A Blau Farmacêutica (BLAU3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com desempenho operacional abaixo do esperado. A receita líquida somou R$ 389 milhões, queda de 15% na comparação anual e cerca de 3% abaixo das estimativas do Safra.
O resultado reflete, principalmente, restrições de capacidade em produtos voltados ao mercado institucional e o adiamento de vendas associadas a processos de licitação no segmento público.
Além disso, a companhia voltou a reportar receita zero na divisão Hemarus, frente a R$ 13 milhões registrados no mesmo período de 2024, o que também contribuiu para a retração do faturamento consolidado.
Rentabilidade e resultado operacional
O lucro bruto totalizou R$ 153 milhões, recuo de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior e 16% abaixo da estimativa do Safra.
A margem bruta atingiu 39,3%, queda de 65 pontos-base na base anual e abaixo do projetado pelo banco, impactada pelo menor volume de vendas e pelo adiamento de contratos no setor público.
A pressão sobre a rentabilidade ficou mais evidente no resultado operacional. A margem operacional caiu de forma relevante na comparação anual e ficou abaixo das projeções, já que a queda da receita reduziu a diluição das despesas. Como consequência, o desempenho operacional recuou 41% em relação ao quarto trimestre de 2024 e ficou 14% abaixo do esperado.
Lucro cai e consumo de caixa aumenta
O lucro líquido ajustado alcançou R$ 36 milhões, queda de 37% na comparação anual e abaixo da estimativa do Safra. O resultado reflete o desempenho operacional mais fraco observado no período.
Em 2025, a Blau consumiu cerca de R$ 170 milhões em caixa, quando excluídos os efeitos da venda da participação na Prothya e o pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio.
No recorte trimestral, desconsiderando a operação com a Prothya, o fluxo de caixa operacional após investimentos foi negativo em R$ 27 milhões, ante geração de R$ 90 milhões no mesmo período do ano anterior.
O movimento decorre de investimentos mais elevados e de uma dinâmica de capital de giro menos favorável.
Posição de caixa segue como ponto positivo
Apesar do consumo de caixa operacional, a companhia encerrou o período com posição de caixa líquido de R$ 53 milhões, frente a uma posição de dívida líquida de R$ 24 milhões um ano antes.
Nos últimos doze meses, a geração de caixa somou R$ 77 milhões, explicada principalmente pela venda da participação na Prothya, que trouxe R$ 331 milhões para o caixa.
Sem esse efeito extraordinário, o Safra avalia que a geração operacional teria sido negativa, o que reforça a leitura de um período mais desafiador do ponto de vista operacional.
Resultados da Blau (BLAU3)
Na avaliação dos especialistas do Banco Safra, os números do fim de 2025 reforçam um cenário de curto prazo mais desafiador para a Blau Farmacêutica.
A combinação de desempenho operacional mais fraco e ausência de catalisadores relevantes no horizonte próximo sustenta a manutenção da recomendação neutra para a ação, apesar da posição ainda confortável de caixa.