close

Abra sua conta


ANÁLISE

logo safra

IBOV

-

Setor de bens de capital mostra cenário misto em junho

Safra vê cenário misto para empresas de bens de capital, com pressão sobre margens, desaceleração industrial e custos elevados


O setor de bens de capital apresentou sinais divergentes em junho, com desaceleração em segmentos industriais e pressão sobre custos de produção. Enquanto a WEG (WEGE3) manteve perspectivas mais resilientes para investimentos industriais, empresas ligadas ao transporte e à cadeia automotiva enfrentaram indicadores mais fracos.

O Safra avalia que o ambiente segue desafiador diante da redução no ritmo de investimentos globais, da pressão sobre margens e do aumento dos custos de insumos e logística.

WEG mantém cenário mais resiliente

O Safra manteve uma leitura mista para a WEG, apesar da leve redução nas projeções de investimentos industriais.

As estimativas do banco apontam queda de 0,9% no capex doméstico para 2026 e de 0,1% para 2027 na comparação mensal. Ainda assim, o cenário segue positivo na base anual, com expectativa de crescimento de 5% em 2026 e de 4% em 2027.

No mercado internacional, o quadro mostrou maior deterioração. As projeções indicam recuo de 0,4% nos investimentos globais em 2026 e de 1% em 2027.

O setor de papel e celulose liderou o movimento negativo, seguido pela revisão mais fraca para metais e mineração.

Por outro lado, o indicador de investimentos industriais do Fed de Richmond avançou para o maior nível desde 2023, sustentando perspectivas mais favoráveis para a atividade industrial nos Estados Unidos.

Embraer registra desaceleração nas entregas

O Safra avaliou como negativo o desempenho recente da Embraer (EMBR3).

Dados preliminares da Planespotters indicam entrega de nove aeronaves comerciais em junho, queda de 18% na comparação anual. No acumulado do segundo trimestre de 2026, as entregas somaram 16 unidades, recuo de 11%.

Apesar do menor volume, o mix de produtos apresentou melhora. As aeronaves da família E1 representaram participação menor nas entregas, enquanto houve redução da exposição a clientes de menor margem.

Ainda assim, o ritmo mais lento de entregas elevou a preocupação sobre o cumprimento do guidance anual da fabricante.

Marcopolo sofre com perda de demanda rodoviária

A Marcopolo (POMO4) enfrentou um cenário mais fraco no transporte rodoviário interestadual.

As vendas de passagens de ônibus caíram 14% em maio na comparação anual, enquanto a receita recuou 6%. O Safra atribui parte desse movimento ao aumento das tarifas médias.

Ao mesmo tempo, o transporte aéreo mostrou maior resiliência, mesmo com tarifas mais elevadas. As passagens aéreas cresceram 1% no período, reduzindo a participação do transporte rodoviário nas viagens de longa distância.

Segundo o banco, medidas do governo para aliviar os custos de combustível ajudaram a sustentar a demanda do setor aéreo.

Randoncorp enfrenta pressão no mercado de implementos

A Randoncorp (RAPT4) também apresentou indicadores negativos.

Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários mostraram queda de 13% nas vendas de implementos pesados em junho.

Os segmentos ligados ao agronegócio e aos tanques rodoviários permaneceram pressionados, refletindo demanda mais fraca e margens comprimidas.

Além disso, a Anfir revisou para baixo sua expectativa para o setor em 2026. A associação agora projeta vendas de cerca de 65 mil unidades de implementos pesados, abaixo da estimativa anterior de 70 mil.

Iochpe-Maxion tem desempenho desigual

A leitura para a Iochpe-Maxion (MYPK3) permaneceu mista.

No Brasil, a produção de veículos leves avançou 17% na comparação anual, favorecendo parte da operação da companhia. Por outro lado, os veículos pesados continuaram em retração, com queda de 12%.

Nos mercados internacionais, o cenário foi mais positivo. A Europa registrou aumento nas vendas de automóveis, enquanto o mercado norte-americano apresentou estabilidade nos veículos leves.

Ainda assim, a fraqueza no segmento de caminhões seguiu pressionando parte relevante da demanda global.

Alta dos insumos pressiona margens do setor

O Safra destaca que os preços das matérias-primas continuaram elevados em junho, aumentando a pressão sobre as empresas do setor.

Os preços do cobre, alumínio, aço e diesel registraram forte alta na comparação anual. Além disso, os custos de frete marítimo via contêiner também aceleraram no período.

Segundo o banco, esse cenário tende a limitar a recuperação de margens das companhias de bens de capital nos próximos trimestres.


Abra sua conta