Quando iniciou a cobertura da ação do Banco Inter (INBR32) em abril, o Banco Safra destacou o potencial significativo de valorização com a reprecificação da carteira de crédito, ganhos de eficiência e margens de juros líquidas (NIMs) mais fortes, apoiados por maior exposição a linhas de crédito com maior rendimento.
Após uma alta de 110% no acumulado do ano, os especialistas do Banco Safra acreditam que a assimetria de risco piorou.
A análise do Safra sugere que manter os níveis atuais de avaliação e destravar mais valorização dependerá da expansão bem-sucedida das carteiras de empréstimos consignados privados e financiamento via Pix.
Essa dinâmica levanta questões sobre a disposição do Inter em manter um apetite elevado por risco nessas linhas, especialmente considerando a postura historicamente conservadora da gestão.
Safra rebaixa recomendação do Inter (INBR32) para neutra
Como o Safra acredita que uma parte maior dessa expansão já está precificada na ação, optou por rebaixar o Inter para Neutro, principalmente devido a riscos de execução e menor assimetria de risco.
O estudo do Safra sugere que o financiamento via Pix e os empréstimos consignados privados representam cerca de 32%
da avaliação do Inter.
O safra atribui 12% da avaliação implícita do Inter à expansão do financiamento via Pix.
O Pix finance é um produto que fortalece o engajamento do usuário, mas exige capital substancial no início para absorver perdas iniciais, além de demandar monitoramento rigoroso do risco de crédito ao longo das safras e certo nível de principalidade.
Essas características desafiam a postura historicamente conservadora do Inter.
Embora o produto ofereça potencial atraente de crescimento e lucratividade, também introduz risco de execução. Além disso, embora os empréstimos consignados privados permaneçam centrais na estratégia do Inter (o Safra atribui 20% da avaliação a
essa linha) e projeta que essa carteira alcance R$ 8,3 bilhões até 2027, vendo aumento da concorrência nessa linha, à medida que players menores adotam postura mais agressiva e incumbentes assumem posições mais construtivas, levantando preocupações sobre a capacidade do Inter de defender participação e escalar de forma eficiente.
Reduzindo estimativas em 2026 e 2027
O Safra cortou a estimativa de lucro líquido do Inter (INBR32) para R$ 1.322 milhões (de R$ 1.503 milhões) em 2025 e para R$ 1.907 milhões (de R$L 2.116 milhões) em 2026, devido a maiores provisões e despesas operacionais.
Para provisões, o Safra considera um aumento de 6,7% nos ECLs (de R$ 2.266 milhões para R$ 2.417 milhões) em 2025 e um aumento de 17% em 2026 (de R$ 2.857 milhões para R$ 3.332 milhões).
Para despesas operacionais, o Safra elevou as estimativas em 7,8% em 2025 e 11,3% em 2026, levando a menores ganhos de eficiência.
Apesar do crescimento mais forte na carteira de empréstimos e no receita líquida de juros (NII), esses ventos contrários impulsionam revisões negativas nos lucros.
Introduzindo nosso preço-alvo para o final de 2026 de US$ 10,0/ação
O Banco Safra definiu o preço-alvo para o final de 2026 em US$ 10,0 por ação, implicando alta de 13%. A avaliação assume um custo de capital próprio de 15,3% (100bps menor vs. abril IoC, baseado em taxa livre de risco de 10% e beta de 1,15), taxa de crescimento terminal de 6,0% e ROE de longo prazo de 30%.
Aos preços atuais, as ações são negociadas a 10,9x e 8,4x P/L para 2026 e 2027, e 1,9x e 1,7x P/VPA para 2026 e 2027, respectivamente, sugerindo espaço limitado para expansão de múltiplos, apesar da revisão positiva.
Principais riscos para nossa tese: deterioração das condições macroeconômicas, tendências de qualidade de ativos piores que o esperado, mudanças regulatórias, concorrência irracional.