A Casas Bahia (BHIA3) anunciou a aprovação da 11ª emissão de debêntures, totalizando R$ 3,95 bilhões, divididos em quatro séries com diferentes condições:
- 1ª série: R$ 438 milhões, sem opção de conversão em ações, amortização em dezembro de 2029 a CDI +1%;
- 2ª série: valor a definir, com conversão em ações na proporção de 1 debênture para 1 ação;
- 3ª série: valor a definir, com opção de conversão em ações na mesma proporção da 2ª série;
- 4ª série: R$ 146 milhões, sem opção de conversão em ações, amortização em janeiro de 2026.
Impactos na estrutura de capital
O objetivo da emissão é substituir as debêntures da 10ª emissão, com diferentes cenários para conversão e redução da dívida:
Cenários possíveis para alavancagem e diluição
- Conversão total: alavancagem cai para 0,4x (de 1,9x), redução da dívida líquida em R$ 3,3 bilhões e despesas financeiras menores em R$ 650 milhões, com diluição acionária de 58%;
- Conversão parcial: alavancagem cai para 0,6x, redução da dívida líquida em R$ 2,8 bilhões e despesas financeiras menores em R$ 540 milhões, com diluição acionária de 44%.
Visão do Safra
O Safra avalia que a Casas Bahia (BHIA3) segue no caminho para melhorar sua estrutura de capital, embora às custas dos acionistas, considerando diluição entre 44% e 58%.
A recomendação para BHIA3 permanece em Venda.
Confira a íntegra da análise dos especialistas do Banco Safra sobre Casas Bahia (BHIA3):
“A BHIA emitiu um comunicado de fato relevante, além daquele publicado em 11 de novembro de 2025 (relatório Safra), informando que o Conselho de Administração aprovou a 11ª emissão de debêntures no valor de R$ 3,95 bilhões em quatro possíveis séries, conforme segue: (i) 1ª série: R$ 438 milhões sem opção de conversão em ações e amortização em dezembro de 2029 a CDI +1%; (ii) 2ª série: valor total ainda a ser definido, que deve ser convertido em ações na proporção de 1 debênture para 1 ação; (iii) 3ª série: valor total ainda a ser definido, com opção de conversão em ações na mesma proporção da 2ª série; e (iv) 4ª série de R$ 146 milhões, sem opção de conversão em ações e amortização em janeiro de 2026.
O principal objetivo dessa 11ª emissão de debêntures é substituir as debêntures da 10ª emissão, conforme segue: (i) 1ª série (R$ 1,9 bilhão) totalmente convertida em ações, 2ª série da 11ª emissão, e emissão de 507 milhões de novas ações; (ii) 3ª série (R$ 1,4 bilhão), com duas opções: (a) conversão em ações, 3ª série da 11ª emissão, e emissão de 393 milhões de novas ações; ou (b) 2/3 convertidos na 1ª série da 11ª emissão de debêntures, implicando um haircut de 55%; e 1/3 convertido na 4ª série da 11ª emissão, implicando um haircut de 70%.
Implicações. Considerando a conversão total da dívida em ações, o índice de alavancagem deve cair para 0,4x de 1,9x já considerando a venda da participação da FIC, levando a uma redução da dívida líquida de R$ 3,3 bilhões e, consequentemente, uma diminuição de cerca de R$ 650 milhões nas despesas financeiras anuais, apesar da diluição acionária de 58%, considerando o preço médio ponderado pelo volume de 90 dias de R$ 3,71. Caso os detentores da 3ª série da 10ª emissão de debêntures não aceitem a conversão em ações, o índice de alavancagem seria reduzido para 0,6x de 1,9x, já considerando a venda da participação da FIC, levando a uma redução da dívida líquida de R$ 2,8 bilhões e, consequentemente, uma diminuição de cerca de R$ 540 milhões nas despesas financeiras anuais. Nesse caso, a diluição acionária ficaria em torno de 44%. Outros cenários são possíveis dependendo de quantos detentores das debêntures da 10ª emissão aceitarão a conversão em ações.
Nossa visão. A empresa continua em seu caminho para melhorar sua estrutura de capital, mais uma vez às custas dos acionistas, considerando a provável diluição entre 44% e 58%. Portanto, mantemos nossa recomendação de Venda para BHIA.”