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Carrefour supera expectativas, mas descontos de recebíveis queimam caixa

Volume de recebíveis descontados do Carrefour aumentou em R$ 2 bilhões no trimestre, o que pesou no aumento da dívida, segundo análise do Banco Safra


O Carrefour Brasil (CRFB3) registrou vendas de R$ 32,8 bilhões (+5,5% a/a) devido ao crescimento positivo de +6,0% a/a nas Vendas de Mesmas Lojas. O EBITDA ajustado totalizou R$1,9 bilhão (+2,2% a/a e +6,6% vs. Safra), com uma margem de 6,5% (-22bps a/a), que é próxima à do 1T22 (antes da aquisição do BIG).

O lucro líquido totalizou R$1,1 bilhão. Em relação ao fluxo de caixa, a empresa registrou uma queima de caixa (mudança na dívida líquida) de R$ 1,7 bilhão nos últimos 12 meses (LTM), principalmente relacionada a um aumento nos recebíveis antecipados.

Avaliação do Safra sobre os resultados do carrefour

No geral, o resultado mostrou números encorajadores em relação à evolução da margem EBITDA, com apenas uma diferença de 15bps na margem em comparação com o 1T22 (último trimestre antes da aquisição do Grupo BIG).

No entanto, os especialistas do Banco Safra ainda estão preocupados com o aumento nas vendas a prazo, que ainda está impactando a alavancagem e as despesas financeiras. Além disso, permanecem cautelosos em relação aos R$ 11,8 bilhões em provisões e passivos contingentes no balanço da empresa.

Ao longo de 2024, houve um impacto negativo de R$ 854 milhões no fluxo de caixa relacionado a isso. No entanto, na avaliação do Safra, o que deve impulsionar o preço das ações no curto prazo é a proposta de deslistagem recentemente anunciada. Sendo assim, o Banco Safra reitera a recomendação Neutra.

Safra tem recomendação neutra para a ação do Carrefour

Vendas mais altas no Atacadão, combinadas com novos níveis de margem das divisões de varejo e banco, impactaram a margem bruta. As vendas totais atingiram R$32,8 bilhões, um aumento de +5,5% a/a e -0,8% vs. projeção do Safra.

As vendas do Atacadão (C&C) aumentaram 9,6% a/a, atingindo R$23,3 bilhões e ficaram apenas -1% abaixo da estimativa do Safra, com crescimento de vendas nas mesmas lojas de 6,3% a/a (abaixo da inflação de alimentos de 8,2% em 2024), juntamente com 18 novas lojas nos últimos 12 meses.

Como esperado, as vendas do Atacadão foram negativamente afetadas por uma combinação de um cenário competitivo difícil e um cenário macroeconômico complicado, o que levou a uma diferença de 190bps em relação à inflação de alimentos no período (+8,2% a/a).

As vendas do Carrefour (varejo; ex-Petrol) de R$ 6,3 bilhões ficaram em linha com a estimativa do Safra e 10% abaixo a/a, como resultado da redução da área de vendas (-24% a/a), que foi parcialmente mitigada pelo crescimento de SSS de +5,9% a/a (vs. inflação de alimentos de 8,2%).

As vendas de combustíveis foram de R$ 944 milhões, +2% acima da estimativa do Safra, mas +12% a/a.

Banco Carrefour

As faturas totalizaram R$ 19,3 bilhões, um aumento de 16% a/a e 4% acima da estimativa do Safra, com desempenhos positivos dos cartões de crédito Carrefour e Atacadão e novos clientes do Grupo BIG.

Em relação à inadimplência, houve uma diminuição de -60bps t/t na proporção de dívidas com mais de 90 dias de atraso, devido à política de crédito mais rigorosa da empresa, que está em vigor desde o 2T22.

Finalmente, a margem EBITDA está se aproximando do nível anterior à aquisição do BIG. A margem bruta de 19,3% caiu 70bps a/a (+40bps vs. Safra), impactada negativamente por:

  • (i) maior penetração do Atacadão no mix (+260bps a/a);
  • (ii) uma nova estratégia de preços no varejo; e
  • (iii) menor margem financeira do Banco Carrefour devido a um novo teto de taxa de juros.

O EBITDA ajustado consolidado atingiu R$1,9 bilhão (excluindo R$ 438 milhões, principalmente relacionados a perdas com vendas de ativos e custos de reestruturação), +2,2% a/a e 6,6% acima do Safra, com uma margem de 6,5% (queda de -22bps a/a) devido às conversões de lojas do BIG e apenas 15bps abaixo do 1T22 (antes da aquisição do BIG).

A empresa viu um aumento de 49% no custo dos recebíveis descontados de cartão de crédito para R$122 milhões devido a um aumento nas vendas a prazo no Atacadão.

O volume de recebíveis descontados aumentou em R$ 2,0 bilhões no 4T24 em comparação com o 4T23 e foi a principal razão para o aumento de R$ 1,7 bilhão na dívida líquida nos últimos 12 meses.

A empresa registrou um lucro líquido de R$1,2 bilhão vs. R$205 milhões no 3T24 e um prejuízo líquido de R$582 milhões no 4T23 devido ao efeito positivo do reconhecimento de impostos diferidos das perdas acumuladas do Grupo BIG de R$1,0 bilhão.


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