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Auren supera expectativas com balanço energético favorável

Resultados operacionais vieram acima do esperado, impulsionados por menor custo de energia e efeitos não recorrentes, apesar de desafios


A Auren Energia (AURE3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com resultados acima das estimativas, sustentados por um balanço energético mais favorável e pelo reconhecimento de ganhos não recorrentes. O EBITDA ajustado, excluindo equivalência patrimonial e itens extraordinários, alcançou R$ 736 milhões, avanço de 3% na comparação anual. O número ficou 68% acima das projeções do Safra e 9% superior ao consenso de mercado.

O principal fator para o desempenho foi a redução dos custos de compra de energia, reflexo de menor exposição vendida no período. Esse efeito compensou parcialmente pressões estruturais do setor, como os elevados níveis de curtailment e o impacto negativo do GSF.

Itens não recorrentes impulsionam EBITDA e lucro líquido

O EBITDA ajustado incorporou eventos extraordinários relevantes. Entre eles, destacam-se R$ 143 milhões em indenizações relacionadas a investimentos prudentes da CESP e a reversão de impairment no montante de R$ 326 milhões. A companhia também registrou R$ 24 milhões em provisões judiciais e baixas de depósitos, além de um ajuste negativo de R$ 239 milhões de mark-to-market em contratos de energia.

No resultado final, esses efeitos contribuíram para um lucro líquido reportado de R$ 355 milhões no trimestre. Além disso, o desempenho financeiro superou as expectativas, reforçando o impacto positivo dos ganhos não recorrentes sobre o balanço consolidado.

Receita cresce, mas fica abaixo das estimativas

A receita líquida avançou 6% em base anual, embora tenha ficado 18% abaixo das estimativas do Safra. O principal fator foi o reconhecimento de R$ 817 milhões em contratos com partes relacionadas. No segmento de Geração, a receita recuou 5,2% na comparação anual, pressionada por níveis elevados de curtailment, que atingiram 23,2% nas usinas solares e 22,3% nas eólicas, em linha com as projeções.

Ao ajustar os efeitos não recorrentes e excluir a equivalência patrimonial, o EBITDA da unidade GenCo teria alcançado R$ 943 milhões, crescimento de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse desempenho refletiu, além do menor custo de energia, a redução das despesas PMSO, que caíram 6,5% na base anual.

Alavancagem segue elevada

As despesas operacionais PMSO (com Pessoal, Material, Serviços de Terceiros e Outras) consolidadas ficaram 8% acima das estimativas, mas recuaram 8% na comparação anual, beneficiadas por menores gastos com pessoal, materiais e serviços. Parte desse ganho foi compensada por custos não recorrentes.

A alavancagem financeira encerrou o trimestre em 4,8 vezes a relação dívida líquida sobre EBITDA, levemente abaixo das 4,9 vezes observadas no trimestre anterior. Apesar da redução, o indicador ainda permanece em patamar elevado, o que limita maior flexibilidade financeira no curto prazo.

Balanço energético e trading reforçam estratégia comercial

No balanço energético consolidado, a Auren Energia (AURE3) vendeu, em média, 221 MW médios para o período entre 2026 e 2030. No braço de trading, as vendas somaram 190 MW médios no mesmo intervalo, evidenciando uma atuação ativa tanto na geração quanto na comercialização de energia.

Desempenho sólido, mas upside limitado

Na avaliação do Safra, os resultados do quarto trimestre confirmam uma performance operacional melhor do que o antecipado. A empresa avançou na captura de sinergias após a integração dos ativos da antiga AES, com ganhos de disponibilidade e redução de custos gerenciáveis.

Apesar disso, a combinação de alavancagem ainda elevada e valuation mais apertado limita o potencial de valorização das ações no curto prazo. Diante desse cenário, o Safra mantém recomendação Neutra para Auren Energia (AURE3).


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