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Com impulso da BRF, Marfrig supera expectativas

Marfrig (MRFG3) supera expectativas no início de 2026 com margens melhores na América do Sul e resultado sólido da BRF


A Marfrig Global Foods (MRFG3) entregou um resultado melhor do que o projetado pelo mercado no primeiro trimestre de 2026. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado ficou 8% acima da estimativa do Safra e 6% acima do consenso.

Na avaliação do banco, o trimestre foi positivo e refletiu, sobretudo, a força da operação de carne bovina na América do Sul. A divisão conseguiu ampliar margens mesmo diante da alta no preço do gado, o que reforçou a percepção de boa execução operacional.

Ao mesmo tempo, a BRF (BRFS3) apresentou desempenho robusto nos mercados internacionais. Esse movimento compensou, em parte, a fraqueza do mercado doméstico. Por isso, apesar de um ambiente ainda pressionado em algumas frentes, o resultado consolidado surpreendeu positivamente.

América do Sul compensa cenário mais difícil nos Estados Unidos

A operação de carne bovina da América do Sul foi o principal destaque do trimestre. Os volumes cresceram 9% na comparação anual, enquanto os preços médios avançaram 13%. Com isso, a receita da divisão subiu 23% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Mesmo com o aumento do preço do gado no Brasil, no Uruguai e na Argentina, a margem bruta ficou estável. Segundo o Safra, esse desempenho refletiu uma gestão eficiente de receita e maior participação de produtos com maior valor agregado.

O resultado dessa divisão somou R$ 616 milhões, com alta de 36% em um ano e número 23% acima da estimativa do banco. A margem da operação alcançou 10%, acima do patamar registrado no mesmo período de 2025.

Nos Estados Unidos, porém, o quadro seguiu mais difícil. A combinação entre um ambiente ainda desafiador para a indústria de carne bovina e um inverno rigoroso pressionou as margens da operação local.

Operação nos Estados Unidos segue pressionada

A unidade da América do Norte teve um trimestre fraco, ainda que em linha com a expectativa do Safra. Os volumes caíram 6% na comparação anual, com retração tanto no mercado interno quanto nas exportações.

Os preços médios subiram em dólar, mas a valorização do real reduziu esse efeito quando o resultado é convertido para moeda local. Como consequência, a receita líquida da operação recuou 4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O resultado operacional ajustado ficou próximo do ponto de equilíbrio, em R$ 53 milhões. A margem permaneceu muito baixa, em 0,3%, o que mostra que a unidade ainda opera em um ambiente apertado.

Na leitura do Safra, o desempenho da divisão não chegou a surpreender negativamente, porque já havia expectativa de pressão nessa geografia. Ainda assim, continua sendo um ponto de atenção para os próximos trimestres.

BRF mostra resiliência com ajuda das exportações

A BRF também contribuiu para o resultado acima do esperado. Embora o lucro operacional da companhia tenha caído 10% na comparação anual, o número ficou acima da projeção do Safra.

O principal suporte veio dos mercados de exportação, que tiveram desempenho forte no trimestre. Por outro lado, o mercado doméstico mais fraco limitou uma melhora maior.

Os volumes da BRF recuaram 3% em um ano, enquanto os preços médios caíram 1%. A receita líquida somou R$ 14,933 bilhões, com recuo anual de 3%.

Ainda assim, a margem da companhia ficou acima do esperado pelo Safra. O resultado operacional ajustado atingiu R$ 2,477 bilhões, 4% acima da estimativa do banco. Isso indica que, mesmo com um ambiente menos favorável no Brasil, a operação conseguiu preservar rentabilidade em nível melhor do que o previsto.

Margem consolidada avança, mas caixa fica negativo

No consolidado, a margem bruta da Marfrig melhorou na comparação anual e também superou a estimativa do Safra. As despesas com vendas, gerais e administrativas ficaram praticamente estáveis como proporção da receita.

Com isso, o resultado operacional ajustado consolidado somou R$ 3,096 bilhões. O número recuou 3% em relação ao ano anterior, mas ainda assim veio acima das expectativas do mercado.

Na última linha, o lucro líquido ajustado chegou a R$ 177 milhões, com avanço de 2% na comparação anual. O resultado financeiro líquido piorou levemente, enquanto o imposto de renda teve reversão relevante frente ao mesmo trimestre do ano anterior.

Por outro lado, a geração de caixa foi fraca. O fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 1,262 bilhão. Segundo o Safra, esse desempenho refletiu um consumo sazonal maior de capital de giro, aumento dos ativos biológicos em mais de R$ 1 bilhão e impactos relacionados ao conflito no Oriente Médio sobre os estoques da BRF.

Pressão de custos ainda exige atenção

Apesar do resultado positivo, o trimestre também trouxe sinais de cautela. Os custos de insumos continuaram pressionando as margens, especialmente na operação da National Beef, nos Estados Unidos.

Além disso, a geração de caixa negativa mostra que a companhia ainda enfrenta desafios para transformar o bom desempenho operacional em caixa no curto prazo. Esse ponto tende a permanecer no radar dos investidores, sobretudo em um ambiente global ainda marcado por incertezas logísticas e geopolíticas.

Ainda assim, o Safra entende que a execução foi sólida e que o desempenho da América do Sul ajudou a compensar boa parte dessas pressões.

Análise dos especialistas

Na visão do Safra, a Marfrig começou 2026 com um resultado melhor do que o esperado, impulsionado por boa execução operacional e por margens mais fortes na América do Sul.

A operação nos Estados Unidos segue desafiadora e o fluxo de caixa livre negativo limita uma leitura mais tranquila do trimestre. Mesmo assim, o banco vê o balanço como positivo, porque a companhia mostrou capacidade de preservar rentabilidade em um cenário de custos mais altos.

Por isso, o Safra mantém recomendação de compra para MRFG3. Em resumo, o trimestre reforça a tese de que a força da América do Sul e a resiliência da BRF seguem como os principais pilares do caso de investimento.


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