A Auren (AURE3) reportou EBITDA ajustado de R$ 749 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O número exclui dividendos de participações minoritárias e efeitos não recorrentes. O resultado veio em linha com a estimativa do Banco Safra, mas ficou 7% abaixo do consenso de mercado.
O desempenho refletiu um trimestre mais difícil para a companhia, com menor geração eólica e margens mais pressionadas na área de comercialização de energia.
Receita cresce, mas decepciona
A receita líquida da Auren cresceu 6% na comparação anual. Ainda assim, ficou abaixo da projeção do Safra.
A principal pressão veio da área de comercialização, que registrou receitas menores no período. A companhia também foi afetada por recursos eólicos mais fracos, com geração de 1.152,5 megawatts médios no trimestre, queda de 10% em relação ao segundo trimestre de 2025.
Além disso, a restrição de geração eólica aumentou para 12,9%, ante 9% um ano antes. O índice, porém, ficou abaixo da estimativa do Safra, que era de 16,6%.
A companhia registrou R$ 71 milhões em ganhos de modulação, que compensaram parte das despesas ligadas às restrições de geração. No resultado líquido, esse efeito ficou negativo em R$ 27 milhões.
Comercialização pesa nas margens
A área de comercialização foi um dos principais pontos de pressão no trimestre.
As receitas ficaram abaixo do esperado, enquanto as margens também recuaram. Esse movimento refletiu compras de energia em patamar menor do que o estimado e um ambiente de rentabilidade mais apertado.
No balanço consolidado de energia, a Auren vendeu 38 megawatts médios na unidade de geração para o período entre 2026 e 2031. Na comercialização, foram vendidos 110 megawatts médios para o mesmo intervalo.
Apesar da estratégia de venda de energia para os próximos anos, o desempenho do trimestre mostrou menor contribuição da unidade comercial para o resultado consolidado.
Custos avançam menos que o previsto
Os custos totais, excluindo depreciação e amortização, subiram 15% em relação ao segundo trimestre de 2025. Mesmo assim, ficaram 12% abaixo da estimativa do Safra.
As compras de energia elétrica cresceram 16% na comparação anual, mas vieram abaixo do projetado, principalmente por causa do menor volume adquirido pela área de comercialização.
Já as despesas com pessoal, materiais, serviços e outros custos somaram R$ 317 milhões. O valor ficou em linha com a expectativa do Safra e refletiu pressões de inflação, novos incentivos de longo prazo e outros gastos operacionais.
Com isso, a combinação de receitas menores e custos controlados levou a um resultado operacional ajustado em linha com o esperado.
Prejuízo supera estimativas
A Auren registrou prejuízo líquido de R$ 379 milhões no segundo trimestre de 2026. O resultado ficou abaixo da estimativa do Safra, que previa lucro de R$ 256 milhões.
A diferença veio principalmente do resultado financeiro, que ficou pior do que o esperado. As despesas aumentaram por causa da atualização monetária da dívida, em um período de inflação mais alta, além de custos associados à reorganização societária.
A linha de impostos também pesou no resultado. A companhia registrou impacto negativo de R$ 31,8 milhões, relacionado a tributos pagos sobre ativos renováveis no regime de lucro presumido e prejuízos fiscais decorrentes de custos financeiros.
Dívida segue elevada
A alavancagem da Auren chegou a 5,3 vezes a relação entre dívida líquida e EBITDA, levemente acima das 5,2 vezes registradas no trimestre anterior.
Apesar disso, a dívida líquida recuou para R$ 18,9 bilhões, ante R$ 19,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026.
O indicador ainda exige atenção, especialmente em um cenário de despesas financeiras mais elevadas e geração eólica abaixo do potencial.
O que esperar da Auren
Na avaliação do Safra, a Auren apresentou um trimestre difícil, mas dentro do esperado.
Os principais impactos vieram de margens menores na comercialização, ventos mais fracos e despesas financeiras acima das estimativas. Além disso, os ganhos de modulação não foram suficientes para compensar integralmente os efeitos das restrições de geração.
O mercado deve seguir atento aos desdobramentos sobre o reembolso das restrições de geração. Esse tema pode funcionar como um dos principais gatilhos para as ações da companhia.
Ainda assim, o Safra vê a Auren negociando a uma taxa interna de retorno de 13,8%, acima da média do setor. Por isso, mantém recomendação de desempenho acima da média para o papel.