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Banorte sustenta margem financeira e reforça potencial de longo prazo

Banco mexicano deve mostrar resultados resilientes no primeiro trimestre de 2026, mesmo com avanço mais lento da carteira de crédito


O Banorte começou 2026 com crescimento mais fraco no crédito comercial no México, mas o desempenho do banco em linhas voltadas ao consumo continua a sustentar uma visão construtiva para a ação.

Dados regulatórios de fevereiro indicam que a carteira de crédito do sistema financeiro mexicano e a do próprio Banorte ficaram estáveis em relação ao mesmo período do ano anterior no segmento comercial. Ainda assim, o banco seguiu ganhando espaço em crédito ao consumidor, o que fortaleceu o mix de produtos e ajudou a sustentar a rentabilidade.

Esse movimento aumentou a participação das linhas de consumo para 21% da carteira, alta de 265 pontos-base em 12 meses. Na prática, essa composição mais favorável contribui para ampliar a margem financeira e compensar parte da desaceleração em outras frentes.

Além disso, o custo de captação segue em trajetória positiva. Esse fator também ajuda a explicar a resiliência da receita financeira, mesmo em um ambiente de crescimento mais contido do crédito total.

Prévia aponta lucro estável

A estimativa é que o Banorte reporte lucro líquido recorrente de 15,2 bilhões de pesos mexicanos no primeiro trimestre de 2026. O valor representa queda de 4% na comparação com o trimestre anterior, mas estabilidade em relação ao mesmo período de 2025.

A receita líquida de juros deve avançar 8,5% em base anual, apoiada por uma margem financeira estimada em 6,4%. O desempenho deve refletir, mais uma vez, o efeito combinado entre menor custo de captação e maior participação do crédito ao consumidor.

Por outro lado, o trimestre tende a mostrar pressão maior nas provisões, sobretudo por atualizações em modelos de calibração. Com isso, o custo de risco pode subir para 2,1%, no topo da faixa indicada pela administração.

Mesmo assim, a leitura sobre a qualidade dos ativos segue relativamente positiva. O segmento imobiliário deve mostrar alguma piora pontual, ligada a ajuste na política de baixa contábil, mas a tendência geral ainda parece saudável.

Seguros ajudam, mas trading e despesas limitam avanço

O resultado do trimestre também deve contar com efeito sazonal mais favorável na divisão de seguros. Em contrapartida, as receitas com trading e a linha de despesas operacionais podem pressionar a eficiência do banco.

Na carteira de crédito, o vetor principal de crescimento continua concentrado no consumo. Já os empréstimos para governo e empresas seguem em ritmo mais lento, o que reforça a importância do varejo para a dinâmica operacional do banco neste momento.

Esse quadro mostra que o Banorte ainda consegue preservar a expansão da receita, mesmo sem tração mais ampla em todos os segmentos da carteira.

Revisão de projeções mantém leitura construtiva

As novas estimativas consideram a exclusão de operações descontinuadas e apontam lucro líquido de 62,9 bilhões de pesos mexicanos em 2026 e de 67,4 bilhões em 2027. Na comparação com as projeções anteriores, a estimativa para 2026 caiu 1%, enquanto a de 2027 ficou inalterada.

As projeções seguem próximas das faixas de guidance da companhia, embora a expectativa para o crescimento da carteira esteja mais próxima do piso do intervalo indicado pela administração.

Ao mesmo tempo, a revisão no custo de capital e as premissas de longo prazo levaram a um leve ajuste no preço-alvo, que passou de 235 para 236 pesos mexicanos. O novo patamar implica potencial de valorização para a ação.

Hoje, os papéis do Banorte são negociados a 8,8 vezes o lucro estimado para 2026 e a 8,2 vezes o lucro projetado para 2027.

Revisão do acordo com os Estados Unidos pode virar gatilho

Entre os fatores que podem destravar valor para o banco, a revisão do acordo comercial entre Estados Unidos, México e Canadá, prevista para julho de 2026, aparece como um ponto relevante.

Se o processo avançar de forma favorável, a percepção sobre as perspectivas estruturais do México pode melhorar. Isso abriria espaço para um fluxo maior de capital estrangeiro para o país, especialmente em um contexto em que parte dos recursos destinados a mercados emergentes tem favorecido outros países da América Latina, como Brasil e Peru.

Por isso, embora o desempenho de curto prazo ainda traga pontos de atenção, o cenário de médio e longo prazo continua oferecendo argumentos para uma visão positiva sobre o Banorte.

Quais são os principais riscos para a tese

A tese de investimento para o Banorte segue apoiada na resiliência da margem financeira, no avanço do crédito ao consumidor e em possíveis gatilhos macroeconômicos. Ainda assim, há riscos relevantes no horizonte.

Os principais pontos de atenção são:

  • deterioração das relações comerciais com os Estados Unidos
  • resultado desfavorável na revisão do acordo comercial da América do Norte
  • avanço da concorrência de fintechs
  • dificuldades de execução na estratégia de varejo
  • aumento de alíquotas de impostos

Mesmo com esses riscos, a combinação entre fundamentos operacionais sólidos, rentabilidade elevada e potencial de melhora no ambiente macro reforça a recomendação de compra para o Banorte.


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