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BTG Pactual tem lucro acima do esperado, mas resultado é misto

Banco supera projeções no segundo trimestre, impulsionado pelo crédito ao consumidor, enquanto Wealth Management e Investment Banking decepcionam


O BTG Pactual (BPAC11) registrou lucro líquido ajustado de R$ 5,142 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 7% em relação ao trimestre anterior e de 23% na comparação anual.

O resultado superou a estimativa do Banco Safra em aproximadamente 4%. O retorno ajustado sobre o patrimônio líquido ficou em 26,7%.

A surpresa positiva veio principalmente da divisão de crédito ao consumidor, que mais do que compensou o desempenho abaixo do esperado em Wealth Management e Investment Banking.

Receitas crescem 16%

As receitas totais alcançaram R$ 10,4 bilhões, alta de 4% em relação ao primeiro trimestre e de 16% na comparação anual.

O resultado ficou 1% acima da projeção do Safra, sustentado principalmente pelo desempenho da divisão de crédito ao consumidor e pelos avanços em Corporate Lending e Asset Management.

As despesas operacionais ficaram 1% abaixo da estimativa. O crescimento foi de apenas 1% na comparação trimestral.

Com isso, o índice de eficiência melhorou para 37,8%, queda de 0,05 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre e de 0,41 ponto percentual na comparação anual.

Crédito ao consumidor é destaque

A divisão de Consumer Finance & Banking foi o principal destaque do trimestre.

As receitas alcançaram R$ 1,546 bilhão, alta de 37% em relação ao primeiro trimestre e de 74% na comparação anual. O resultado ficou 25% acima da estimativa do Safra.

O crescimento foi sustentado pela expansão do crédito consignado privado, do financiamento de veículos e das atividades de varejo bancário.

A divisão vem ganhando importância na composição dos resultados do BTG Pactual e se consolidando como um dos principais motores de crescimento do banco.

Meu Tudo amplia contribuição

O BTG Pactual passou a reconhecer sua participação proporcional de 48% nas receitas da Meu Tudo.

A inclusão contribuiu para a surpresa positiva de 25% nas receitas de Corporate Lending em relação à estimativa do Safra.

O desempenho da divisão também foi apoiado pela expansão do crédito consignado privado e pelo crescimento do financiamento de veículos.

Investment Banking recua

As receitas de Investment Banking caíram para R$ 421 milhões, queda de 33% na comparação trimestral e de 46% em relação ao segundo trimestre de 2025.

O resultado ficou 7% abaixo da estimativa do Safra.

O desempenho refletiu um ambiente mais fraco para transações no mercado de capitais, especialmente em relação aos níveis elevados de atividade registrados um ano antes.

Wealth Management perde ritmo

As receitas de Wealth Management totalizaram R$ 1,447 bilhão, recuo de 5% em relação ao primeiro trimestre. Na comparação anual, houve crescimento de 17%.

O resultado ficou abaixo da estimativa do Safra.

A queda trimestral ocorreu em um ambiente de mercado mais desafiador, com menor atividade dos clientes e redução do retorno sobre os ativos.

Apesar disso, o volume sob gestão aumentou para R$ 1,31 trilhão, alta de 6% no trimestre e de 28% em um ano. A divisão também registrou captação líquida de R$ 29 bilhões no período.

Crédito corporativo avança

As receitas de Corporate Lending chegaram a R$ 2,5 bilhões, alta de 7% na comparação trimestral e de 19% em um ano.

A carteira corporativa alcançou R$ 262 bilhões, crescimento de 3% no trimestre e de 22% na comparação anual.

A qualidade dos ativos permaneceu saudável, embora a formação de operações classificadas no estágio 3 tenha aumentado para 3%, ante 0,6% no primeiro trimestre.

O índice de operações no estágio 3 avançou moderadamente para 2,3%. Por outro lado, o índice de cobertura melhorou de forma significativa, para 104,5%.

Asset Management mantém crescimento

As receitas de Asset Management somaram R$ 794 milhões, praticamente estáveis em relação ao primeiro trimestre e 27% acima do resultado do segundo trimestre de 2025.

O desempenho ficou em linha com a estimativa do Safra.

Os ativos sob gestão e administração alcançaram R$ 1,36 trilhão, alta de 4% no trimestre e de 26% em um ano. O avanço foi apoiado pela captação líquida positiva.

Operações de mercado ficam estáveis

As receitas de Sales and Trading totalizaram R$ 1,858 bilhão, queda de 1% em relação ao primeiro trimestre e de 3% na comparação anual.

O resultado ficou 2% acima da projeção do Safra.

A alocação de risco permaneceu disciplinada. Os ativos ponderados pelo risco de mercado representaram 22,1% dos ativos ponderados pelo risco totais, em linha com o trimestre anterior e abaixo do nível registrado um ano antes.

Resultado antes de impostos cresce

O resultado antes de impostos alcançou R$ 6,1 bilhões, superando a estimativa do Safra em 3%.

A alíquota efetiva de imposto ficou em 19,5% e contribuiu adicionalmente para o desempenho do trimestre.

O índice de capital principal aumentou para 11,6%, alta de 0,30 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.

BTG mantém diversificação

O BTG Pactual continua ampliando sua base de resultados por meio de novas verticais de negócios.

A expansão do crédito ao consumidor compensou a fraqueza de áreas tradicionais, como Wealth Management e Investment Banking. Ao mesmo tempo, Corporate Lending e Asset Management apresentaram desempenho positivo.

As despesas administrativas, porém, continuam pressionadas pelos investimentos na estratégia de expansão internacional. A menor carga tributária ajudou a reduzir o impacto no resultado, mas a evolução das despesas permanece como um ponto de atenção.

Safra mantém recomendação neutra

O Safra mantém a recomendação neutra para as ações do BTG Pactual.

A análise considera o trimestre sólido e destaca a capacidade do banco de desenvolver e ampliar novas fontes de receita. Essa diversificação, na avaliação do Safra, continua justificando um prêmio de valorização em relação aos pares.

Por outro lado, o momento permanece limitado em Wealth Management e Investment Banking. Além disso, a expansão do crédito ao consumidor exige acompanhamento diante da deterioração gradual dos indicadores de qualidade dos ativos no setor.

No balanço geral, o BTG Pactual segue demonstrando capacidade de compensar a fraqueza dos negócios tradicionais. A avaliação, contudo, permanece neutra para as ações.


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