A Brava Energia (BRAV3) reportou um quarto trimestre de 2025 mais fraco do ponto de vista operacional. O EBITDA ajustado somou R$ 808 milhões, queda de 38% em relação ao trimestre anterior. O número ficou apenas 3% abaixo da estimativa do Safra, refletindo principalmente a combinação de preços do petróleo mais baixos e menor volume de offtakes (contrato de compra garantida).
O desempenho mais fraco ocorreu em um ambiente de Brent cerca de 8% inferior ao do trimestre anterior, além de recuo de 13% nos volumes, impactados por manutenções programadas no Parque das Conchas, ajustes no FPSO Atlanta e paralisações temporárias em ativos do Polo Potiguar. A redução de custos operacionais atenuou parcialmente esses efeitos.
Prejuízo líquido reflete efeitos não recorrentes
A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 588 milhões no trimestre, revertendo o lucro de R$ 121 milhões observado no terceiro trimestre de 2025. O resultado ficou bem abaixo da estimativa do Safra, que apontava prejuízo de R$ 61 milhões.
A diferença decorre, em grande parte, de provisões para perdas de crédito, write-down de estoques e despesas cambiais acima do esperado. Um crédito tributário maior do que o inicialmente previsto compensou parte desses impactos.
Fluxo de caixa livre surpreende positivamente
Apesar do trimestre operacionalmente mais fraco, a Brava Energia apresentou forte geração de caixa. O fluxo de caixa livre, excluindo aquisições e desinvestimentos, alcançou R$ 866 milhões, acima dos R$ 535 milhões registrados no trimestre anterior.
O desempenho reflete, sobretudo, a liberação de capital de giro e menores desembolsos de capex caixa. Esse resultado reforça a capacidade da companhia de atravessar períodos de menor produção sem pressionar sua estrutura financeira.
Upstream recua, downstream mantém margens pressionadas
No segmento de upstream, o EBITDA ajustado foi de R$ 834 milhões, queda relevante em relação aos R$ 1,27 bilhão do terceiro trimestre de 2025. A retração reflete o impacto direto dos menores preços do Brent e da redução de volumes produzidos, parcialmente compensados por custos operacionais mais baixos.
No downstream, o EBITDA ajustado somou R$ 21 milhões, acima da estimativa do Safra. A margem ficou em 2%, abaixo do trimestre anterior, em linha com margens de refino mais fracas. Ainda assim, as vendas de derivados cresceram 8% na comparação trimestral, beneficiadas pela comercialização de estoques formados no período anterior.
Custos sobem com menor produção
O custo operacional médio para extrair cada barril de petróleo ou lifting cost consolidado aumentou 10% no trimestre, para US$ 14,6 por barril de óleo equivalente. A menor diluição de custos, em função da queda de produção, explica o movimento.
Entre os principais ativos, os custos variaram de forma relevante, com destaque para o Parque das Conchas, que apresentou redução expressiva, enquanto ativos como Peroá e Atlanta registraram aumentos mais acentuados na comparação trimestral.
Alavancagem segue controlada
A dívida líquida da Brava Energia permaneceu praticamente estável em R$ 9,1 bilhões ao final do quarto trimestre de 2025. O aumento do endividamento bruto foi compensado por maior posição de caixa e redução de obrigações do portfólio.
A alavancagem encerrou o período em 2,1 vezes o EBITDA, abaixo das 2,2 vezes registradas ao fim do terceiro trimestre. O Safra segue construtivo com a tese de investimento, apoiado na expectativa de normalização da produção em 2026, desalavancagem gradual e potencial de geração de caixa favorecido por preços elevados do Brent no curto prazo.