O Bradesco (BBDC4) reportou lucro líquido ajustado de R$ 7,05 bilhões no segundo trimestre de 2026, resultado 1,1% acima da estimativa do Banco Safra. O retorno sobre o patrimônio líquido alcançou 16,2%.
O desempenho foi favorecido principalmente pelas receitas financeiras ligadas às operações de mercado e por despesas menores em outras linhas do resultado. Embora tenham contribuído para o lucro, esses fatores costumam ser considerados menos recorrentes pelos investidores.
Por trás dos números, o banco apresentou uma evolução consistente da margem financeira com clientes, sustentando um resultado operacional sólido antes das provisões.
Receita cresce com apoio do mercado de capitais
A margem financeira total avançou 5% em relação ao primeiro trimestre. As receitas oriundas das operações de mercado tiveram recuperação relevante e alcançaram R$ 673 milhões.
A área de mercado de capitais também se destacou. O Bradesco informou que ocupou a liderança em operações de estruturação e distribuição de dívida em junho, fortalecendo sua atuação junto a empresas.
As receitas com tarifas mostraram crescimento em diversas frentes. Custódia e corretagem registraram forte expansão, enquanto o segmento de consórcios também contribuiu positivamente. Já a receita de cartões permaneceu praticamente estável.
Por outro lado, o desempenho da operação de seguros ficou abaixo das expectativas do mercado.
Capital apresenta avanço relevante
Um dos principais destaques positivos do trimestre foi a evolução dos índices de capital.
O índice principal de capital do banco avançou para 11,3%, alta de 115 pontos-base em relação ao trimestre anterior. O índice de Basileia alcançou 15,5%.
A melhora decorreu principalmente da operação envolvendo a Bradsaúde, que gerou benefícios relacionados a créditos tributários já realizados.
Além disso, o banco espera uma elevação adicional dos índices de capital, dependendo da aprovação regulatória de ajustes de avaliação por órgãos supervisores do setor financeiro e de seguros.
Qualidade do crédito piora
Apesar dos avanços em rentabilidade e capitalização, a qualidade dos ativos se deteriorou durante o trimestre.
As provisões para perdas com crédito cresceram para R$ 10,9 bilhões e ficaram acima das projeções do mercado. Como consequência, o custo do risco também apresentou aumento.
O banco registrou crescimento da formação de operações problemáticas e observou piora nos indicadores de atraso mais recentes. O índice de inadimplência acima de 90 dias avançou para 4,3%.
Segundo a administração, parte desse movimento está associada a operações do agronegócio oriundas da aquisição do Banco John Deere, além de fatores sazonais que costumam afetar o segundo e o terceiro trimestres do ano.
Também contribuíram para a deterioração alguns financiamentos garantidos por programas públicos e um caso específico envolvendo um cliente corporativo.
Carteira de crédito mantém expansão
Mesmo em um ambiente mais desafiador, a carteira de crédito continuou crescendo.
O volume total de empréstimos alcançou R$ 1,137 trilhão, avanço de 11,6% em relação ao mesmo período de 2025.
O crédito para pessoas físicas apresentou crescimento moderado, enquanto a carteira corporativa avançou de forma mais robusta. O movimento foi impulsionado tanto pelas grandes empresas quanto pelas pequenas e médias companhias.
A expansão mostra que o banco segue capturando oportunidades de negócios, embora a deterioração dos indicadores de qualidade exija maior disciplina na concessão de crédito.
O que esperar do Bradesco
Na avaliação do Banco Safra, o balanço do Bradesco apresentou sinais positivos e negativos em proporções semelhantes.
De um lado, o Bradesco entregou lucro acima do esperado, fortaleceu sua posição de capital e manteve crescimento da carteira de crédito. De outro, a piora da qualidade dos ativos e o aumento das provisões indicam um ambiente mais complexo para a atividade bancária.
Além disso, boa parte dos fatores positivos já era conhecida pelo mercado antes da divulgação dos resultados, o que reduz o potencial de surpresa favorável para as ações.
Ainda assim, o Safra mantém recomendação de compra para o Bradesco. A avaliação considera as iniciativas recentes para fortalecer o patrimônio tangível, a capacidade de geração de resultados e o potencial de captura de valor quando o ciclo de crédito voltar a apresentar condições mais favoráveis.