O Banco Safra revisou o preço-alvo de 12 meses para Cemig (CMIG4) de R$13,20 para R$12,50, indicando potencial de valorização de 13%.
A recomendação segue neutra, considerando resultados recentes, menor custo de capital e ajustes na curva de preços de longo prazo.
O banco estima retorno interno (IRR) próximo de 9% e múltiplos limitados frente aos pares, apesar de um dividend yield médio de 5% nos próximos três anos.
Entre os riscos, estão mudanças na estratégia do controlador, discussões sobre federalização, margens abaixo do esperado na comercialização e menor indenização por concessões que vencem entre 2026 e 2027.
Íntegra da análise do Banco Safra sobre a Cemig (CMIG4)
“Esperando por um futuro mais promissor. Apresentamos nosso novo preço-alvo para 12 meses de R$ 12,50 para CMIG4 (ante R$ 13,20 anteriormente), o que implica um potencial de valorização total de 13%, justificando nossa recomendação Neutra. Em nosso novo cenário, estamos incorporando os resultados recentes, incluindo um menor custo de capital próprio, uma nova curva de preços de longo prazo, estimativas de GSF e de cortes. Com base em nosso novo valor justo, chegamos a uma TIR de ~9% e múltiplos implícitos de 1,1x EV/RAB, 3,6 EV/MW e 7,3x EV/EBITDA, que parecem limitados em comparação aos pares. Ainda assim, a empresa consegue entregar um rendimento médio
de dividendos de 5% (3 anos), com potencial de alta caso decida distribuir dividendos extraordinários devido a alguns ganhos não recorrentes (reversão de provisões de custos do plano de saúde).
Pressão negativa sobre o desempenho operacional, mas alguns itens não recorrentes podem surpreender positivamente. Em 2025, a Cemig foi negativamente pressionada por sua posição vendida no portfólio de balanço energético (mais energia vendida do que disponível para venda), além de alguns contratos de energia com unidades renováveis no mercado do Nordeste, que também foram afetados por preços spot mais baixos em relação a outros mercados. Essa pressão negativa deve continuar em 2026, considerando o balanço energético da Cemig. Além disso,
esperamos volumes na unidade de distribuição (DisCo) permanecerem moderados, limitando o potencial de crescimento nesse segmento. Pelo lado positivo, a empresa pode conseguir renovar algumas concessões da unidade de geração (GenCo), com risco de alta em relação ao nosso cenário, já que consideramos o fim das concessões incluindo um reembolso de R$ 1,6 bilhão. Adicionalmente, acreditamos que a empresa continuará focada em desinvestimentos (ativos não essenciais) e iniciativas de eficiência que podem impactar positivamente o fluxo de caixa
futuro.
O que mudou? Revisamos nossos modelos para incluir: (i) uma curva de preços atualizada (média de R$ 190 vs. R$ 170 anteriormente) e menores margens para a unidade de comercialização (seguindo o guidance do Investor Day da Cemig), novas estimativas de GSF e cortes; (ii) estimativas atualizadas para volumes da DisCo (1,8% a/a vs. 3% anteriormente); (iii) os resultados mais recentes e o guidance de capex; (iii) redução nos custos pós-benefícios dos empregados após o acordo sobre custos do plano de saúde; (iv) um novo cenário macroeconômico; e (v) uma nova
taxa de desconto. Essas mudanças implicaram uma redução média de 8% nas nossas estimativas de EBITDA para 2025–2028.
Valuation. Temos um preço-alvo baseado em DCF para 12 meses de R$ 12,50/ação, usando um WACC médio de 10,3%, implicando um retorno total de 13% (e TIR de ~9% em termos reais), o que parece limitado em comparação aos pares. Atualmente, a Cemig negocia a 6,4x EV/EBITDA 2026, e esperamos um payout de 50%, que deve resultar em um yield de 6,6% em 2026 (não inclui ganhos não recorrentes). Até o final de 2026, vemos a relação dívida líquida/EBITDA próxima de 2,5x, e mesmo com o potencial fim das concessões da GenCo em 2026–2027, acreditamos que a empresa conseguirá gerenciar as necessidades de capex.
Riscos. (i) Operações ineficientes devido a mudanças inesperadas na direção futura da empresa pelo acionista controlador; (ii) volatilidade decorrente de discussões sobre possível federalização; (iii) margens abaixo do esperado na unidade de comercialização; (iv) indenização menor para concessões da GenCo que expiram em 2026–2027; e (v) decisões ruins de alocação de capital.”.