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ANÁLISE

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WEG se destaca no setor de bens de capital

WEG mostra sinal positivo em maio, enquanto Embraer, Marcopolo, Randoncorp e Iochpe-Maxion têm leitura mista ou negativa.


WEG mostra resiliência

A WEG (WEGE3) apresentou a leitura mais construtiva no acompanhamento mensal do Safra para o setor de bens de capital em maio. A revisão para os investimentos domésticos foi ligeiramente negativa em 2026 e 2027, mas o quadro geral segue favorável.

As projeções indicam queda marginal de 0,8% no mês para 2026 e de 1,2% para 2027. Ainda assim, a expectativa continua a apontar crescimento de 5% na comparação anual nos dois períodos. Isso sugere que, apesar de ajustes pontuais, a tendência de expansão permanece de pé.

No mercado internacional, o ambiente seguiu estável. O segmento de óleo e gás sustentou parte desse cenário, enquanto metais e mineração sofreram leve revisão para baixo. Mesmo assim, a expectativa ainda indica avanço de 2% em 2026, enquanto 2027 permanece estável.

Outro dado reforçou essa percepção. O indicador de investimentos industriais do Federal Reserve de Richmond alcançou em maio o maior nível desde 2024. Para o Safra, esse movimento pode sinalizar um ambiente mais favorável para a indústria nos Estados Unidos.

Embraer com entregas melhores e tráfego mais fraco

A Embraer (EMBR3) teve uma leitura mista em maio. De um lado, os dados preliminares de entregas comerciais mostraram desempenho melhor que o registrado no mesmo mês do ano passado. De outro, os números de tráfego aéreo global perderam força em abril.

Segundo os dados acompanhados pelo Safra, a Embraer entregou cinco aeronaves comerciais em maio. O volume ficou em linha com a média histórica do mês e acima das duas aeronaves entregues em maio de 2025.

O ponto menos favorável veio da composição dessas entregas. O modelo E1 respondeu por 40% do total, abaixo dos 50% registrados um ano antes. Essa mudança reduz a qualidade do mix de produtos.

Além disso, o tráfego aéreo global medido por passageiros por quilômetro recuou 3,4% na comparação anual em abril. Foi a primeira contração desde a recuperação após a pandemia. O movimento ocorreu em meio a disrupções operacionais ligadas à guerra no Irã.

Nos mercados regionais, o quadro também foi desigual. O tráfego doméstico nos Estados Unidos caiu 0,6%, enquanto o mercado brasileiro cresceu 2,6%. Já o Oriente Médio sofreu a queda mais intensa, de 47%.

Marcopolo perde espaço para o transporte aéreo

A Marcopolo (POMO4) registrou números levemente negativos. O transporte rodoviário interestadual perdeu participação de mercado em abril, mesmo com aumento de receita e com uma alta mais contida nas tarifas em relação ao transporte aéreo.

As vendas de passagens interestaduais caíram 3,5% na comparação anual. Ao mesmo tempo, a receita subiu 1,4%, apoiada por tarifas médias 5% maiores. Ainda assim, o avanço das passagens aéreas, de 2% no período, reduziu a participação do transporte rodoviário de 22% para 21%.

Esse movimento chama atenção porque a inflação mostrou alta muito mais forte nas tarifas aéreas do que nas rodoviárias. A explicação, segundo o Safra, pode estar na dinâmica mensal. Em abril, as tarifas aéreas caíram 14% em relação a março, enquanto as rodoviárias subiram 1%.

Para o banco, o repasse do aumento de custos no setor aéreo ainda parece incompleto. Isso pode refletir medidas do governo e compressão de rentabilidade pelas companhias aéreas. À frente, um repasse maior desses custos pode favorecer a recuperação de participação do transporte rodoviário e, por consequência, beneficiar a Marcopolo.

Randoncorp segue pressionada

A Randoncorp (RAPT4) teve a leitura mais negativa entre os nomes acompanhados. O desempenho de implementos rodoviários pesados continuou fraco em abril, com pressão adicional no segmento de tanques rodoviários.

Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários mostraram queda de 7% nas vendas de implementos pesados, para 5.535 unidades. Na cesta de implementos agrícolas da Randoncorp, a retração foi menor, de 5%, o que indica desaceleração mais moderada.

Ainda assim, o segmento de tanques rodoviários continuou pressionado. As vendas caíram 31% na comparação anual e acumulam recuo de 43% no ano. Houve uma exceção positiva nos tanques de aço inox, com crescimento de 32%, mas isso não foi suficiente para mudar o tom geral.

A perspectiva para os próximos meses é um pouco melhor. A associação do setor espera recuperação com o início da segunda fase do programa Move Brasil, que deve reduzir taxas e alongar prazos de financiamento. Se essa melhora se confirmar, a demanda pode reagir.

Iochpe-Maxion encontra sinais opostos

A Iochpe-Maxion (MYPK3) atravessa um ambiente misto, com sinais positivos em veículos leves no Brasil e na Europa, mas fraqueza em veículos pesados e no mercado norte-americano.

No mercado doméstico, a produção de veículos leves cresceu 6% na comparação anual. Em contrapartida, os veículos pesados recuaram 8,5%, pressionados pela queda de 12% na produção de caminhões.

Fora do Brasil, a dinâmica também ficou dividida. Na Europa, os licenciamentos de veículos leves avançaram 7% em abril e acumulam alta de 5% no ano. Já nos Estados Unidos, as vendas de veículos leves caíram 7%, enquanto as de caminhões pesados recuaram 15%.

Para a Iochpe-Maxion, esse quadro limita uma leitura mais positiva no curto prazo. O mercado segue sem uma direção única, o que torna a evolução dos próximos meses ainda mais dependente do comportamento regional da demanda.

Custos sobem e pressionam o setor

Além dos sinais operacionais mistos, maio trouxe uma pressão adicional para as empresas do setor: o avanço dos insumos e dos fretes.

Os preços do cobre subiram 41,5% na comparação anual e 5% no mês. O alumínio avançou 50% em um ano e 2% em maio. O diesel também seguiu em alta, com elevação de 61% em doze meses e de 1% na margem.

O aço plano subiu 5% na comparação anual e 4% no mês. O vergalhão também ficou mais caro, com alta de 9% em um ano. Ao mesmo tempo, os fretes logísticos de contêineres avançaram 13% em relação ao mesmo período do ano passado e 10% ante abril.

Esse cenário tende a pesar sobre margens e rentabilidade. Por isso, mesmo nos casos em que a demanda mostra alguma resiliência, o custo mais alto continua como um ponto de atenção relevante para o setor.

Análise dos especialistas

O retrato de maio para bens de capital foi heterogêneo. A WEG apareceu como o principal destaque positivo, apoiada por expectativas ainda favoráveis para investimentos e por um ambiente externo relativamente estável.

A Embraer mostrou melhora nas entregas, mas enfrentou um pano de fundo menos favorável no tráfego aéreo. A Marcopolo sentiu a perda de participação para o transporte aéreo, embora ainda exista espaço para recuperação à frente. A Randoncorp continuou sob pressão, enquanto a Iochpe-Maxion seguiu exposta a sinais divergentes entre regiões e segmentos.

Em comum, todas enfrentam um fator adicional de cautela: a alta dos custos de matérias-primas, combustíveis e logística. Em um setor sensível ao ciclo econômico, esse componente pode definir boa parte do desempenho nos próximos meses.


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