A Automob manteve desempenho consistente no segmento de veículos leves, considerado estruturalmente rentável e resiliente. No primeiro trimestre de 2026, o negócio gerou cerca de 35 milhões de reais por trimestre, apoiado por um portfólio diversificado de marcas e presença em diferentes faixas de preço.
Segundo a administração, a maior sensibilidade do consumidor a preços tem favorecido o aumento de volumes. A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados e a maior presença de montadoras chinesas ajudaram a sustentar vendas, enquanto as margens permaneceram relativamente estáveis entre as marcas.
Agronegócio ainda pressiona, mas trajetória é de melhora
O segmento ligado ao agronegócio segue como o principal fator de pressão sobre os resultados consolidados. A companhia ainda possui aproximadamente 180 milhões de reais em estoques legados a serem liquidados, incluindo excesso de equipamentos novos e usados.
Apesar de margens fracas ou negativas nos estoques mais antigos, o mix de vendas vem melhorando. Novos equipamentos já apresentam rentabilidade mais saudável, o que sustenta uma recuperação gradual das margens ao longo do tempo.
Usados e serviços ganham peso na estratégia
Veículos usados, financiamento e seguros, além do pós-venda, aparecem como os principais motores para elevar a rentabilidade, a produtividade das lojas e a diluição de custos fixos. Atualmente, a Automob vende entre 0,6 e 0,7 veículo usado para cada carro novo, nível superior à média do mercado.
A administração trabalha para aproximar essa relação de um para um no médio prazo. Para isso, a companhia vem reconfigurando o espaço físico das lojas, com redução de áreas de oficina e ampliação das áreas dedicadas a usados, o que tende a elevar vendas por metro quadrado.
Eficiência operacional e sistemas integrados
O financiamento e seguros já respondem por cerca de metade das receitas do segmento. No pós-venda, a companhia avançou na consolidação de sistemas. Desde fevereiro, opera com uma única plataforma de gestão de concessionárias e planeja unificar os sistemas de relacionamento com clientes até o fim do terceiro trimestre de 2026.
Essas iniciativas devem aprimorar o controle operacional, o acompanhamento de clientes e a conversão de serviços, com impacto positivo sobre margens.
Geração de caixa e redução da alavancagem
A Automob espera melhora relevante na geração de caixa nos próximos anos. A administração reiterou a meta de margem EBITDA próxima de 6% em 2027, apoiada pela expansão de margens, normalização do capital de giro e menor intensidade de investimentos.
O capex anual deve cair para cerca de metade dos níveis atuais após a conclusão da transformação das lojas. A companhia também destacou a monetização de ativos, como a venda de um terreno adquirido por 32 milhões de reais e negociado por pelo menos 85 milhões de reais, além da venda de uma loja no Mato Grosso do Sul.
Mesmo com a alavancagem ainda elevada, em torno de 3,5 vezes a dívida líquida sobre o EBITDA, a trajetória é de melhora. A expectativa combina redução da dívida, menor despesa financeira e crescimento operacional.