A Cogna (COGN3) apresentou resultados ligeiramente acima das estimativas no segundo trimestre de 2026. A receita líquida alcançou R$ 1,96 bilhão, alta de 18% na comparação anual e em linha com a projeção do Banco Safra.
O resultado ficou 4% acima do consenso de mercado. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo Programa Nacional do Livro e do Material Didático, conhecido como PNLD.
O resultado operacional ajustado somou R$ 589 milhões, alta de 1% em relação à estimativa do Safra e ao consenso. A margem operacional ajustada ficou em 30,1%, queda de 3 pontos percentuais em 12 meses, mas 0,3 ponto percentual acima da projeção do banco.
Kroton cresce com mensalidades
A receita líquida da Kroton alcançou R$ 1,31 bilhão, alta de 6% na comparação anual.
O avanço foi impulsionado pelas modalidades presencial e híbrida, cujas receitas cresceram 6% e 14%, respectivamente. A receita do ensino a distância caiu 1%, ainda afetada pelo novo marco regulatório do setor.
A base de alunos da Kroton encerrou o trimestre com 1,16 milhão de estudantes, queda de 4% em 12 meses. O número de alunos presenciais cresceu 8%, enquanto a modalidade híbrida avançou 13%.
No ensino a distância, a base de alunos recuou 17%.
Ticket médio aumenta
O valor médio das mensalidades cresceu em todas as modalidades da Kroton.
No ensino presencial, o indicador avançou 4%, para R$ 1.107 por mês. O resultado refletiu a maior participação dos cursos de saúde e direito na base de alunos.
Na modalidade híbrida, o valor médio subiu 2%. Já no ensino a distância, o aumento foi de 12%, impulsionado pela migração de cursos de pedagogia e licenciaturas, que possuem mensalidades menores, para o formato híbrido.
A evasão aumentou 2,2 pontos percentuais no ensino presencial e 0,8 ponto percentual no modelo híbrido. A alta ocorreu devido à maior participação de novos alunos na base de rematrículas.
No ensino a distância, a evasão recuou 0,6 ponto percentual.
Margem da Kroton recua
A margem bruta da Kroton caiu 0,9 ponto percentual na comparação anual. A margem operacional ajustada ficou em 39,3%, queda de 1,7 ponto percentual.
A pressão veio principalmente das despesas administrativas e gerais, que cresceram 39% em 12 meses devido à maior participação das unidades presenciais.
A redução das perdas esperadas com recebíveis compensou parte desse efeito. A despesa recuou 1,6 ponto percentual como proporção da receita, favorecida pela menor participação do Pague Fácil na captação de alunos.
Educação Básica lidera
A Educação Básica foi o principal destaque operacional da Cogna no trimestre. A unidade, que reúne as operações Vasta e Saber, registrou receita líquida de R$ 650 milhões, alta de 51% na comparação anual.
A receita relacionada ao Programa Nacional do Livro e do Material Didático alcançou R$ 124 milhões, ante R$ 22 milhões no segundo trimestre de 2025.
O período marcou a conclusão do ciclo de faturamento do Novo Ensino Médio. A Cogna alcançou participação de 30% nesse mercado, alta de 8 pontos percentuais em 12 meses.
As receitas de assinaturas cresceram 22%. As soluções complementares triplicaram no período, enquanto as receitas provenientes de contratos com governos avançaram 45%.
Margem melhora na Educação Básica
A margem bruta da Educação Básica recuou 10,3 pontos percentuais em 12 meses. A queda ocorreu porque o programa de livros didáticos possui margens estruturalmente menores.
Por outro lado, a diluição das despesas operacionais e de marketing compensou a pressão sobre a margem bruta.
A margem operacional ajustada da unidade subiu 0,9 ponto percentual, para 11,4%.
Com o ciclo de faturamento do programa concluído, o Banco Safra espera uma normalização do crescimento da Educação Básica a partir do terceiro trimestre de 2026.
Lucro e caixa avançam
As despesas financeiras líquidas somaram R$ 211 milhões, alta de 7% na comparação anual. O impacto da marcação a mercado de operações de proteção cambial compensou a redução dos juros sobre empréstimos após as medidas de gestão da dívida.
A Cogna registrou crédito de R$ 7 milhões em imposto de renda, ante uma despesa no segundo trimestre de 2025.
O lucro líquido reportado alcançou R$ 149 milhões, alta de 25% em 12 meses.
O fluxo de caixa operacional após investimentos cresceu 33%, para R$ 395 milhões. Os investimentos somaram R$ 150 milhões, alta de 39%, principalmente devido à expansão dos cursos de medicina.
Após o pagamento de R$ 143 milhões em juros e R$ 50 milhões relacionados a aquisições, o fluxo de caixa livre alcançou R$ 202 milhões.
Alavancagem diminui
A dívida líquida da Cogna encerrou o segundo trimestre em R$ 2,78 bilhões.
A relação entre dívida líquida e resultado operacional ajustado melhorou para 1,10 vez, ante 1,13 vez no primeiro trimestre e 1,22 vez no segundo trimestre de 2025.
A redução da alavancagem ocorreu mesmo após a aquisição da Educbank, que adicionou R$ 198 milhões à dívida líquida da companhia.
Safra mantém recomendação de compra
Na avaliação do Banco Safra, a Cogna apresentou execução consistente no segundo trimestre, com resultados ligeiramente acima das estimativas e forte geração de caixa.
O principal destaque foi a Educação Básica, impulsionada pelo ciclo do Programa Nacional do Livro e do Material Didático. A Kroton também apresentou crescimento de receita, embora com margens pressionadas pela maior participação dos cursos presenciais.
O Safra mantém a recomendação de compra para as ações da Cogna. A melhora da alavancagem, o crescimento do fluxo de caixa e a evolução operacional sustentam a visão construtiva do banco para a companhia.