Os resultados do Bradesco (BBDC4) referentes ao segundo trimestre reforçaram a visão do Banco Safra de que o momento positivo para o Bradesco não deve se reverter no curto prazo, com o banco conseguindo manter números sólidos de NII (margem financeira) e tendências decentes de qualidade de ativos.
Além disso, o forte desempenho do segmento de seguros e a contribuição das receitas de tarifas permitiram ao banco continuar expandindo o lucro antes dos impostos (EBT), apesar do aumento das provisões e das despesas operacionais no trimestre.
Sobre os resultados do quarto trimestre de 2024, o Safra considera a projeção inicialmente fornecida para 2025 como “um patamar difícil de alcançar”.
Com metade do ano concluída, a administração está demonstrando uma execução precisa, o que não apenas aumenta a confiança do mercado na tendência de lucros de curto prazo do banco, mas também eleva a projeção para um novo patamar, implicando um lucro líquido de R$ 23 bilhões no ponto médio, claramente mirando o limite superior de R$ 25,5 bilhões.
O Safra reitera a recomendação de compra de Bradesco (BBDC4)
O Bradesco reportou lucro líquido de R$ 6.067 milhões no segundo trimestre (ROE de 14,6%), em linha com a estimativa do Safra:
- O NII cresceu 5% em relação ao trimestre anterior (4% acima das projeções), refletindo principalmente um NII de mercado ainda positivo de R$ 288 milhões e um NII de clientes 3% acima do esperado, ainda beneficiado por spreads maiores;
- As provisões líquidas cresceram 7% no trimestre, totalizando R$ 8.142 milhões, com o custo de risco subindo 18 pontos-base para 3,2%, cobrindo 104% da formação de inadimplência de estágio 3 (e 101% da formação de NPL);
- O NII ajustado ao risco cresceu 3% no trimestre, ficando 4% acima da estimativa do Safra; As receitas com tarifas cresceram 11% em relação ao ano anterior (ou 5% excluindo o impacto positivo da Cielo), também 4% acima da previsão, com destaque para cartões e mercado de capitais;
- Os resultados de seguros superaram as estimativas em 3%, mantendo um ritmo sólido apesar da sazonalidade desfavorável no seguro saúde, com ROE de 21,4% (queda de 100bps no trimestre);
- As despesas operacionais aumentaram 10% em relação ao ano anterior (7% excluindo Cielo e John Deere), 4% acima da nossa estimativa, devido a maiores despesas com contingências cíveis e trabalhistas.
Balanço patrimonial: A carteira total de crédito (visão do Banco Central) cresceu 1,4% no trimestre (1,3% na visão expandida e 1,9% excluindo efeitos cambiais), atingindo R$ 753 bilhões, impulsionada por crédito a pessoas físicas (+1,9%) e PMEs (+3,6%), parcialmente compensada por queda de 1,2% em grandes empresas; O índice CET-1 permaneceu estável em 11,1%, enquanto o índice de Basileia subiu 10bps para 15,5%.
Qualidade de ativos: O Safra estima que a formação de inadimplência acima de 90 dias foi de 4,7%, queda de 109bps no trimestre e 84bps no ano, gerando R$ 8.815 milhões em novos NPLs.
A formação de estágio 3 foi de 3,4%, implicando R$ 8.552 milhões em novos créditos problemáticos. O índice de inadimplência de 90 dias ficou estável em 4,1%, praticamente inalterado em todos os segmentos, com o Bradesco aumentando sua carteira colateralizada para 58,5% do total (+150bps).
A carteira total reestruturada ficou em R$ 30,1 bilhões, queda de 5% no trimestre, com inadimplência nesse portfólio subindo marginalmente 10bps para 31,0%.