Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) referentes a maio indicam um mês positivo para o setor de alimentos e bebidas. A carne bovina se destacou entre as proteínas, com volumes fortes, preços mais altos e expansão relevante dos spreads. A demanda global permaneceu robusta, com China, México e Japão como principais destinos.
Os spreads da carne bovina cresceram 7% na comparação mensal, sustentados pela combinação de preços de exportação em alta e queda no preço do boi. Já os spreads de aves ficaram praticamente estáveis, enquanto os de suínos recuaram 1% no mês.
China sustenta volumes e preços da carne bovina
As exportações de carne bovina registraram crescimento expressivo. Os volumes avançaram 20% na comparação anual e 4% frente a abril, impulsionados principalmente pela China, que respondeu por 59% do total embarcado. Rússia e Estados Unidos também ampliaram suas compras, com altas de 58% e 14% na base anual, respectivamente.
Os preços médios alcançaram US$ 6.505 por tonelada, o maior nível desde julho de 2022. A valorização representou alta de 25% em um ano e de 4% no mês. A China pagou um prêmio de 4,5% em relação à média, enquanto a Arábia Saudita apresentou preços 3,5% acima do patamar médio, o que sugere maior demanda por cortes de maior valor agregado.
Com os preços de exportação superando o valor do boi, que caiu 3% no mês em dólares, os spreads avançaram de forma consistente. Na avaliação dos especialistas do Banco Safra, a Minerva (BEEF3) aparece como exposta a esse movimento, dada sua forte presença no mercado externo de carne bovina.
Exportações de aves mostram demanda resiliente
No segmento de aves, os números surpreenderam positivamente. Os volumes cresceram 4% na comparação mensal e 27% na base anual, contrariando o padrão sazonal e o desempenho observado no ano passado. O resultado reflete uma demanda global resiliente, mesmo em um cenário geopolítico mais desafiador.
China, Japão e México lideraram o avanço, com crescimentos expressivos nas compras. Os preços médios subiram 1% no mês e 5% em relação a maio do ano passado. Apesar disso, os spreads permaneceram praticamente estáveis, já que os preços dos grãos acompanharam a evolução dos preços da proteína. Com base nos níveis atuais de preços e custos, a expectativa é de melhora gradual dos spreads nos próximos meses.
Suínos têm volumes menores, mas base histórica forte
As exportações de carne suína apresentaram queda mensal em volume, embora maio tenha registrado o melhor desempenho para o mês em cinco anos, com alta de 5% na comparação anual. Japão e México compensaram parcialmente a retração das compras da China e das Filipinas.
Os preços médios ficaram praticamente estáveis no mês, enquanto custos mais elevados pressionaram os spreads, que recuaram levemente. Ainda assim, permanecem acima da média histórica de cinco anos. Para os próximos meses, o Safra espera uma recuperação gradual dos spreads, apoiada nos preços atuais de exportação.
Cenário segue construtivo para frigoríficos
De forma geral, os dados de maio reforçam um cenário construtivo para os frigoríficos brasileiros. A demanda externa segue firme, especialmente para a carne bovina, e os spreads mostram sinais de recuperação ou manutenção em níveis saudáveis. Nesse contexto, empresas com maior exposição à exportação, como a Minerva, tendem a se beneficiar de forma mais direta do atual momento do mercado global de proteínas.