A Axia Energia (AXIA3) registrou EBITDA regulatório ajustado de R$ 6,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, avanço de 28% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, o resultado ficou abaixo das expectativas do mercado e das estimativas do Banco Safra.
O EBITDA regulatório reportado alcançou R$ 6,6 bilhões, alta de 9% na comparação anual. O número recebeu impacto de eventos não recorrentes, incluindo R$ 261 milhões em ganhos com venda de ativos e R$ 74 milhões em despesas extraordinárias.
O lucro líquido ajustado somou R$ 1,7 bilhão, resultado inferior à projeção de R$ 2,1 bilhões. Segundo a companhia, maiores despesas financeiras e um desempenho mais fraco da equivalência patrimonial explicam a diferença.
Receita cresce, mas preços pressionam desempenho
A receita operacional, excluindo itens de construção, avançou 4% em relação ao segundo trimestre de 2025. No entanto, o resultado ficou abaixo das expectativas devido principalmente aos preços médios de venda de energia menores do que o projetado.
O preço médio de venda atingiu R$ 196 por MWh, abaixo da estimativa de R$ 218 por MWh. Mesmo assim, o valor representou crescimento de quase 10% na comparação anual.
As receitas do mercado livre cresceram 12%, impulsionadas pela alta dos preços da energia. Já as vendas no mercado de curto prazo avançaram 52%, beneficiadas pela valorização dos preços spot.
Por outro lado, a empresa enfrentou impactos negativos da redução das receitas no mercado regulado após a venda de usinas termelétricas realizada em 2025, além do atraso na revisão tarifária do segmento de transmissão.
Controle de custos melhora margens
O principal destaque positivo do trimestre foi o controle de despesas.
Os custos de compra de energia recuaram 8% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as despesas administrativas e operacionais ajustadas apresentaram queda de 4%.
Além disso, as provisões ficaram significativamente abaixo do esperado. A companhia registrou apenas R$ 15 milhões nessa linha, frente à projeção de R$ 231 milhões.
Como resultado, as margens operacionais mostraram evolução, compensando parcialmente a pressão observada nas receitas.
Alavancagem continua em queda
A Axia Energia também apresentou melhora em seus indicadores financeiros.
A alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA dos últimos 12 meses caiu para 1,7 vez, ante 1,8 vez registrado no primeiro trimestre.
O saldo relacionado ao empréstimo compulsório foi reduzido para R$ 10,8 bilhões, abaixo dos R$ 11 bilhões observados no trimestre anterior.
Os números reforçam a trajetória de fortalecimento da estrutura de capital da companhia.
Resgate de ações ganha protagonismo
O anúncio mais relevante para investidores foi a ampliação do programa de resgate de ações.
A companhia informou um novo resgate de R$ 3,7 bilhões em ações AXIA7 ao longo de 2026. Com isso, o montante total destinado ao programa neste ano alcança R$ 7,7 bilhões.
A empresa também reduziu o prazo para conversão das ações e para o pagamento aos acionistas durante o processo de resgate, medida que tende a aumentar a atratividade da operação.
Além disso, a companhia atualizou seu portfólio de energia para 2026 e 2027, com vendas adicionais equivalentes a uma média de 375 MW por ano.
Outro comunicado relevante foi a confirmação de que 6 de agosto de 2026 será o último dia de negociação dos ADRs da empresa na Bolsa de Nova York (NYSE).
O que esperar da Axia Energia
Na avaliação do Safra, os resultados vieram fracos, mas dentro do esperado.
O crescimento das vendas de energia e o melhor desempenho no mercado de curto prazo sustentaram a evolução operacional na comparação anual. Ao mesmo tempo, a disciplina na gestão de custos e a redução das provisões contribuíram para preservar as margens.
O reforço do programa de resgate de ações representa o principal destaque do trimestre e pode ser recebido de forma positiva pelo mercado, dada a sinalização de geração de valor para os acionistas.
Diante desse cenário, o Safra mantém uma visão construtiva para a Axia Energia (AXIA7), apoiada pela sólida geração de caixa, melhora gradual dos indicadores financeiros e continuidade da estratégia de retorno de capital aos investidores.