A B3 (B3SA3) iniciou o terceiro trimestre de 2026 com volumes mais fracos de negociação. Em julho, o volume financeiro médio diário do mercado de ações caiu 23,6% em relação a junho, para R$ 22,6 bilhões.
Na comparação anual, no entanto, o indicador ainda apresentou alta de 6,8%.
A queda ocorreu mesmo com 21 dias úteis de negociação em julho, ante 20 em junho. Para o Safra, o dado reforça a percepção de uma desaceleração efetiva da atividade, e não apenas de um efeito relacionado ao calendário.
Os derivativos foram o principal ponto de pressão, enquanto a renda fixa permaneceu como o segmento mais resiliente da B3.
Ações perdem ritmo
O volume financeiro médio diário do mercado de ações recuou 23,6% em relação a junho. A retração foi disseminada entre os principais segmentos:
- ações à vista: queda de 22,9% no mês e alta de 6,9% em 12 meses;
- mercado de opções: queda de 38,4% no mês e alta de 14,1% em 12 meses;
- contratos a termo e futuros de ações: queda de 29,9% no mês e de 28,5% em 12 meses.
A capitalização média de mercado cresceu 2,1% em relação a junho e 13,7% na comparação anual.
Apesar do aumento do valor de mercado das empresas listadas, a velocidade de giro caiu para 107,7%, ante 142,8% no mês anterior. O indicador mostra uma menor rotação dos ativos negociados na bolsa.
Empréstimo de ativos tem sinais mistos
O mercado de empréstimo de ativos apresentou desempenho desigual em julho.
O saldo de contratos em aberto caiu 3,6% em relação a junho, mas ainda acumulou alta de 19,6% em 12 meses.
Ao mesmo tempo, a taxa média de empréstimo subiu 0,63 ponto percentual no mês, para 1,51%. Em relação a julho de 2025, o avanço foi de 0,36 ponto percentual.
A combinação sugere maior custo médio nas operações, embora o volume de contratos em aberto tenha recuado na comparação mensal.
Derivativos lideram queda
O número médio diário de contratos negociados em derivativos ficou em 8,7 milhões, queda de 26,5% em relação a junho e de 5,6% na comparação anual.
Os principais impactos negativos vieram dos contratos relacionados a:
- juros em reais, com queda de 36,1% no mês e de 7,7% em 12 meses;
- taxas de câmbio, com retração de 18,7% no mês e de 20,6% em 12 meses.
Alguns segmentos ainda apresentaram crescimento anual. Os contratos ligados a índices de ações avançaram 11,6%, enquanto os contratos de juros em dólares cresceram 23,6%.
A receita média por contrato subiu 4,4% em relação a junho, mas caiu 4,1% na comparação anual. O aumento da receita unitária não foi suficiente para compensar a redução dos volumes negociados.
Renda fixa mostra resiliência
As emissões de instrumentos de renda fixa recuaram 3,4% em relação a junho e 6,4% na comparação anual.
Apesar da queda nas novas emissões, o saldo de títulos em circulação cresceu 2,6% no mês e 17,6% em 12 meses.
O saldo de investimentos diretos em títulos do Tesouro Nacional, por meio do programa Tesouro Direto, avançou 3,1% em relação a junho e 43,8% na comparação anual.
O desempenho confirma a maior resiliência da renda fixa diante da desaceleração observada nos mercados de ações e derivativos.
Mercado de balcão recua
As novas emissões de derivativos negociados no mercado de balcão caíram 21,3% em relação a junho. Na comparação anual, porém, houve alta de 2,8%.
O saldo dos contratos em circulação cresceu 3,5% no mês e 15% em 12 meses.
O resultado indica que, apesar da queda nas novas operações, a base de contratos ativos continua em expansão.
Serviços de tecnologia avançam
A divisão de Tecnologia, Dados e Serviços apresentou crescimento de 7,5% na comparação anual.
Em relação a junho, a utilização mensal recuou 0,1%.
O desempenho anual positivo mostra a contribuição das receitas recorrentes ligadas a dados, tecnologia e serviços para a diversificação das fontes de receita da B3.
Safra mantém visão neutra
Na avaliação do Safra, os dados de julho confirmam a perda de ritmo observada no mercado de capitais no início do terceiro trimestre.
A queda dos volumes ocorreu em praticamente todos os segmentos de ações e derivativos. Além disso, o recuo foi registrado mesmo com um dia útil adicional de negociação.
A renda fixa continua sendo o principal ponto de estabilidade, apoiada pelo crescimento do saldo de títulos em circulação e pela expansão do Tesouro Direto.
Para os próximos meses, a evolução da atividade em ações e derivativos será determinante para a recuperação do desempenho operacional da B3. Por enquanto, o Safra mantém uma visão neutra para a companhia.