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Carne bovina sobe enquanto inflação da cerveja perde força

Banco Safra vê cenário mais favorável para frigoríficos ligados à carne bovina após avanço dos preços no Brasil, enquanto aves, suínos e bebidas enfrentam pressão


A inflação de alimentos no Brasil apresentou comportamentos distintos entre categorias no segundo trimestre de 2026. Enquanto os preços da carne bovina seguiram em alta, a inflação da cerveja perdeu força em junho, segundo análise do Safra com base nos dados mais recentes do IPCA divulgados pelo IBGE.

O banco avalia que o cenário foi positivo para frigoríficos com maior exposição à carne bovina, como Minerva (BEEF3), e mais desafiador para empresas ligadas a aves e suínos, como Marfrig (MRFG3) e JBS (JBSS3).

Para Ambev (ABEV3), dona da principal marca de cerveja do país, a leitura foi considerada neutra a levemente negativa.

Carne bovina mantém preços elevados

Os preços da carne bovina avançaram 9,7% em junho na comparação anual, mantendo a tendência positiva observada ao longo do trimestre.

Segundo o Safra, a demanda doméstica continua resiliente, sustentando um cenário mais favorável para os frigoríficos focados em bovinos.

No segundo trimestre, os preços da carne bovina acumularam alta média de 9,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já os spreads do segmento cresceram 1%.

Em contrapartida, aves e suínos continuaram pressionados. Os preços da carne suína recuaram 6,7% em junho, enquanto os cortes de frango registraram queda de 4,6%.

No trimestre, os spreads de aves caíram 1%, enquanto os de suínos recuaram 25%, refletindo um equilíbrio mais fraco entre oferta e demanda.

Inflação da cerveja desacelera em junho

A inflação da cerveja permaneceu em patamar de um dígito médio, mas desacelerou em junho.

Os preços médios da bebida subiram 4,5% na comparação anual, abaixo dos 4,8% registrados em maio.

O movimento foi puxado principalmente pelo consumo dentro de casa, que avançou 5,3%. Já o consumo fora do domicílio acelerou para 3,4%.

No acumulado do segundo trimestre, a inflação média da cerveja ficou em 4,5%, ligeiramente abaixo dos 4,9% observados no primeiro trimestre.

Para os refrigerantes, o cenário permaneceu mais estável. Os preços avançaram 5,7% em junho e acumularam alta média de 5,6% no trimestre.

Feijão dispara e arroz segue em queda

Entre os alimentos básicos, o destaque ficou para o feijão, que continuou acelerando.

Os preços subiram 48% em junho na comparação anual, após altas de 36% em maio e 29% em abril.

Por outro lado, o arroz seguiu em forte trajetória de queda, com recuo de 15% em relação ao ano anterior, embora em ritmo menos intenso do que nos meses anteriores.

Massas e biscoitos apresentaram comportamento mais moderado. Os preços das massas caíram 3% em junho, enquanto os biscoitos subiram 3,9%, em linha com a inflação do setor de alimentos e bebidas.

Impactos para as empresas do setor

Na avaliação do Safra, o ambiente atual favorece empresas com maior exposição à carne bovina, diante da resiliência da demanda e da melhora dos spreads.

Por outro lado, companhias ligadas à produção de aves e suínos seguem pressionadas por preços mais baixos e margens reduzidas.

No segmento de bebidas, a desaceleração da inflação da cerveja pode limitar reajustes de preços, enquanto alimentos básicos apresentam cenário misto para as empresas do setor.


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