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Cemig tem resultado forte, com efeito extraordinário e proventos

A Cemig obteve números robustos sob o padrão contábil internacional, apoiados por efeitos não recorrentes. No resultado ajustado, a operação mostrou desempenho melhor do que o esperado, apesar de desafios


A Cemig (CMIG4), Companhia Energética de Minas Gerais, reportou um resultado forte no quarto trimestre de 2025, impulsionado por itens não recorrentes que elevaram os números sob o padrão contábil internacional. O EBITDA, sem equivalência patrimonial, somou R$ 2,906 bilhões.

Ao excluir efeitos extraordinários e a equivalência patrimonial, o EBITDA ajustado ficou em R$ 1,771 bilhão, com queda de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, o número veio 6% acima da projeção do Safra e também acima do consenso de mercado.

Além disso, a companhia anunciou juros sobre capital próprio de R$ 658 milhões. A data com para o provento vai até 25 de março, o que implica um dividend yield de 2%.

Itens extraordinários sustentam os números

O principal fator de suporte ao trimestre foi o reconhecimento de um acordo ligado ao encerramento de obrigações pós-emprego na área de saúde. Esse efeito gerou uma reversão positiva de R$ 1,1 bilhão nos custos gerenciáveis.

Ao mesmo tempo, a Cemig também registrou ganhos de R$ 134 milhões relacionados a ativos vendidos e adquiridos no trimestre. Por outro lado, houve um efeito negativo de R$ 193 milhões ligado a provisões de encargos trabalhistas.

Com isso, o lucro líquido também ganhou força no período. O resultado foi beneficiado não apenas pelos itens extraordinários, mas também por um desempenho mais forte da equivalência patrimonial, apesar de uma alíquota efetiva de imposto mais elevada.

Operação mostra resiliência, apesar de pressões

Na leitura operacional, o trimestre trouxe sinais mistos. A receita líquida, desconsiderando linhas de construção, ficou estável na comparação anual.

Esse desempenho refletiu, primeiro, o avanço de 12,8% nos volumes vendidos nas áreas de geração e comercialização. Também contou com o reajuste tarifário da distribuidora, de 7,78% para os consumidores.

Por outro lado, a operação de distribuição ainda sentiu a fraqueza do mercado cativo. Os volumes totais da distribuidora recuaram 1,4% na comparação anual, já considerando a compensação da geração distribuída. No mercado cativo, a queda foi de 4,3%, em linha um pouco melhor do que a esperada pelo Safra.

Na unidade de gás, a pressão foi mais intensa. Os volumes vendidos caíram 12% em um ano, abaixo da estimativa do banco, diante da migração contínua de clientes para o mercado livre.

Custos seguem como ponto de atenção

Os custos de compra de energia ficaram estáveis em relação ao mesmo período do ano anterior, mas vieram bem acima do esperado. Segundo a análise do Safra, o número ficou 68% acima da projeção, pressionado por um nível ainda elevado de exposição hidrológica e pela posição vendida no mercado de curto prazo.

Sem os efeitos extraordinários do trimestre, os custos totais cresceriam 11% na comparação anual. Na distribuição, os custos gerenciáveis teriam ficado 10% acima da estimativa do banco.

Ainda assim, alguns indicadores trouxeram alívio. As perdas totais de energia permaneceram estáveis em 11,4% na comparação trimestral. Já as provisões para inadimplência representaram 0,7% da receita líquida, abaixo de 1% no terceiro trimestre de 2025 e também melhores do que a estimativa do Safra.

Alavancagem sobe e recomendação segue neutra

Entre os segmentos, o EBITDA regulatório ajustado da distribuição ficou 9% acima da projeção do Safra. Em sentido oposto, a área de geração e comercialização entregou um número 23% abaixo da estimativa do banco.

A alavancagem da Cemig encerrou o trimestre em 2,3 vezes dívida líquida sobre EBITDA, acima das 1,8 vez registradas no trimestre anterior. O movimento mostra uma piora na estrutura de capital, embora ainda em nível administrável para a companhia.

Na avaliação do Safra, o resultado ajustado da Cemig foi decente, embora bastante influenciado por efeitos não recorrentes. A receita veio melhor do que o esperado, com a compensação da geração distribuída ajudando a reduzir o impacto da fraqueza no mercado cativo. Ao mesmo tempo, os custos seguiram elevados, mesmo com melhora na inadimplência.

Diante desse quadro, o Safra manteve recomendação neutra para Cemig (CMIG4).


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