O Banco Safra reitera a recomendação de compra para a Axia Energia (AXIA3), antiga Eletrobras, após a atualização do modelo financeiro, que passou a incorporar os resultados do quarto trimestre de 2025, novas estimativas de preços de energia, revisão do cenário macroeconômico e ajustes nas premissas operacionais e de investimentos.
O novo preço-alvo para 12 meses é de R$ 73,10 para AXIA3 e R$ 79,70 para AXIA6, o que implica potencial de valorização de 23% para ambas as classes de ações. Mesmo após a revisão, o retorno implícito do papel permanece atrativo, com taxa interna de retorno estimada em cerca de 11,5%, acima da média dos pares do setor.
Preços de energia
A perspectiva de preços de energia mais elevados segue como o principal vetor de criação de valor para a Axia Energia. O Safra avalia que a maior volatilidade do sistema elétrico, aliada ao crescimento da demanda estrutural, impulsionada por veículos elétricos e data centers, tende a sustentar patamares mais elevados de preços no médio e longo prazo.
Além disso, o aumento da aversão ao risco associado a eventos como curtailment e exposição ao GSF contribui para elevar o custo marginal de expansão do sistema. A estimativa atualizada aponta para um custo de R$ 240 por megawatt-hora, reforçando o cenário favorável para empresas com portfólio já contratado e flexibilidade operacional.
Exposição ao mercado
A Axia Energia apresenta exposição positiva a esse movimento, uma vez que entre 17% e 33% de seu balanço energético deve permanecer disponível para operações de trading entre 2026 e 2027. Como a maior parte da capacidade instalada é hídrica, a companhia consegue direcionar a geração para horários de preços spot mais elevados.
Esse perfil permite suprir a demanda nos momentos de pico e compensar a redução da geração solar no fim da tarde. A expectativa de preço médio spot em torno de R$ 350 por megawatt-hora em 2026 tende a impulsionar a geração de caixa e reforçar a capacidade de distribuição de dividendos.
Estimativas revisadas indicam crescimento do EBITDA
A revisão do modelo financeiro incorporou três fatores principais. O primeiro é a atualização do balanço energético após os resultados recentes. O segundo envolve as novas projeções de preços, com estimativa de R$ 350 por megawatt-hora em 2026 e cerca de R$ 260 no horizonte de cinco anos, acima das projeções anteriores. O terceiro ponto é a revisão do GSF para 0,85 em 2026.
Com esses ajustes, as estimativas de EBITDA para o período entre 2026 e 2028 aumentaram, em média, 17%. O Safra mantém uma política de payout compatível com alavancagem próxima de 3,0 vezes dívida líquida sobre EBITDA, já considerando obrigações da CDE, o que sustenta um dividend yield médio estimado em 9%.
Valuation segue atrativo
O valuation da Axia Energia continua competitivo. O preço-alvo foi calculado por meio de fluxo de caixa descontado, com custo médio ponderado de capital de 9,7%. No cenário-base, as ações negociariam a um múltiplo EV sobre EBITDA de 7,2 vezes em 2027 e a um valor de empresa por megawatt de R$ 4,4 milhões.
Mesmo após a recente valorização, o papel ainda embute uma taxa interna de retorno superior à média do setor, estimada em cerca de 9,5%, reforçando o racional de investimento.
Principais riscos no radar
Entre os principais riscos monitorados estão a possibilidade de preços de energia abaixo do esperado, tanto no curto quanto no longo prazo, pressões de custos acima das projeções, decisões judiciais desfavoráveis e eventuais falhas na alocação de capital.
Ainda assim, o Safra avalia que o balanço entre risco e retorno permanece favorável, sustentado pela combinação de preços mais altos de energia, geração de caixa robusta e expansão seletiva em transmissão.