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B3 registra lucro de R$ 1,7 bilhão no segundo trimestre

A B3 (B3SA3) teve lucro recorrente em linha com as expectativas, enquanto itens não recorrentes impulsionaram o resultado reportado


A B3 (B3SA3) registrou lucro líquido de R$ 1,70 bilhão no segundo trimestre de 2026. O resultado representa alta de 11% em relação ao primeiro trimestre e de 28% na comparação anual.

O lucro ficou 2,4% acima da estimativa do Banco Safra. No entanto, o desempenho foi beneficiado por fatores não recorrentes. Por isso, o resultado recorrente oferece uma leitura mais precisa sobre a evolução operacional da companhia.

O lucro líquido recorrente somou R$ 1,38 bilhão, alta de 8% em um ano e praticamente em linha com a projeção do Safra.

Receita cresce

A receita total da B3 alcançou R$ 3,08 bilhões no segundo trimestre. O valor representa queda de 4% na comparação trimestral e alta de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O resultado ficou 1% acima da estimativa do Safra.

A receita do segmento de mercados ficou ligeiramente acima das projeções. O desempenho refletiu a redução da atividade na comparação trimestral, apesar do crescimento ainda robusto em relação ao segundo trimestre de 2025.

O volume financeiro médio diário do mercado de ações à vista caiu 10% na comparação trimestral. O movimento indica perda de ritmo na atividade de renda variável.

Mercado de capitais

A receita de soluções para mercados de capitais ficou amplamente em linha com a estimativa do Safra.

As operações de listagem e as soluções para emissores foram os principais destaques, com crescimento de 26% na comparação anual.

A receita de soluções de dados e análise também manteve ritmo forte de expansão. O segmento cresceu 22% em um ano e ficou ligeiramente acima da projeção do banco.

As receitas de tecnologia e plataformas aumentaram 15%, apoiadas tanto pela área de tecnologia quanto pelos serviços de suporte ao mercado.

Despesas aumentam

As despesas operacionais da B3 cresceram 16% na comparação anual, acima do ritmo de expansão da receita.

As despesas com pessoal aumentaram 19%. Os gastos com serviços de terceiros avançaram 36%, enquanto as despesas com planos de opções de ações subiram 51%.

No total, as despesas ficaram 6% acima da estimativa do Safra.

O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização recorrente alcançou R$ 1,94 bilhão, alta de 2% em relação à projeção do banco.

A margem correspondente ficou em 70,1%. O indicador aumentou 2,38 pontos percentuais na comparação anual, mas recuou 1,54 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.

Itens não recorrentes

A B3 exerceu sua opção de venda para se desfazer da participação na Dimensa. A operação gerou ganho aproximado de R$ 124 milhões.

O efeito positivo foi parcialmente compensado por R$ 41 milhões em despesas extraordinárias relacionadas a mudanças na alta administração.

O resultado financeiro também foi beneficiado por um ajuste monetário positivo de R$ 19 milhões, associado a um pagamento determinado judicialmente.

Além disso, a companhia registrou resultado financeiro de R$ 129 milhões, alta de 64% na comparação trimestral e 45% acima da estimativa do Safra. O desempenho refletiu maiores receitas financeiras e efeitos cambiais.

Com esses fatores, o resultado antes dos impostos alcançou R$ 2,05 bilhões, alta de 3% em relação à projeção do banco e de 12% na comparação anual.

Sem os efeitos não recorrentes, o lucro líquido teria ficado ligeiramente abaixo da expectativa do Safra.

Distribuição aos acionistas

A B3 aprovou a distribuição de R$ 1,11 bilhão em juros sobre capital próprio no segundo trimestre de 2026.

A política de remuneração aos acionistas continua como um dos principais pontos de atenção para os investidores. No entanto, a evolução dos resultados operacionais permanece dependente do nível de atividade no mercado de capitais.

Visão do Safra

Para o Safra, o resultado da B3 foi amplamente neutro após a exclusão dos itens não recorrentes.

Embora o lucro reportado tenha superado a estimativa, o desempenho recorrente ficou em linha com as projeções. O principal destaque positivo veio do segmento de renda variável, que apresentou receitas aproximadamente 3% acima do esperado devido a maiores taxas médias por operação.

Por outro lado, a B3 enfrenta perda de capacidade de geração de resultados em um cenário de piora na percepção sobre a bolsa brasileira e de enfraquecimento da atividade no mercado de capitais.

O Safra avalia que o terceiro trimestre de 2026 pode apresentar um ambiente menos favorável. Por isso, mantém recomendação neutra para as ações da B3 e não espera uma reação relevante dos papéis após a divulgação dos resultados.


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