O Banco Safra reduziu o preço-alvo da Blau Farmacêutica (BLAU3) de R$ 15,00 para R$ 10,50 por ação, mantendo recomendação neutra para a ação.
A revisão considera os resultados mais recentes, novas premissas para a economia brasileira, aumento dos investimentos previstos para os próximos anos e a bonificação de ações realizada pela empresa.
Segundo o banco, a combinação entre maior necessidade de capital para expansão e o aumento do número de ações em circulação foi o principal fator por trás da redução do valor justo estimado.
O que mudou nas projeções
A Blau realizou uma bonificação de 30% em ações por meio da capitalização de R$ 400 milhões em reservas de lucro, ampliando a quantidade de papéis disponíveis no mercado.
Além disso, o Safra passou a considerar investimentos mais elevados em 2027 e 2028 para financiar novos projetos e a expansão da capacidade produtiva.
O cenário macroeconômico também foi revisado. As novas projeções contemplam crescimento econômico mais moderado e taxas de juros mais elevadas nos próximos anos, fatores que tendem a aumentar as despesas financeiras e reduzir o valor presente dos fluxos de caixa futuros.
Expansão da capacidade continua no radar
Apesar da revisão do preço-alvo, o banco destaca que a tese operacional da companhia permanece preservada.
A expectativa é que a capacidade produtiva da Blau cresça aproximadamente 70% até 2028, ampliando o potencial de expansão das vendas nos próximos anos.
As projeções de receita permanecem praticamente inalteradas porque as limitações atuais de capacidade já estavam incorporadas ao cenário anterior.
A expansão produtiva deve permitir aceleração gradual do crescimento a partir do segundo semestre de 2026.
Margens devem ser beneficiadas pelo câmbio
O Safra adotou uma visão mais favorável para a margem bruta da companhia.
A expectativa é que a combinação entre um ambiente cambial mais benigno e um mix de vendas mais rentável contribua para ganhos de eficiência operacional.
Por outro lado, o banco reduziu a projeção de EBITDA para 2026 após o desempenho abaixo do esperado no primeiro trimestre.
As estimativas para os anos seguintes foram mantidas praticamente estáveis, uma vez que os ganhos na margem bruta tendem a ser compensados por maiores despesas operacionais.
Lucro deve crescer, mas juros seguem como desafio
As projeções de lucro líquido foram revisadas para baixo.
Para 2026, a redução reflete tanto o desempenho operacional mais fraco quanto a expectativa de juros mais elevados.
Já para 2027 e 2028, o principal impacto vem do aumento das despesas financeiras decorrentes do novo cenário de taxas de juros.
Ainda assim, o Safra projeta crescimento gradual dos resultados nos próximos anos, sustentado pela expansão da capacidade produtiva e pela melhora do ambiente de custos.
O que esperar do segundo trimestre
Para os resultados do segundo trimestre de 2026, a expectativa é de crescimento de 6% na receita líquida em relação ao mesmo período do ano anterior.
O lucro bruto deve avançar 12%, beneficiado pela redução dos custos das matérias-primas em função do câmbio mais favorável.
Por outro lado, a margem operacional deve permanecer pressionada pelo aumento das despesas.
O lucro líquido, segundo as estimativas do Safra, deve crescer cerca de 7%, apoiado por um resultado financeiro mais favorável relacionado às operações de proteção cambial.
Por que o Safra mantém recomendação neutra
Mesmo após a queda recente das ações, o Safra avalia que o nível atual de valuation já reflete boa parte dos desafios enfrentados pela companhia.
A Blau negocia atualmente a aproximadamente oito vezes o lucro estimado para 2026, patamar próximo de sua média histórica.
Além disso, o múltiplo implícito no novo preço-alvo permanece alinhado ao cenário atual do setor de saúde, que passou por uma reavaliação negativa ao longo dos últimos meses.
Perspectivas
A Blau continua apresentando perspectivas de crescimento apoiadas na expansão de capacidade e na evolução do portfólio de produtos.
No entanto, o ambiente de juros elevados, o aumento dos investimentos necessários para sustentar essa expansão e a menor liquidez das ações limitam o potencial de valorização no curto prazo.
Por isso, o Safra entende que o equilíbrio entre riscos e oportunidades justifica a manutenção da recomendação neutra para os papéis da companhia.