O Banco Safra manteve a recomendação neutra para as ações da Cemig (CMIG4) e reduziu o preço-alvo para o fim de 2026, de R$ 12,50 para R$ 11,90. O novo valor indica potencial de valorização total de aproximadamente 13%.
Na avaliação do banco, o retorno esperado para o papel permanece limitado em relação à média do setor elétrico. A taxa interna de retorno estimada para a Cemig é de cerca de 10%, abaixo da média setorial de 12,1%.
A companhia deve apresentar distribuição média de dividendos equivalente a aproximadamente 4% do valor da ação nos próximos três anos. O percentual está alinhado à média do setor.
Apesar de a avaliação da Cemig não parecer elevada, o Safra destaca fatores que podem limitar o desempenho da ação. Entre eles estão os investimentos elevados da distribuidora até a revisão tarifária, prevista para 2028, além da pressão sobre a unidade de comercialização de energia.
Eleições aumentam riscos
A Cemig também pode ser mais afetada pelo cenário eleitoral do que outras empresas do setor por ser uma companhia controlada pelo Estado de Minas Gerais.
A renúncia do governador Romeu Zema, em março, para concorrer à Presidência da República, aumentou a atenção sobre o futuro da empresa. Desde então, candidatos ao governo mineiro têm demonstrado pouco apoio à privatização da Cemig.
O atual governador, Mateus Simões, afirmou que não pretende discutir a privatização. Ele também admitiu que uma eventual troca do presidente da Cemig poderia ocorrer no contexto de negociações políticas.
O senador Cleitinho, que aparece bem posicionado nas pesquisas recentes, também se opõe à privatização da companhia. Já Alexandre Kalil defende a venda apenas de empresas deficitárias e descartou a possibilidade de privatizar a Cemig, considerada lucrativa.
Mesmo que os candidatos alterem suas posições ao longo da campanha, a privatização exigiria uma mudança na Constituição de Minas Gerais. O processo seria demorado e poderia enfrentar forte oposição.
Na avaliação do Safra, possíveis mudanças na administração e na estratégia da Cemig podem aumentar a percepção de risco entre os investidores. Além disso, essas alterações poderiam atrasar discussões importantes, como a renovação das concessões da companhia.
Novas premissas para a empresa
O Safra revisou as estimativas para a Cemig com base nos resultados do primeiro semestre de 2026 e em novas projeções para o ambiente macroeconômico.
As previsões agora consideram juros mais elevados, o que tende a aumentar as despesas financeiras da companhia, além de uma inflação maior em 2026 e 2027. Com isso, a taxa de desconto utilizada na avaliação subiu 0,4 ponto percentual.
O banco também atualizou as projeções para os preços de energia. A estimativa considera preço médio de R$ 225 por megawatt-hora no segundo semestre de 2026 e valores de longo prazo chegando a R$ 240 por megawatt-hora.
Além disso, o modelo incorpora um portfólio de geração atualizado e a renovação das concessões das usinas Sá Carvalho, Emborcação e Nova Ponte. Para essas operações, o Safra considera uma estrutura de remuneração baseada nos custos de operação e manutenção.
Investimentos pressionam a dívida
O novo preço-alvo da Cemig foi calculado por meio de um modelo de fluxo de caixa descontado. A metodologia estima o valor da empresa com base na capacidade de geração de caixa ao longo do tempo.
O Safra utilizou taxas de desconto diferentes para os segmentos de distribuição, geração e transmissão de energia. As taxas foram de 11% para a distribuidora, 10,2% para a geradora e 10% para a transmissora.
Com o preço-alvo de R$ 11,90, a Cemig seria negociada a múltiplos considerados adequados pelo banco. A avaliação equivale a 1,2 vez o valor da empresa sobre a base regulatória de ativos, 2,7 vezes o valor da empresa por megawatt de capacidade instalada e 7,3 vezes o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
A Cemig deve investir, em média, cerca de R$ 5,5 bilhões por ano até a revisão tarifária. Esse nível de desembolso deve manter a alavancagem próxima de 2,5 vezes a dívida líquida em relação ao resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
Por esse motivo, o Safra avalia que a distribuição de dividendos da Cemig dificilmente ficará acima de 25% dos resultados.
Principais riscos para a ação
Entre os principais riscos para a Cemig está um desempenho abaixo do esperado na unidade de comercialização. A companhia permanece vendida em energia até 2027, o que pode pressionar os resultados caso os preços avancem de forma desfavorável.
Também há riscos relacionados à gestão de custos, ao resultado da revisão tarifária e à alocação de capital. Decisões inadequadas podem gerar perdas financeiras e afetar a percepção do mercado sobre a empresa.
Por fim, eventuais mudanças na administração e na estratégia da Cemig após as eleições podem aumentar a volatilidade das ações. Diante desse conjunto de fatores, o Safra mantém uma postura cautelosa e a recomendação neutra para o papel.