Os resultados do 4T25 da C&A Brasil (CEAB3) vieram ligeiramente abaixo da expectativa dos especialistas do Banco Safra, tanto em receita quanto em rentabilidade. As vendas consolidadas recuaram 3,2% A/A (2,6% abaixo da estimativa do Safra), pressionadas pela contração de -0,3% no SSS (Same Store Sales ou vendas nas mesmas lojas) do segmento de Vestuário, adicionalmente impactadas pela descontinuação da categoria de Eletrônicos e por uma postura mais cautelosa de crédito no C&A Pay.
A margem bruta expandiu 120bps A/A, para 56,1% (+30bps vs. Safra), sustentada pelo melhor desempenho de Fashiontronics. A margem EBITDA atingiu 22,7%, queda de 60bps A/A, ficando 20bps abaixo da projeção, principalmente devido à menor alavancagem operacional na divisão de varejo.
Por fim, o lucro líquido ajustado totalizou R$ 270 milhões, alta de 8% A/A, superando a estimativa em R$ 11 milhões, impulsionado principalmente por despesas de D&A menores do que o esperado.
Análise dos resultados da C&A (CEAB3):
A C&A entregou um trimestre mais fraco, embora os analistas vejam os resultados como em grande parte pontuais, acreditando que os fundamentos operacionais da companhia permanecem sólidos.
- A receita da CEAB3 enfrentou diversos ventos contrários transitórios, incluindo:
- (i) condições climáticas voláteis no 4T25;
- (ii) o phase-out da categoria de Eletrônicos;
- (iii) taxas de juros elevadas levando a uma postura de crédito mais conservadora; e
- (iv) um ambiente de varejo mais competitivo.
Pelo lado positivo, Fashiontronics continuou a mostrar forte tração, com expansão de 1.500bps na margem bruta na comparação anual, refletindo a descontinuação completa dos Eletrônicos.
A divisão de Serviços Financeiros também apresentou desempenho resiliente, surpreendendo positivamente com lucro líquido de R$ 4,4 milhões (vs. estimativa do Safra de R$ 1 milhão), mesmo com a receita menor.
Além disso, a C&A gerou R$ 486 milhões de caixa operacional no trimestre, resultando em posição de caixa líquido positivo de R$ 84 milhões (vs. expectativa do Safra de R$ 360 milhões em dívida líquida).
Embora os resultados de receita do segmento de Vestuário tenham sido fracos no trimestre, especialistas acreditam que isso comprometa os fortes fundamentos da companhia, dado seu consistente histórico de resultados positivos desde 2024.
Nesse contexto, e considerando que as ações são negociadas a um atrativo múltiplo de 5,5x P/L 2026E, o Safra enxerga um ponto de entrada interessante nos níveis atuais.
Varejo tem vendas abaixo do previsto
- No lado do varejo, as vendas caíram 1,9% A/A e ficaram 1,7% abaixo da estimativa. Detalhamento por segmento:
(i) Vendas de Vestuário de R$ 2,3 bilhões cresceram 0,6% A/A e ficaram 1,6% abaixo da projeção, atribuídas às condições climáticas voláteis no trimestre, além de um ambiente mais competitivo no varejo; e
(ii) as vendas de Fashiontronics caíram 29% A/A e ficaram 4% abaixo da estimativa do Safra; dito isso, a categoria de Beleza cresceu 22,6% A/A. - A margem bruta do varejo, de 56,2%, expandiu 160bps A/A (+60bps vs. Safra), como resultado de:
(i) crescimento de 10bps A/A na margem bruta de Vestuário, acima de nossa expectativa devido a uma melhor estratégia de preços, representando o 18º trimestre consecutivo de expansão de margem; e
(ii) aumento de +1.500bps na margem bruta de Fashiontronics (+600bps acima do Safra), devido a uma normalização de margem melhor do que o esperado na categoria de Beleza, bem como um suporte não recorrente de 200bps decorrente de créditos tributários.
Embora esses fatores destaquem as eficiências capturadas pela implementação do push-pull, com melhor sortimento de produtos e preços mais dinâmicos, a perda de alavancagem operacional devido à queda das vendas levou a uma contração de 80bps A/A no EBITDA de varejo, que ficou em 22,8%.
O C&A Pay continua surpreendendo positivamente. A carteira de empréstimos com vencimentos de até 360 dias caiu 0,6% A/A, enquanto as receitas recuaram 29%, uma contração mais forte do que antecipávamos, mas ainda razoável dado o perfil de crédito mais conservador da companhia.
Como resultado da política de crédito mais prudente, a empresa conseguiu reduzir em 10bps o índice de inadimplência (NPL).
Além disso, os ganhos de eficiência em despesas e menores perdas de crédito mais que compensaram a queda de receita, levando a um resultado positivo de R$ 4,4 milhões na divisão, superando a estimativa do Safra em aproximadamente R$ 3 milhões.