O Safra atualizou suas estimativas para as empresas de cobre nas Américas após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre e a forte valorização da commodity. Desde o início da cobertura, em 5 de abril de 2026, as ações do setor avançaram, acompanhando o movimento do cobre no mercado internacional.
Em média, o universo de cobertura subiu cerca de 10%. A Capstone Copper acumulou alta de 24%, enquanto a Hudbay Minerals avançou 18%. A Ero Copper e a Lundin Mining ficaram para trás, com quedas de 1% e 2%, respectivamente.
Desempenho reflete características específicas das companhias
A Capstone Copper se destacou por maior sensibilidade ao preço do cobre e por um desempenho mais fraco antes do início do rally. A Hudbay Minerals apresentou entregas operacionais fortes, apoiadas também pela exposição a metais preciosos.
A Ero Copper teve desempenho mais contido, pois investidores ainda aguardam sinais mais claros de execução após um primeiro trimestre fraco. Esse cenário, segundo o Safra, cria a maior assimetria de valor da cobertura, considerando o potencial de melhora no segundo semestre de 2026. Já a Lundin Mining ficou atrás porque parte relevante de sua qualidade já estava refletida nos preços.
Novos parâmetros indicam espaço para alta
O Safra adotou dois referenciais para atualizar os valuations. O primeiro considera os preços implícitos do cobre em 2027. O segundo estima o preço-alvo implícito para o fim de 2026, com base em múltiplos considerados justos sob um preço de cobre de 5,8 dólares por libra.
A análise aponta potencial de valorização para todas as companhias, embora com perfis distintos. A Lundin Mining apresenta o maior upside, de 39%, além do maior desconto frente ao múltiplo justo. A Ero Copper aparece na sequência, com potencial de alta de 33% e desconto de 20%, sem exigir uma reprecificação relevante.
A Hudbay Minerals combina 31% de upside com uma relação risco retorno considerada mais equilibrada. A Capstone Copper mostra o menor potencial, de 14%, coerente com um valuation que já incorpora boa parte de sua qualidade e alavancagem operacional.
Guidance é mantido, mas custos ganham atenção
As companhias mantiveram seus guidances para 2026, embora os riscos de custo tenham aumentado. Na Ero Copper, não há indicação de revisão de volumes, mas os custos podem se aproximar do teto da faixa caso persista a pressão de insumos e do câmbio.
Na Hudbay Minerals, o Safra não espera revisões, com ativos operando conforme o planejado e pressões de combustível e mão de obra compensadas por créditos de ouro. A Lundin Mining também deve manter seu guidance, com custos controlados apesar do diesel mais caro. Na Capstone Copper, o guidance foi reafirmado, com impactos da greve em Mantoverde já incorporados.
Especialistas seguem com visão construtiva mesmo com cautela
O cobre atingiu cerca de 6,1 dólares por libra, alta próxima de 35% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente por restrições de oferta. Mesmo assim, o Safra trabalha com premissas mais conservadoras para o longo prazo.
O International Copper Study Group passou a projetar superávit de 96 mil toneladas em 2026, ante expectativa anterior de déficit. Para 2027, a projeção de superávit sobe para 377 mil toneladas, o que embasa a estimativa de preço de longo prazo em 5,2 dólares por libra.
Apesar disso, o banco vê riscos de alta, como formação de estoques estratégicos, atrasos em projetos e escassez de concentrado.
Riscos permanecem no radar
Entre os principais riscos, o Safra destaca uma demanda abaixo do esperado, especialmente na China ou no ritmo da transição energética. Mudanças no lado da oferta também podem alterar o equilíbrio do mercado, seja por ramp-up mais rápido de projetos ou por disrupções operacionais, sociais ou ambientais.