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Renegociação de dívidas rurais traz alívio ao Banco do Brasil

Nova medida do governo reduz pressão sobre produtores rurais e pode melhorar qualidade da carteira do banco, mas desafios seguem no crédito e na rentabilidade


O governo federal anunciou uma nova medida provisória para renegociação de dívidas rurais, em uma iniciativa que pode aliviar parte da pressão sobre o Banco do Brasil (BBAS3) no curto prazo.

O programa terá volume estimado em cerca de R$ 100 bilhões e prevê prazo de pagamento de aproximadamente oito anos, além de dois anos de carência e ausência de entrada inicial para os produtores rurais.

Na avaliação do Safra, a medida tende a melhorar a qualidade dos ativos do banco ao ampliar a capacidade de pagamento dos produtores e reduzir o risco de novos atrasos no agronegócio.

Mesmo assim, o banco mantém postura cautelosa em relação ao Banco do Brasil e segue com recomendação neutra para as ações.

Programa reduz pressão no agronegócio

A nova medida provisória substitui uma proposta anterior mais ampla, estimada em cerca de R$ 180 bilhões. O novo formato ficou mais enxuto e focado em pequenos e médios produtores rurais.

O limite das dívidas elegíveis será de até R$ 4 milhões nas regras gerais e de até R$ 8 milhões para casos classificados como perdas severas.

As taxas anuais ficarão entre 6% e 12%, podendo variar entre 5% e 11% nos casos mais graves.

Segundo o Safra, o programa pode reduzir a formação de novos inadimplentes durante o período de maior concentração de vencimentos no agronegócio, entre abril e setembro.

Além disso, o banco avalia que a medida elimina temporariamente o incentivo para produtores atrasarem pagamentos na expectativa de programas futuros de refinanciamento.

Banco poderá iniciar renegociações rapidamente

O Safra destaca que a medida provisória foi desenhada para permitir implementação imediata pelas instituições financeiras.

Diferentemente do projeto de lei discutido anteriormente no Senado, os bancos poderão iniciar as renegociações logo após a publicação da MP, sem necessidade de nova votação no Congresso.

A medida também inclui operações de Cédulas de Produto Rural, conhecidas como CPRs, embora parte das regras ainda dependa de regulamentação adicional.

Durante o anúncio, o governo ainda mencionou a intenção de criar um novo fundo garantidor com potencial de até R$ 2 bilhões para reduzir impactos futuros de eventos climáticos extremos.

Desafios continuam pressionando o banco

Apesar do alívio trazido pela renegociação rural, o Safra avalia que o Banco do Brasil continuará enfrentando um ambiente desafiador em diferentes segmentos de crédito.

A instituição aponta preocupação com o nível de capital do banco. O índice principal de capital, conhecido como CET1, ficou em 11,6%, ainda considerado apertado diante do aumento do risco de crédito.

Além disso, o Safra destaca que a rentabilidade deve permanecer pressionada por mais tempo. A expectativa é de retorno sobre patrimônio líquido de cerca de 8% no segundo trimestre de 2026.

Guidance parece difícil de alcançar

O Safra também avalia que o Banco do Brasil terá dificuldade para cumprir as metas financeiras divulgadas para 2026.

A projeção do banco é de despesas com provisões para perdas de crédito próximas de R$ 19 bilhões apenas no segundo trimestre. Com isso, o total do primeiro semestre alcançaria cerca de R$ 38 bilhões.

Em ritmo anualizado, o número chegaria a aproximadamente R$ 76 bilhões, acima da faixa de guidance oficial do banco, entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões.

Para atingir a meta, seria necessário reduzir as provisões no segundo semestre em pelo menos 15%, mesmo com pressão ainda elevada sobre a inadimplência de pessoas físicas e pequenas e médias empresas.

Lucro também deve ficar abaixo da meta

O Safra projeta lucro líquido de R$ 3,8 bilhões para o Banco do Brasil no segundo trimestre de 2026.

Com isso, o lucro acumulado no primeiro semestre ficaria em torno de R$ 7,2 bilhões.

Na avaliação do banco, a instituição precisaria elevar o lucro trimestral em cerca de 50% na segunda metade do ano para atingir o piso do guidance anual de R$ 18 bilhões.

O Safra considera esse cenário pouco provável diante do ambiente atual de crédito, rentabilidade pressionada e capital mais restrito.


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