O Banco Safra iniciou a cobertura de Bemobi (BMOB3) com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 35 para os próximos 12 meses. A estimativa implica potencial de retorno total de 36,5% para o investidor.
A tese combina crescimento, avanço de rentabilidade e geração de caixa. A Bemobi oferece uma plataforma de software e pagamentos para empresas que prestam serviços essenciais. A companhia ajuda esses clientes a cobrar contas recorrentes por Pix, cartões e carteiras digitais.
O banco avalia que a empresa ocupa uma posição favorável em um mercado amplo e pouco digitalizado. Além disso, a plataforma reduz custos e melhora a eficiência de cobrança para os clientes. Esse diferencial tende a sustentar a expansão da base e a maior participação da Bemobi nas operações já contratadas.
Mercado ainda pouco digitalizado
As contas de serviços essenciais permanecem entre os segmentos menos digitalizados do mercado brasileiro de pagamentos. Contas de água, energia, gás e mensalidades escolares ainda dependem, em grande parte, de boleto bancário e débito automático.
Nesse cenário, as empresas emissoras das contas enfrentam limitações tecnológicas. Muitas não têm estrutura própria para integrar diferentes meios de pagamento e administrar a cobrança digital. A Bemobi atua justamente nessa lacuna, ao conectar suas soluções aos sistemas já usados pelos clientes.
O Safra estima que o mercado total potencial para a companhia alcance cerca de R$ 1 trilhão. Já o mercado que a empresa pode atender atualmente soma aproximadamente R$ 42 bilhões. O volume anual de pagamentos processados pela Bemobi está próximo de R$ 13 bilhões. Portanto, a companhia captura apenas cerca de um terço do espaço já acessível.
A principal avenida de crescimento no curto prazo deve vir da própria carteira de clientes. A Bemobi já atende 15 dos 20 maiores prestadores de serviços essenciais do país. O Safra projeta que o volume de pagamentos processados avance de R$ 15,6 bilhões em 2026 para R$ 34 bilhões em 2030.
Ganho de eficiência para os clientes
A proposta da Bemobi se apoia em ganhos mensuráveis para as empresas que contratam sua plataforma. Segundo a análise do Safra, a solução pode elevar a conversão das cobranças em cerca de 30%, reduzir os custos das transações em 35% e diminuir a inadimplência em até 40%.
Além disso, a tarifa cobrada pela companhia tende a ser menor que o custo dos modelos tradicionais de arrecadação. Em uma conta típica, o valor pago à Bemobi fica abaixo do custo que o emissor já assume para receber via boleto bancário.
Esse modelo favorece a adoção da plataforma. A cada nova implementação bem-sucedida, a companhia ganha uma referência comercial relevante dentro do mesmo segmento. Ao mesmo tempo, a integração tecnológica e a operação recorrente elevam os custos de troca para os clientes.
Até agora, a Bemobi não registrou perda de contas em seu negócio de pagamentos, segundo a análise do Safra.
Caixa e dividendos
A estrutura operacional da Bemobi também reforça a tese de investimento. O negócio demanda baixo volume de investimentos para crescer. O Safra estima que os investimentos representem cerca de 6% da receita.
Com isso, a geração de caixa após os investimentos supera 80% do lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Essa característica abre espaço para a remuneração dos acionistas.
A projeção do Safra indica retorno em dividendos superior a 9%. O banco vê esse fator como um diferencial para a companhia, especialmente diante da combinação entre crescimento da receita, expansão de margens e posição líquida de caixa.
Ação negocia com desconto
Na avaliação do Safra, a ação da Bemobi negocia com desconto em relação a empresas globais comparáveis do setor de pagamentos.
Pelas estimativas do banco, a companhia é negociada a 5,7 vezes o valor da empresa em relação ao lucro operacional projetado para 2027. Trata-se do menor patamar entre os pares selecionados, mesmo com expectativa de crescimento de receita de 17%, margem operacional de 34,4%, posição líquida de caixa e retorno em dividendos de 9%.
O Safra também avaliou separadamente as áreas de pagamentos, assinaturas e microfinanças. Nessa análise, o valor atual de mercado implica uma avaliação de 6,3 vezes o lucro operacional de 2027 para a unidade de pagamentos. O número fica abaixo de referências como Fiserv, Global Payments, Flywire e Paymentus.
A avaliação por soma das partes aponta para R$ 36 por ação em um cenário alinhado à Flywire. Já uma referência próxima a empresas brasileiras de software levaria o valor a R$ 45 por ação. Assim, o Safra enxerga potencial de valorização em diferentes metodologias.
Riscos no radar
A análise considera riscos que podem afetar a tese para Bemobi. Entre eles, estão uma eventual pressão sobre as tarifas com o avanço do Pix, a concentração de clientes e um ritmo mais lento de expansão nas contas já contratadas.
Também entram no radar a possibilidade de bancos oferecerem soluções de Pix Automático diretamente aos emissores, uma atividade econômica mais fraca e a baixa liquidez das ações.
Por fim, o avanço da inteligência artificial pode reduzir o custo de desenvolvimento interno das empresas. Ainda assim, o Safra avalia que a Bemobi mantém vantagens relevantes por sua integração tecnológica, escala operacional e histórico de retenção de clientes.