A B3 (B3SA3) apresentou resultados positivos no quarto trimestre de 2025, com o EBITDA recorrente superando em 5% as estimativas do Banco Safra. A surpresa veio principalmente do desempenho da receita, que registrou avanços em todas as linhas, especialmente em ações, renda fixa e atividades ligadas a listagens. Excluindo efeitos fiscais extraordinários, o lucro líquido recorrente alcançou desempenho 5% superior às projeções comparáveis.
Segundo o Safra, o resultado reforça a expectativa de que o primeiro trimestre de 2026 deve começar ainda mais forte. O volume diário médio negociado no período atual aponta para cerca de R$ 35 bilhões, enquanto o mercado de DCM mantém ritmo firme e ECM mostra sinais de retomada.
Receita em alta generalizada
A receita total da B3 atingiu R$ 2,952 bilhões, alta de 7% em relação ao terceiro trimestre e de 11% na comparação anual. O número superou em 3% a estimativa do Safra, impulsionado por crescimento em todas as unidades de negócio.
No segmento de Mercados, a área de Derivativos foi o único destaque negativo, com leve queda anual de 1%. Em contrapartida, Renda Fixa manteve ritmo acelerado e Ações registraram avanço, com o ADTV de ações à vista subindo 2% na base anual, para R$ 26,2 bilhões. A margem de ações também apresentou leve expansão de 0,024 ponto-base em relação ao ano anterior.
Fortaleza em listagens e tecnologia
A área de Soluções para Mercado de Capitais foi um dos principais destaques, com receita 15% acima das estimativas do Safra e crescimento anual de 10%, reflexo de um trimestre forte para listagens. As unidades de Tecnologia e Análise de Dados também mostraram evolução positiva, com altas de 4% e 3%, respectivamente.
Margem e lucro recorrente
O Opex avançou 10% na comparação trimestral e 2% na anual, alinhado às projeções. Com isso, o EBITDA ajustado atingiu R$ 1,830 bilhão, superando em 5% a estimativa do Safra. A margem EBITDA apresentou expansão anual de 175 pontos-base.
O resultado financeiro somou R$ 103 milhões, acima do esperado, beneficiado pela base de comparação, já que o terceiro trimestre havia registrado amortização antecipada de debêntures. O lucro antes dos impostos foi de R$ 1,879 bilhão, crescimento de 17% em base anual. O lucro líquido reportado, de R$ 908 milhões, sofreu impacto de efeitos fiscais extraordinários, enquanto o lucro líquido recorrente alcançou R$ 1,505 bilhão.
Distribuição aos acionistas
As distribuições da B3 no 4T25 totalizaram R$ 1,916 bilhão, somando R$ 415,5 milhões de juros sobre capital próprio ordinário, R$ 1,5 bilhão de JCP extraordinário e R$ 1,733 bilhão em recompras de ações.