Em uma análise retrospectiva entre 2019 e 2025, o Itaú Unibanco (ITUB4) se destacou como o único a expandir o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de forma consistente. O movimento teve como base o crescimento da margem financeira líquida (NII) e o controle rigoroso das despesas operacionais.
Para os próximos três anos, o cenário se torna mais exigente. Ainda assim, o Safra projeta avanços adicionais, embora mais moderados. A principal alavanca passa a ser a eficiência operacional. A estimativa aponta contribuição média anual de cerca de 100 pontos-base ao ROE apenas por ganhos de opex.
Bradesco concentra maior espaço para recuperação
Entre os grandes bancos, o Bradesco (BBDC4) apresenta o espaço mais claro para melhora estrutural da qualidade e da rentabilidade. O Safra projeta expansão total de 310 pontos-base no ROE até 2028. Desse total, a margem financeira deve contribuir com cerca de 620 pontos-base, enquanto a eficiência operacional adiciona outros 160 pontos-base, parcialmente compensados por outras linhas do resultado.
Esse cenário sustenta a mudança de preferência dentro do setor. O Safra mantém recomendação de compra para Bradesco e Itaú, mas passa a priorizar o Bradesco entre os incumbentes. Apesar da surpresa negativa recente no guidance de despesas, o banco avalia que o consenso já incorporou o novo patamar.
Além disso, a reorganização societária, com a criação da BradSeg, abre espaço para otimização de capital. O movimento também tende a viabilizar a ativação de créditos tributários diferidos (DTA). Esse conjunto reforça o momentum positivo para os próximos anos, com valuation visto como atrativo ponto de entrada.
Itaú segue ancorado em eficiência
No caso do Itaú, o guidance de despesas reforça a leitura de que 2026 deve marcar o início de um ciclo plurianual de ganhos de eficiência. Esse fator sustenta a confiança do Safra na manutenção de um spread confortável entre o ROE e o custo de capital (Ke).
O banco segue como referência de execução no setor. A trajetória mais previsível reduz riscos e mantém o papel como uma escolha defensiva dentro do universo de bancos listados.
Banco do Brasil avança, mas com cautela
O Banco do Brasil (BBAS3) deve apresentar a maior melhora absoluta de ROE entre os pares, com alta estimada de 360 pontos-base. Ainda assim, parte de uma base mais fraca. As provisões respondem por quase 9 pontos percentuais de contribuição ao ROE projetado, o que eleva a sensibilidade ao ciclo de crédito.
Embora os esforços recentes sejam positivos, o Safra adota postura conservadora. A ausência de surpresas negativas pode gerar alívio no curto prazo, mas o banco prefere aguardar maior visibilidade sobre a próxima janela do ciclo de pagamentos rurais, concentrada no segundo e no terceiro trimestres.
Santander mostra sinais mistos
O Santander Brasil (SANB11) apresenta uma leitura mais equilibrada entre riscos e oportunidades. A eficiência operacional deve atuar como vento favorável. Por outro lado, a contribuição da margem financeira ajustada ao risco tende a ser menor. O desempenho reflete anos consecutivos de crescimento mais fraco da carteira de crédito e compressão do NIM.
O valuation chama atenção e oferece assimetria positiva. Ainda assim, o Safra avalia que o enfraquecimento do momentum limita um upgrade de recomendação neste momento.
Novas premissas de valuation
O Safra revisou as premissas de valuation com corte de 50 pontos-base no custo de capital próprio. O Banco Safra passou a adotar taxa livre de risco de 9,5%, prêmio de risco de 5% e beta de 1,05 para o Itaú Unibanco, resultando em novo preço-alvo de R$ 55. Para o Bradesco, o beta de 1,10 leva o preço-alvo a R$ 26. No Santander Brasil, o preço-alvo sobe para R$ 41, enquanto no Banco do Brasil, com beta de 1,30, o preço-alvo alcança R$ 28.
Os ROEs de longo prazo considerados são de 25% para Itaú, 19% para Bradesco e Santander e 15% para Banco do Brasil. Os novos preços-alvo implicam potenciais de valorização de 30% para Bradesco, 26% para Itaú, 27% para Santander e 12% para Banco do Brasil.
Principais riscos nos bancos
Entre os riscos da tese, o Safra destaca a possibilidade de piora do cenário macroeconômico, deterioração da qualidade dos ativos acima do esperado, mudanças regulatórias e aumento de competição irracional no sistema financeiro. Esses fatores podem limitar a captura dos ganhos projetados de rentabilidade e eficiência.