O resultado do 4T25 do Banco do Brasil (BBAS3) foi acima do esperado com cautela, pois os analistas do Safra observaram uma composição de menor quantidade beneficiada por uma combinação de menores despesas de captação, contribuição positiva do Banco da Patagonia, provisões inferiores à formação e imposto de renda positivo devido a maiores deduções.
Os R$ 22 bilhões em empréstimos renegociados até agora (sob a Medida Provisória nº 1.314) trouxeram alívio relevante ao banco, elevando o índice CET1 em +144 bps e melhorando o mix da carteira rural, o que sustenta a projeção de queda de -10% A/A nas provisões no ponto médio.
Por isso, o Banco Safra analisa que o sentimento com a ação do Banco do Brasil pode melhorar entre investidores que argumentam que o banco ganhou mais tempo para lidar com ativos problemáticos, especialmente antes do ciclo de afrouxamento monetário previsto para começar em março. Ainda assim, se mantém uma visão cautelosa, já que indicadores de qualidade de ativos continuam deteriorando, e maior clareza sobre melhora ou não deve surgir apenas no 2T26, no próximo calendário relevante de pagamentos.
Neste momento, acredita-se que o limite inferior do guidance (lucro de R$ 22 bi, em linha com o JSe) oferece avaliação mais conservadora de 2026. A recomendação do Safra é Neutra.
- Guidance: O banco espera crescimento da carteira de crédito entre 0,5% e 4,5%, com destaque para o segmento de pessoa física (6%–10%), enquanto o ponto médio da projeção para corporates e agronegócio é -1% e 0%, respectivamente. A receita líquida de juros (NII) deve crescer acima da carteira (4%–8%), o que reflete mix e base de juros maior após renegociações. As provisões líquidas projetadas estão entre R$ 53 bi e R$ 58 bi, queda de -10% e -6% A/A no ponto médio e teto. Com isso, o lucro projetado fica entre R$ 22 bi e R$ 26 bi.
Destaques do Banco do Brasil (BBAS3)
O Banco do Brasil reportou lucro líquido ajustado de R$ 5,742 bi (ROE de 12,4%), +52% T/T, -40% A/A, que supera a estimativa do Safra em 50%, devido a maior NII ajustada ao risco e taxa efetiva de imposto negativa (IR positivo em R$ 1,8 bi).
A NII foi de R$ 27,8 bi (+4% A/A e +5% T/T), superando a projeção dos analistas Safra em 3%, impulsionada por NII não relacionado a crédito. A queda de -5% T/T nas despesas de captação foi observada, especialmente pela menor emissão de LCA (-9% T/T) e melhora sequencial da contribuição do Patagonia.
As provisões ficaram 2% abaixo do esperado, com custo do risco em 6,1% (-30 bps T/T), cobrindo 111% e 74% da formação de Stage 3 e NPL 90 dias, respectivamente. Receitas de tarifas caíram -4% A/A, com maior contribuição da gestão de ativos. Despesas operacionais ficaram em linha, +5% T/T.
A carteira cresceu 1,4% T/T (+1,8% no varejo, +0,5% corporativo, +1,8% rural) e +2,5% A/A. O NPL 90 dias subiu 66 bps T/T para 5,2%, com deterioração em todos os segmentos: +190 bps no agro, +35 bps no corporativo (-54 bps excluindo casos específicos) e +55 bps em pessoa física. Stage 3 e formação de NPL ficaram em 5,3% e 8,1%, com forte alta na formação rural (2,59% vs. 2,15% no 3T25) e aumento de 122 bps no NPL 30 dias rural. O CET1 subiu 107 bps T/T para 12,23%, com contribuição de 144 bps da MP 1.314 via deduções de créditos fiscais.