O banco Safra iniciou a cobertura do Banco Pine (PINE4) com recomendação de Compra e preço-alvo de R$ 19, o que significa potencial de valorização de 41%.
A tese de investimento do Banco Safra se baseia na recente decisão do Pine de voltar a focar em empréstimos para pessoas físicas, agora com uma oportunidade significativa de crescimento após a rápida expansão dos empréstimos consignados privados no Brasil.
O produto está ampliando o universo de clientes para além do setor público tradicional e, dado o posicionamento rápido e estratégico do Pine, o Safra espera que o banco aumente rapidamente a participação de ativos de alto rendimento em seu portfólio, criando uma “janela de resultados de alto impacto”.
Os especialistas do Safra acreditam que isso deverá ser mais evidente em 2026, traduzido em um retorno sobre o patrimônio líquido de +30%, antes que a intensidade da concorrência e a maturação da indústria recalibrem gradualmente os retornos no setor.
Composição do portfólio (nem alavancagem, nem reprecificação) deve mover os lucros em 2026. O efeito da transição mencionada acima se tornará particularmente visível em 2026.
A interação entre margens mais altas, alavancagem operacional e uma base de capital ainda contida faz de 2026 um ano particularmente forte para o retorno sobre o patrimônio líquido (pico de 33%, seguido pela normalização gradual para a faixa de 25% no longo prazo).
Embora espere que 2026 estabeleça um recorde para o retorno sobre o patrimônio líquido, o Safra observa que esse período de alta lucratividade deverá acelerar a geração de capital e fortalecer o balanço, sustentando uma robusta capacidade de geração de lucros.
Banco Pine foi pioneiro em empréstimo consignado privado
O Banco Pine aproveitou sua experiência com empréstimos consignados públicos e INSS (lançados no início dos anos 2000) e se beneficiou por ter sido pioneiro em empréstimos consignados privados, oferecendo uma plataforma pronta para uso e preços estratégicos logo após o lançamento do produto.
O banco rapidamente aumentou sua participação de mercado no produto para 6% e a carteira total atingiu BRL 17 bi no 3T25. O Safra acredita que a participação de
mercado naturalmente diminuirá no longo prazo à medida que bancos maiores aumentarem seu interesse pelo produto, mas o Banco Pine deverá se beneficiar de sua estrutura enxuta para se adaptar e continuar expandindo sua carteira, gerando valor e construindo uma base mais sólida.
Preço-alvo de R$ 19,00 e potencial de valorização de 41%
As projeções de lucro líquido de R$ 511 milhões e retorno sobre o patrimônio líquido de 33% em 2026 e R$ 582 milhões e 30% em 2027 estão 13% e 10% acima do consenso, respectivamente.
A avaliação do Banco Safra, baseada no modelo de desconto de dividendos, usa custo de capital próprio (Ke) de 15,3% (beta de 1,25), taxa de crescimento terminal (g) de 6% e retorno sobre o patrimônio líquido de 25% na perpetuidade.
O preço-alvo de R$ 19,00 (potencial de valorização de 41%) é suficiente para justificar a recomendação de Compra, segundo os especialistas do Safra.
O Safra vê o PINE sendo negociado a 6,3x e 5,5x o P/L em 2026 e 2027 e a 2,26x e 1,84x o P/VP em 2025 e 2026, respectivamente.
Principais riscos paraa tese:
- (i) deterioração do ambiente macroeconômico;
- (ii) riscos de execução, especialmente associados à carteira de empréstimos consignados privados (maior inadimplência, juros mais baixos);
- (iii) maior concorrência de grandes bancos; e
- (iv) mudanças desfavoráveis no ambiente regulatório.