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ANÁLISE

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Itaú e Nubank lideram novo ranking de criação de valor dos bancos

Indicador do Safra mostra leitura mais precisa da eficiência dos bancos e expõe diferenças estruturais entre as instituições financeiras do Brasil


Tradicionalmente, a análise de criação de valor no setor bancário se apoia no retorno sobre o patrimônio líquido (ROE). Embora relevante, a métrica pode distorcer comparações quando bancos operam com diferentes níveis de capital excedente. Para reduzir esse ruído, o Safra passou a priorizar o RoRWA, indicador que relaciona o lucro líquido aos ativos ponderados pelo risco e permite uma leitura mais fiel da eficiência operacional.

Ao ampliar o escopo para incluir neobancos e instituições do mercado de capitais, a análise evidencia mudanças estruturais no setor e destaca líderes claros em seus segmentos.

Itaú retoma liderança entre bancos tradicionais

O Itaú Unibanco (ITUB4) recuperou a liderança no ranking de RoRWA entre os grandes bancos, sustentado por uma redução expressiva de cerca de R$ 20 bilhões em ativos problemáticos entre 2023 e 2025. Desde o segundo trimestre de 2024, o banco mantém o maior retorno ajustado ao risco do grupo, aproximadamente 40% acima da média dos incumbentes.

Em contraste, o Banco do Brasil (BBAS3) registrou deterioração relevante do RoRWA após o aumento dos problemas ligados ao agronegócio. Com mais de R$ 100 bilhões em ativos problemáticos, a métrica caiu para o menor nível desde 2017, interrompendo a tendência positiva observada até o início de 2023.

Bradesco avança; Santander enfrenta pressão

Entre os bancos privados, o Bradesco (BBDC4) apresentou a expansão mais consistente do RoRWA nos últimos trimestres. A melhora reflete a migração para uma carteira menos intensiva em capital, com maior peso de crédito colateralizado, além do suporte estrutural da operação de seguros, que reduz a dependência de receitas intensivas em RWA.

O Santander Brasil (SANB11), por sua vez, atravessa seu momento mais desafiador. O aumento recente dos ativos problemáticos elevou a densidade de RWA dentro da exposição total, o que pode sinalizar pressão adicional sobre a rentabilidade nos próximos períodos.

Nu amplia vantagem estrutural sobre o Inter

No universo dos neobancos, a distância entre o Nubank (ROXO34) e o Inter (INBR32) permanece significativa. A forte expansão da lucratividade do Nu levou o RoRWA a cerca de 10% no quarto trimestre de 2024, patamar próximo ao pico histórico da XP em um cenário de mercado favorável.

O Inter avançou de forma relevante e mais do que triplicou seu RoRWA, alcançando nível semelhante ao do Itaú. Ainda assim, o Safra avalia que o teto estrutural de longo prazo do banco tende a se aproximar mais dos incumbentes do que do Nu, o que limita o potencial de convergência.

XP perde eficiência enquanto BTG mantém solidez

No mercado de capitais, a análise do RoRWA oferece uma nova perspectiva para comparar XP (XPBR31) e BTG Pactual (BPAC11). Desde 2021, a XP registrou uma contração de quase 600 pontos-base no retorno ajustado ao risco, refletindo o crescimento das receitas mais intensivas em capital dentro do mix do grupo.

Embora um ambiente de mercado mais favorável possa impulsionar a recuperação, o Safra avalia que o diferencial estrutural entre as duas instituições diminuiu. O BTG, por outro lado, manteve trajetória sólida de RoRWA, apoiado por um modelo de negócios mais resiliente, mesmo em um cenário macroeconômico adverso.

Qualidade dos ativos segue no centro da análise

Nos últimos cinco anos, a proporção do RWA de crédito em relação à carteira total apresentou tendência de queda nos bancos, especialmente em Itaú e Bradesco. A redução do risco das carteiras e a menor exposição a ativos problemáticos explicam grande parte desse movimento.

O Santander foge à regra recente. O aumento da participação de ativos problemáticos elevou a densidade de RWA e reforçou a correlação entre qualidade dos ativos e retorno ajustado ao risco. Para o Safra, esse fator permanece como um dos principais pontos de atenção na avaliação do banco.

A leitura além do ROE revela que a criação de valor no setor bancário brasileiro depende cada vez mais da eficiência no uso do capital. Itaú e Nubank se consolidam como líderes em seus segmentos, enquanto Bradesco avança de forma consistente. Já Banco do Brasil, Santander e XP enfrentam desafios distintos, que reforçam a importância do RoRWA como métrica central para investidores.


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