O setor de bens de capital deve enfrentar uma temporada de resultados mais fraca no segundo trimestre de 2026. A avaliação do Safra indica pressão sobre receitas, margens e volumes em parte relevante das companhias cobertas pelo banco.
Ainda assim, algumas empresas devem se destacar positivamente. Embraer (EMBR3), Frasle (FRAS3) e Armac (ARML3) tendem a apresentar melhora operacional e avanço de rentabilidade em relação aos trimestres anteriores.
Por outro lado, WEG (WEGE3), Marcopolo (POMO4) e GPS (GGPS3) devem reportar números mais pressionados, refletindo desaceleração operacional, custos mais elevados e desafios específicos em determinados segmentos.
Embraer deve liderar resultados positivos
A Embraer deve apresentar um dos melhores desempenhos do setor no segundo trimestre. O Safra espera crescimento apoiado pelo forte volume de entregas e pela melhora do mix de produtos.
A expectativa é de avanço das margens na comparação trimestral. Ainda assim, a comparação anual segue impactada pelos efeitos das tarifas dos Estados Unidos sobre estoques.
O banco avalia, porém, que novos impactos tarifários não devem afetar os próximos trimestres de forma relevante. Com isso, as margens podem superar o teto das projeções divulgadas pela companhia para 2026.
Frasle e Armac devem mostrar melhora operacional
A Frasle deve registrar um trimestre mais forte, impulsionada pela normalização dos volumes domésticos, principalmente na operação da Nakata.
Além disso, medidas de eficiência e captura de sinergias da aquisição da Dacomsa devem sustentar níveis robustos de rentabilidade.
A Armac também deve apresentar melhora operacional, especialmente no segmento de locação de equipamentos, que segue como principal vetor de crescimento da companhia.
Mills deve ter trimestre neutro
O Safra projeta resultados neutros para a Mills (MILS3). A empresa deve continuar beneficiada pela melhora da taxa de utilização no segmento de plataformas elevatórias.
O segmento de formas e escoramentos também deve manter bom desempenho operacional.
Por outro lado, a integração da Next Rental pode pressionar levemente as margens. O banco estima retração de 46 pontos-base na comparação anual.
Iochpe-Maxion e Randon devem enfrentar pressão
A expectativa para Iochpe-Maxion (MYPK3) e Randoncorp (RAPT4) é de resultados levemente negativos.
No caso da Randoncorp, o Safra vê melhora operacional. Ainda assim, o lucro líquido deve continuar pressionado pelos efeitos das operações da Addiante e pela descontinuação da Delta.
Com isso, a companhia pode reportar prejuízo líquido no trimestre.
Já a Iochpe-Maxion, deve continuar enfrentando receitas mais fracas diante da desaceleração dos mercados de veículos pesados no Brasil e nos Estados Unidos.
Além disso, menores volumes e custos mais elevados de matérias-primas tendem a pressionar a rentabilidade da fabricante.
WEG, Marcopolo e GPS devem ter trimestre mais fraco
A WEG deve reportar mais um trimestre desafiador. O Safra projeta queda anual de 2% na receita, refletindo principalmente a ausência das receitas do negócio solar e restrições de capacidade no segmento de transmissão e distribuição de energia.
Mesmo com um mix de vendas mais favorável, a companhia deve enfrentar pressão sobre margens devido ao aumento de custos com contratações, treinamentos e matérias-primas.
A Marcopolo também deve apresentar números mais fracos. O desempenho das operações internacionais tende a limitar os resultados, apesar das entregas robustas ligadas aos programas Caminho da Escola e Ministério da Saúde.
Segundo o Safra, o mix menos favorável deve pressionar a rentabilidade. A projeção aponta queda de 21% no lucro líquido em relação ao mesmo período do ano anterior.
Já a GPS deve enfrentar desaceleração do crescimento orgânico, estimado em 6% na comparação anual.
O banco destaca menor nível de atividade, aumento do churn na GRSA e custos relacionados à implementação de novos contratos como fatores de pressão sobre os resultados.
Além disso, despesas trabalhistas e jurídicas mais elevadas devem limitar o avanço das margens no trimestre.