A Bradesco Saúde (SAUD3) registrou lucro líquido de R$ 1,11 bilhão no segundo trimestre de 2026, avanço de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho foi impulsionado principalmente pela expansão da base de beneficiários e pelo forte crescimento do resultado financeiro, fatores que compensaram uma piora dos indicadores de sinistralidade.
Na avaliação do Banco Safra, os números foram amplamente neutros e ficaram próximos das expectativas do mercado. Parte relevante da melhora operacional já havia sido incorporada às projeções dos investidores antes da divulgação dos resultados.
O retorno sobre o patrimônio líquido médio dos últimos 12 meses atingiu 25,8%, aumento de 4,1 pontos percentuais na comparação anual.
Crescimento da base de clientes impulsiona receitas
A principal alavanca de crescimento da companhia continuou sendo a expansão da carteira de beneficiários.
A Bradesco Saúde adicionou 99 mil beneficiários líquidos no trimestre e acumulou um recorde de 301 mil novas vidas nos últimos 12 meses. Com isso, a carteira alcançou 4,075 milhões de beneficiários, crescimento de 8% em relação ao mesmo período de 2025.
As adições líquidas foram distribuídas entre os segmentos corporativo, pequenas e médias empresas e planos administrados, reforçando a capacidade da companhia de ampliar sua presença em diferentes perfis de clientes.
Como resultado, os prêmios ganhos da operação de saúde somaram R$ 13,132 bilhões, alta de 12% na comparação anual. O lucro líquido desse segmento atingiu R$ 923 milhões, avanço de 37%.
Resultado financeiro ganha destaque
Além do crescimento operacional, o resultado financeiro foi um dos principais destaques do trimestre.
A linha alcançou R$ 930 milhões, alta de 29% em relação ao segundo trimestre de 2025. O desempenho superou com folga o crescimento dos ativos financeiros da companhia, que avançaram 9% no período.
Outras despesas operacionais também contribuíram para o resultado. Os gastos recuaram 18% na comparação anual, totalizando R$ 433 milhões. Ao mesmo tempo, a alíquota efetiva de imposto ficou menor do que a registrada um ano antes.
A combinação desses fatores ajudou a sustentar a expansão do lucro consolidado.
Custos assistenciais exigem atenção
Apesar dos indicadores positivos, a evolução dos custos médicos continua sendo um ponto de atenção para os próximos trimestres.
Os sinistros retidos cresceram 14% em relação ao mesmo período do ano anterior, ritmo superior ao avanço das receitas. Com isso, o índice de sinistralidade da operação de saúde atingiu 86,2%, aumento de 1,5 ponto percentual na comparação anual.
Na visão do Safra, esse indicador merece monitoramento ao longo do segundo semestre de 2026, embora os números acumulados no primeiro semestre permaneçam relativamente estáveis.
Outro tema observado pelos investidores é a evolução do tíquete médio. Excluindo os planos administrados, o valor avançou apenas 2% em relação ao ano anterior.
Segundo a análise do Safra, esse dado pode não refletir integralmente os reajustes praticados, já que a companhia não divulga o indicador detalhado por tipo de contrato e parte relevante do crescimento ocorreu no segmento de pequenas e médias empresas.
Odontoprev reduz lucro após normalização operacional
A Odontoprev (ODPV3), controlada pela Bradesco Saúde, apresentou crescimento de receitas, mas registrou lucro menor no trimestre.
A receita líquida alcançou R$ 635 milhões, alta de 6% em relação ao segundo trimestre de 2025. A carteira cresceu em 130 mil vidas no período.
Por outro lado, o lucro líquido recuou 21%, para R$ 116 milhões. A sinistralidade odontológica subiu para 37,5%, após um nível excepcionalmente baixo registrado no trimestre anterior.
Na avaliação do Safra, a queda do lucro parece estar mais relacionada ao aumento de despesas administrativas e provisões do que à evolução dos custos assistenciais.
Atlântica Hospitais amplia participação nos resultados
A Atlântica Hospitais manteve a trajetória de crescimento e ganhou relevância dentro da estrutura da companhia.
O lucro líquido da operação atingiu R$ 64 milhões no trimestre, avanço de 312% na comparação anual. Nos últimos 12 meses, o resultado acumulado chegou a R$ 104 milhões.
Com isso, a participação da Atlântica no lucro consolidado aumentou para 6%, ante 2% registrados no mesmo período do ano anterior.
O avanço compensou parcialmente a menor contribuição das operações de diagnósticos e healthtechs, que apresentaram resultados mais modestos no trimestre.
O que esperar das ações da Bradesco Saúde
Os resultados da Bradesco Saúde reforçam a consistência da estratégia de crescimento da companhia, especialmente na expansão da base de clientes e na geração de receitas recorrentes.
Ao mesmo tempo, a evolução da sinistralidade e do tíquete médio continuará no radar dos investidores ao longo dos próximos trimestres.
Na visão do Safra, o desempenho operacional segue sólido, mas boa parte das notícias positivas já era esperada pelo mercado. A recomendação e o preço-alvo para as ações da Bradesco Saúde permanecem em revisão.