A Superintendência de Seguros Privados, a Susep, divulgou os dados operacionais do setor de seguros referentes a fevereiro de 2026. A leitura do Safra aponta um desempenho negativo para a BB Seguridade (BBSE3), sobretudo por causa da fraqueza na BrasilPrev e de uma leve piora sequencial no índice de sinistralidade.
Na Caixa Seguridade (CXSE3), o quadro foi mais equilibrado. Houve desaceleração em algumas frentes, mas também sinais positivos em segmentos específicos. Por isso, a leitura do Safra para a companhia ficou entre neutra e moderadamente positiva no acumulado do trimestre.
BB Seguridade sofre com previdência e rentabilidade
O Safra estima que o lucro líquido da BB Seguridade tenha ficado em R$ 594 milhões em fevereiro. O valor representa queda de 20% em relação a janeiro e recuo de 14% na comparação com o mesmo mês do ano passado.
O principal ponto de pressão veio da BrasilPrev. A captação bruta nova em previdência caiu para R$ 4,1 bilhões, tanto na comparação mensal quanto na anual. Além disso, a renda financeira ficou negativa em R$ 43 milhões, fator que derrubou o lucro líquido da operação em 65% frente ao mês anterior.
Os prêmios emitidos da Brasilseg também mostraram perda de tração. No total, houve recuo de 1% em relação a fevereiro de 2025. O movimento refletiu a queda nas linhas patrimonial, de vida e de financiamento imobiliário.
Por outro lado, o seguro prestamista mostrou reação. Depois de um janeiro forte, os prêmios dessa linha avançaram 27% sobre janeiro, para R$ 271 milhões. Ainda assim, o desempenho não foi suficiente para compensar a fraqueza das demais operações.
Sinistralidade avança e reduz tração no trimestre
O índice de sinistralidade consolidado da BB Seguridade subiu 20 pontos-base em fevereiro ante janeiro. O movimento refletiu, principalmente, fatores sazonais no seguro rural e pressão adicional no segmento imobiliário.
Na comparação anual, porém, o indicador ainda mostrou melhora de 120 pontos-base. Mesmo assim, o avanço mensal reforça uma leitura mais cautelosa para o início do ano.
Com esse conjunto de fatores, o lucro líquido acumulado no trimestre permaneceu praticamente estável na comparação com o mesmo período de 2025. Para o Safra, o resultado confirma um começo de ano mais fraco para a companhia.
Caixa Seguridade combina avanços e desaceleração
No caso da Caixa Seguridade, o Safra estima lucro líquido consolidado de R$ 331 milhões em fevereiro. O número representa queda de 8% em relação a janeiro, mas alta de 4% na comparação anual.
A leitura é mista porque as subsidiárias registraram perda sequencial de rentabilidade, em especial por receitas mais fracas com taxas de administração em previdência e pela queda de 46% na renda financeira da XS1 frente ao mês anterior.
Além disso, o seguro prestamista continuou em deterioração. Os prêmios caíram 38% em relação a fevereiro de 2025 e 17% ante janeiro, para R$ 74 milhões. A captação bruta nova em previdência também perdeu força e somou R$ 1,857 bilhão, com recuo de 27% no mês e de 19% em um ano.
Crédito imobiliário sustenta parte do resultado
Apesar das pressões, a Caixa Seguridade manteve crescimento nas operações ligadas ao crédito imobiliário. Na XS3, os prêmios emitidos de seguros habitacional e residencial cresceram 21% na comparação anual.
Esse avanço, contudo, veio acompanhado por aumento de 150 pontos-base no índice de sinistralidade tanto em relação a janeiro quanto na comparação com fevereiro de 2025. Assim, parte do ganho de receita perdeu força na linha final de resultado.
Já na XS4, o lucro líquido recuou 17% em relação ao ano passado, mesmo com aumento de receita no período.
O que observar daqui para frente
Os dados de fevereiro reforçam uma diferença importante entre as duas seguradoras. A BB Seguridade entrou em 2026 com pressão mais evidente sobre previdência, rentabilidade financeira e sinistralidade. Já a Caixa Seguridade segue com motores de crescimento em algumas frentes, mas ainda convive com fraqueza em prestamista e previdência.
Para os próximos meses, o mercado deve acompanhar de perto três pontos. O primeiro é a evolução da captação em previdência. O segundo é o comportamento da sinistralidade, sobretudo nas operações mais sensíveis ao ciclo econômico e à sazonalidade. O terceiro é a capacidade de recuperação das receitas financeiras, que tiveram peso relevante nos números de fevereiro.
Nesse cenário, o Safra mantém visão mais construtiva para BBSE3, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 39, enquanto segue com recomendação neutra para a CXSE3, com preço-alvo de R$ 20.