte do desempenho ainda refletiu cerca de uma semana de vigência dos novos parâmetros do programa Minha Casa Minha Vida, que ampliaram os limites de renda e de preços dos imóveis.
No acumulado de 12 meses, as vendas no segmento somaram 76,2 mil unidades, crescimento de 17%. O estoque passou a representar 7,5 meses de vendas e já responde por 55% do estoque total da cidade.
Média e alta renda seguem pressionadas
O segmento de média e alta renda voltou a apresentar dados fracos em abril. Os lançamentos recuaram 28% em relação ao ano anterior, para 3,0 mil unidades. As vendas líquidas caíram na mesma proporção, totalizando 3,0 mil unidades.
A velocidade de vendas mensal ficou em 7,3%, abaixo da média de aproximadamente 9% observada nos últimos 12 meses. Como resultado, o estoque avançou para 11,9 meses de vendas.
As maiores quedas ocorreram nas faixas de preços entre 600 mil e 2,25 milhões de reais, onde a competição aumentou e o impacto dos juros elevados se mostra mais evidente. Em contrapartida, o segmento de alta renda apresentou maior resiliência, com melhora na velocidade de vendas dos imóveis entre 2,25 milhões e 5,0 milhões de reais.
Visão dos especialistas para o setor imobiliário
Na avaliação dos especialistas do Banco Safra, os dados de abril reforçam um cenário de pressão operacional para o setor. O banco observa que, apesar do forte volume de lançamentos, a baixa renda mostrou leve perda de fôlego nas vendas. Ainda assim, os novos incentivos do Minha Casa Minha Vida, implementados em 22 de abril, tendem a sustentar a demanda nos próximos meses.
Já o segmento de média e alta renda deve continuar enfrentando desafios, sobretudo nas faixas intermediárias de preço, mais sensíveis ao ambiente de juros elevados e ao aumento da concorrência. Esse contexto pode manter os níveis de estoque em patamar elevado.
Dentro do setor, o Safra destaca a Cyrela (CYRE3) como principal preferência. A companhia combina atuação relevante na baixa renda, por meio do Minha Casa Minha Vida, com forte presença no segmento de alto padrão, menos dependente do crédito. Após a recente correção das ações, o banco avalia que o papel negocia a múltiplos atrativos em relação ao histórico.