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Safra da Conab reforça oferta de soja e milho e reduz projeção para trigo

Relatório da Conab mantém perspectiva positiva para soja e milho, enquanto reduz projeção para trigo no Brasil


A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou as estimativas da safra brasileira de grãos 2025/26 e manteve uma perspectiva favorável para soja e milho. Ao mesmo tempo, o órgão reduziu a projeção para o trigo, cenário que pode sustentar preços mais elevados da commodity nos próximos meses.

O relatório também reforça a expectativa de oferta confortável de grãos para a cadeia de proteínas e para empresas ligadas ao agronegócio, embora a demanda aquecida de soja deva pressionar os estoques.

Projeção forte para soja

A Conab preservou uma visão positiva para a safra de soja no Brasil. A produção deve crescer 5% na comparação anual, sustentada pelo avanço da área colhida e pelo aumento da produtividade.

A área plantada deve subir 3%, enquanto a produtividade média deve avançar 2% em relação à safra anterior.

Apesar da produção elevada, a demanda segue aquecida. Com isso, a relação estoque/uso da soja deve cair para 4,8%, abaixo dos 5,9% registrados em 2024/25.

Na avaliação do Safra, o cenário continua positivo para empresas ligadas à originação e ao processamento de grãos, especialmente a 3tentos (TTEN3), favorecida pelo maior giro da divisão de trading e pelo controle dos custos de insumos.

Produção de milho segue estável

A projeção para a produção total de milho avançou levemente em relação ao levantamento anterior e indica estabilidade na comparação anual.

O desempenho é considerado positivo porque a base de comparação de 2024/25 foi muito forte, com crescimento de 22% na safra passada.

A produção deve ser sustentada pelo aumento de 4% da área colhida, embora a produtividade média recue 3%.

A Conab revisou para baixo em 17% a projeção da terceira safra de milho devido às condições climáticas mais desfavoráveis no Nordeste. Ainda assim, o impacto sobre a produção total é limitado, já que essa safra representa apenas cerca de 2% do volume nacional.

Por outro lado, a primeira safra deve crescer 19% e compensar parcialmente as quedas previstas para a segunda e a terceira safras.

Além disso, a relação estoque/uso do milho deve melhorar para 10,3%, acima dos 9,4% da temporada anterior.

Queda na produção de trigo pode sustentar preços

A principal revisão negativa do relatório ficou com o trigo. A Conab reduziu em 4% a estimativa de produção para 2025/26 e agora projeta retração anual de 23%.

O movimento reflete principalmente a redução da área cultivada no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

Segundo a Conab, condições climáticas adversas e a migração de produtores para outras culturas de inverno contribuíram para a diminuição do plantio.

Com menor produção, os estoques finais e a relação estoque/uso também devem recuar. A projeção atual aponta indicador de 9,8%, abaixo dos 13,1% registrados em 2025.

Na visão do Safra, o cenário tende a favorecer preços mais altos para o trigo, movimento que pode pressionar empresas do setor de alimentos, como a M. Dias Branco (MDIA3).

Impacto para empresas do agronegócio e proteínas

Para as companhias de proteína animal, como JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3) e Minerva (BEEF3), o relatório foi interpretado como neutro.

O documento mantém uma perspectiva confortável para a oferta de grãos usados na alimentação animal, apesar da redução esperada da relação estoque/uso da soja.

Já para empresas ligadas à cadeia agrícola, a combinação de ampla oferta de soja e milho com demanda resiliente continua sustentando um ambiente operacional considerado favorável pelo mercado.


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