A empresa de mineração Capstone Copper (CS) registrou EBITDA ajustado de US$ 329 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 7% sobre o trimestre anterior. O número ficou 4% acima da estimativa do Safra, de US$ 316 milhões, e 14% acima do consenso de mercado.
Na avaliação do banco, o desempenho melhor refletiu mecanismos favoráveis de preços realizados, e não uma melhora disseminada nas operações. Por isso, a leitura do trimestre exige moderação.
Entre os ativos, Mantos Blancos e Cozamin lideraram as surpresas positivas. Mantos Blancos entregou EBITDA de US$ 92 milhões, 19% acima da projeção do Safra. Já Cozamin ficou perto de US$ 65 milhões, 10% acima da estimativa. Mantoverde e Pinto Valley também vieram acima do esperado, embora com diferença mais limitada.
Preço do cobre sustentou o trimestre
Os preços realizados de cobre subiram 10% na comparação trimestral e 35% em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 5,9 por libra. Esse movimento ajudou a compensar a pressão observada em produção e custos.
Esse fator explica boa parte da surpresa positiva do trimestre. Como se trata de uma variável mais sujeita às condições de mercado e a efeitos pontuais de precificação, o Safra vê espaço limitado para extrapolar esse desempenho adiante.
Custos avançam e pressionam a leitura do resultado
O custo caixa C1 subiu 15% ante o trimestre anterior, para US$ 2,66 por libra. O valor ficou 6% acima da projeção do Safra.
A pressão veio principalmente de Mantos Blancos, onde o custo avançou 56% na base trimestral, e de Mantoverde, com alta de 12%. Em sentido oposto, Cozamin registrou queda de 27% e Pinto Valley teve recuo de 2%.
Assim, embora o resultado consolidado tenha surpreendido positivamente, a evolução dos custos mostra um quadro operacional menos confortável.
Volumes ficaram mistos nas operações
Os embarques totais da Capstone Copper somaram 47 mil toneladas no primeiro trimestre de 2026, queda de 12% na comparação anual e em linha com a projeção do Safra.
Cozamin e Pinto Valley superaram as estimativas de volume, com altas de 13% e 11%, respectivamente. Por outro lado, Mantos Blancos e Mantoverde ficaram abaixo do esperado, com desvios de 3% e 6%.
No caso de Mantoverde, a operação sofreu os efeitos de uma greve de 35 dias no início de janeiro. A paralisação reduziu o tempo operacional e afetou o processamento ao longo do trimestre.
Geração de caixa veio abaixo do esperado
O fluxo de caixa livre recorrente ficou em US$ 46 milhões no trimestre, equivalente a um retorno anualizado de cerca de 3,1%. O número veio 12% abaixo da estimativa do Safra.
Segundo o banco, o desempenho foi impactado por pagamento de impostos mais altos e por maiores despesas líquidas com juros. Além disso, a companhia reportou investimentos de US$ 155 milhões no período, concentrados sobretudo em Mantoverde e no desenvolvimento de Santo Domingo.
Alavancagem permaneceu estável
A relação entre dívida líquida e EBITDA ficou em 1,4 vez no primeiro trimestre de 2026, estável em relação ao quarto trimestre de 2025. A geração operacional medida pelo EBITDA compensou o maior desembolso com investimentos.
Esse comportamento ajuda a preservar o balanço da companhia, mesmo em um momento de execução relevante de projetos.
O que o Safra vê para a ação
O Safra manteve recomendação neutra para Capstone Copper (CS). Na visão do banco, o trimestre trouxe um resultado melhor do que o esperado, mas com qualidade mais moderada.
A principal razão é que o desempenho acima das estimativas foi puxado por preços realizados mais favoráveis, enquanto volumes operacionais e custos mostraram sinais menos construtivos. Em outras palavras, a leitura do trimestre foi positiva, mas sem mudar de forma relevante a tese para a ação.
A Capstone Copper começou 2026 com resultado operacional acima do esperado, apoiado pelo preço do cobre. Ainda assim, a combinação de custos mais altos, volumes mistos e geração de caixa abaixo da projeção recomenda cautela.
Por isso, a leitura do Safra segue equilibrada. O trimestre foi melhor, mas os fatores que impulsionaram o desempenho não parecem suficientes, por ora, para justificar uma visão mais otimista sobre a ação.