A CMPC registrou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado de US$ 270 milhões no segundo trimestre de 2026. O resultado ficou em linha com a estimativa do Banco Safra, mas 9% abaixo do consenso do mercado, de US$ 297 milhões.
O resultado cresceu 6% em relação ao trimestre anterior, principalmente pela melhora da divisão de celulose. O desempenho refletiu preços realizados mais altos para a fibra curta e menores despesas com proteção florestal.
Por outro lado, custos maiores de energia e logística, associados aos preços do petróleo, limitaram parte do avanço. A Softys também apresentou melhora no trimestre, enquanto a Biopackaging recuou devido à queda nos preços do papel cartão, volumes mais fracos de papelão ondulado e custos de manutenção.
Celulose sustenta operação
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização da divisão de celulose alcançou US$ 180 milhões no segundo trimestre. O valor ficou 3% acima da estimativa do Safra, de US$ 175 milhões.
A margem operacional da divisão ficou em 23,4%, 0,6 ponto percentual abaixo da projeção do banco. Os volumes de vendas de celulose para terceiros somaram 934 mil toneladas, 14% abaixo da estimativa do Safra, de 1,092 milhão de toneladas.
Desse total, as vendas de fibra longa somaram 176 mil toneladas, enquanto as de fibra curta alcançaram 758 mil toneladas.
Apesar dos volumes menores, os preços realizados ficaram acima do esperado. O preço da fibra curta chegou a US$ 600 por tonelada, contra US$ 597 projetados pelo Safra. Na fibra longa, o preço alcançou US$ 665 por tonelada, ante estimativa de US$ 652.
Os custos e as despesas implícitos ficaram em linha com a projeção do banco.
Softys melhora
A Softys, divisão de produtos de higiene da CMPC, registrou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização de US$ 101 milhões no segundo trimestre. O resultado superou em 8% a estimativa do Safra, de US$ 94 milhões.
A margem operacional ficou em 11,3%, 0,1 ponto percentual acima da projeção do banco. Os volumes de vendas de produtos de papel para higiene pessoal somaram 216 mil toneladas, 5% acima da estimativa de 206 mil toneladas.
Os volumes de produtos de cuidados pessoais chegaram a 3,579 bilhões de unidades. O preço médio implícito ficou em aproximadamente US$ 4.134 por tonelada, 2% acima da projeção do Safra.
Os custos e as despesas implícitos, por sua vez, alcançaram cerca de US$ 3.667 por tonelada. O valor ficou 2% acima da estimativa do banco, indicando que as pressões de custos continuam presentes.
Embalagens pressionam resultado
A divisão Biopackaging apresentou o desempenho mais fraco entre as áreas da CMPC. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização somou US$ 15 milhões, 19% abaixo da estimativa do Safra, de US$ 19 milhões.
A margem operacional ficou em 6,0%, 1,5 ponto percentual abaixo da projeção do banco. Os volumes totais de vendas alcançaram 201 mil toneladas, praticamente em linha com a estimativa de 200 mil toneladas.
O preço médio implícito chegou a aproximadamente US$ 1.249 por tonelada, 1% acima da projeção do Safra. No entanto, os custos e as despesas implícitos atingiram cerca de US$ 1.174 por tonelada, 3% acima do esperado.
O cenário da divisão continua desafiador, com excesso de oferta, pressão sobre os preços e uma parada programada para manutenção da linha de papel para sacos industriais.
Geração de caixa melhora
O fluxo de caixa livre da CMPC ficou positivo em US$ 77 milhões no segundo trimestre de 2026. No trimestre anterior, o indicador havia sido negativo em US$ 25 milhões.
A recuperação ocorreu principalmente pela redução das necessidades de capital de giro e dos investimentos. Esses fatores mais do que compensaram o aumento das despesas financeiras líquidas.
A dívida líquida recuou levemente, para US$ 5,041 bilhões, ante US$ 5,062 bilhões no trimestre anterior. Os pagamentos de dividendos somaram US$ 25,7 milhões, acima dos US$ 0,1 milhão registrados no primeiro trimestre.
Alavancagem preocupa
Apesar da leve redução da dívida líquida, a alavancagem financeira da CMPC aumentou. A relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização subiu para 4,17 vezes, ante 4,10 vezes no trimestre anterior.
O aumento ocorreu devido à base mais fraca de resultados acumulados nos últimos 12 meses. Para o Safra, o nível de endividamento continua sendo um ponto de atenção, principalmente diante do ciclo de investimentos do Projeto Natureza.
Esse cenário pode manter as preocupações do mercado com uma eventual oferta de ações para reforçar a estrutura de capital da companhia.
Perspectivas são mistas
Para o terceiro trimestre de 2026, o Safra vê um cenário misto para a divisão de celulose. Preços mais fracos da fibra curta podem ser parcialmente compensados pela desvalorização do real e por menores custos denominados em dólar.
Na Softys, vendas mais fortes e ganhos de eficiência devem sustentar os resultados. Ainda assim, as pressões de custos permanecem no radar.
O Safra continua cauteloso com a Biopackaging. O excesso de oferta e a pressão sobre os preços devem continuar afetando a divisão. A parada programada para manutenção da linha de papel para sacos industriais também pode pesar no terceiro trimestre, embora ganhos de eficiência possam aparecer até o fim do ano.
Safra mantém cautela
O Safra considera o resultado da CMPC levemente negativo. Embora o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização tenha ficado em linha com a estimativa do banco, o número veio abaixo do consenso do mercado.
A melhora na celulose e na Softys foi parcialmente compensada pelo desempenho mais fraco da Biopackaging. Além disso, a alavancagem elevada e o ciclo de investimentos do Projeto Natureza continuam limitando uma visão mais construtiva para a companhia.