A B3 (B3SA3) apresentou dados operacionais mais fracos em junho, com desaceleração nos volumes negociados em ações e ritmo mais moderado de crescimento das receitas no segundo trimestre de 2026. O destaque positivo ficou para os derivativos, que aceleraram no mês e ajudaram a sustentar as receitas da bolsa brasileira.
O volume médio diário negociado em ações na B3, conhecido como ADTV, caiu para R$ 29,6 bilhões em junho. O número representa recuo de 6,4% frente a maio, embora ainda mostre avanço de 16,8% na comparação anual.
Segundo o Safra, o desempenho refletiu uma atividade mais fraca nos mercados a termo e de futuros de ações, além da redução da velocidade de giro dos investidores.
A velocidade de giro caiu para 142,8% no mês, queda de 4 pontos percentuais em relação a maio. Apesar disso, o indicador segue acima do nível registrado no mesmo período do ano passado.
O mercado de opções foi a exceção positiva dentro da divisão de ações, com crescimento de quase 20% na comparação mensal.
Derivativos impulsionam receitas em junho
O segmento de derivativos apresentou desempenho mais forte e ajudou a compensar parte da desaceleração observada em ações.
O volume médio diário negociado avançou 2,6% em relação a maio e 14,5% na comparação anual, impulsionado principalmente pelos contratos de juros em reais e índices de ações.
A receita mensal do segmento alcançou R$ 291 milhões, acima dos R$ 264 milhões indicados anteriormente pelos dados semanais monitorados pelo mercado.
Segundo o Safra, o resultado mostra uma leve aceleração das receitas de derivativos em junho, favorecida pelo aumento dos volumes negociados.
Mercado de renda fixa mantém crescimento
As emissões de renda fixa permaneceram praticamente estáveis na comparação mensal, mas continuaram crescendo em relação ao ano anterior.
O estoque de instrumentos de renda fixa em circulação avançou 16,4% em 12 meses. Já os investimentos no Tesouro Direto cresceram 42,8% na mesma base de comparação.
Os derivativos de balcão também apresentaram expansão relevante. As novas emissões avançaram 33% em relação ao mesmo período de 2025.
Na divisão de Tecnologia, Dados e Serviços, a utilização mensal cresceu 8,5% na comparação anual.
Safra projeta lucro líquido próximo de R$ 1,7 bilhão
Com os números operacionais de junho, o Safra estima receita líquida de R$ 2,737 bilhões para a B3 no segundo trimestre de 2026, alta de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.
Apesar do crescimento, o banco vê uma desaceleração relevante frente ao primeiro trimestre, quando a divisão de mercados apresentou expansão próxima de 20%.
A expectativa do Safra é de uma queda de cerca de 3% no lucro antes dos impostos e juros na comparação trimestral. Ainda assim, o lucro líquido da B3 pode se aproximar de R$ 1,7 bilhão no período.
O banco mantém visão neutra para as ações da companhia.