O Banorte, banco mexicano, divulgou um resultado do primeiro trimestre de 2026 que reforça a visão favorável para as ações. O Safra avalia a leitura como levemente positiva, em meio à continuidade do bom desempenho do crédito ao consumo, à expansão da margem financeira e ao controle da inadimplência.
Embora o lucro tenha vindo em linha com as projeções, o lucro antes de provisões superou ligeiramente a estimativa do Safra. Além disso, os números ficaram um pouco acima do que os dados regulatórios apontavam até fevereiro. Esse desempenho pode sustentar uma reação positiva das ações no pregão.
O banco reiterou recomendação equivalente à compra, apoiado pela percepção de que as tendências operacionais seguem construtivas para 2026. Na avaliação do Safra, a principal mensagem do trimestre foi a evolução saudável dos fundamentos, mesmo com uma pressão pontual maior sobre o custo de risco.
Lucro do Banorte ficou em linha, mas rentabilidade segue elevada
O Banorte reportou lucro líquido de operações continuadas de 15,458 bilhões de pesos mexicanos no primeiro trimestre de 2026. O valor representa queda de 3% em relação ao trimestre anterior e alta de 1% na comparação com o mesmo período do ano passado.
O retorno sobre o patrimônio ficou em 23,9%, nível ainda elevado para o setor. Já o lucro antes de impostos somou 22,062 bilhões de pesos mexicanos, 1% acima da projeção do Safra.
A receita líquida com juros também mostrou desempenho melhor do que o esperado. O número superou a estimativa em 2%, favorecido por uma despesa de captação abaixo do previsto. Com isso, o custo de funding recuou 90 pontos-base na comparação trimestral, para 46%.
Margem financeira avança com força
A melhora da despesa de captação impulsionou a margem financeira do grupo. A margem avançou 40 pontos-base em relação ao mesmo período do ano anterior, o que mostra a capacidade do Banorte de preservar rentabilidade mesmo em um ambiente ainda misto para algumas linhas de crédito.
Esse movimento foi sustentado principalmente pelo crédito ao consumo, que continua como o principal vetor de crescimento da operação. Para o Safra, essa dinâmica segue importante porque ajuda a manter margens saudáveis e, ao mesmo tempo, não aponta deterioração relevante da qualidade dos ativos.
Crédito ao consumo compensa fraqueza em empresas
A carteira de crédito total do Banorte recuou 1% frente ao trimestre anterior, mas avançou 6% em 12 meses. O principal destaque continuou no crédito ao consumo, que cresceu 4,8% na comparação trimestral e 19% em relação ao mesmo trimestre de 2025.
Por outro lado, a carteira de grandes empresas caiu 4% no trimestre. A contribuição dos empréstimos corporativos e ao governo ainda não retomou força. Ainda assim, o Safra entende que esse fator deixa de ser apenas um ponto de atenção e passa, gradualmente, a representar um potencial de surpresa positiva para a tese de investimento.
Em outras palavras, a força do varejo bancário segue compensando a fraqueza em segmentos mais dependentes do ambiente corporativo.
Custo de risco sobe, mas efeito parece pontual
O principal ponto de pressão do trimestre veio das provisões. As despesas com perdas de crédito subiram 60% em relação ao trimestre anterior e ficaram 4% acima da estimativa do Safra.
Segundo a análise, esse aumento refletiu a integração do TDF e a recalibração dos modelos de risco. Por isso, a leitura é de que boa parte da piora foi pontual, com expectativa de normalização nos próximos trimestres.
O custo de risco subiu 80 pontos-base na comparação trimestral, para 2,2%. Ainda assim, os indicadores de inadimplência permaneceram estáveis. O índice de créditos inadimplentes ficou em 1,43%, enquanto o índice de cobertura avançou 470 pontos-base, para 138%.
Qualidade dos ativos segue sob controle
Apesar da elevação do custo de risco, a qualidade dos ativos permaneceu sob controle no trimestre. A piora veio principalmente da carteira imobiliária, com alta de 30 pontos-base, relacionada à extensão do período de baixa contábil de operações problemáticas.
Em contrapartida, as carteiras de cartão de crédito e crédito consignado mostraram melhora na comparação com o trimestre anterior. Esse ponto ajuda a reforçar a percepção de que o avanço do crédito ao consumo continua saudável.
Além disso, o capital seguiu em trajetória positiva. O índice principal de capital do Banorte avançou 10 pontos-base no trimestre e chegou a 12,7%.
O que esperar das ações do Banorte
Na visão do Safra, os resultados do primeiro trimestre reforçam a tese positiva para o Banorte. O banco segue entregando crescimento forte nas linhas de maior rentabilidade, preserva margens saudáveis e mantém a inadimplência em níveis controlados.
Ao mesmo tempo, a pressão sobre o custo de risco parece ligada mais a ajustes de modelo do que a uma deterioração estrutural da carteira. Se essa leitura se confirmar ao longo dos próximos trimestres, o mercado pode passar a incorporar um cenário ainda mais favorável para 2026.
Por isso, o Safra mantém recomendação positiva para as ações. O desempenho do trimestre não altera a tese central e, na prática, reforça a confiança na capacidade de execução do banco mexicano.