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Auren reduz recomendação diante de cenário mais desafiador

A Auren (AURE3) teve o preço-alvo reduzido para R$ 11,50, com potencial de valorização total de 9%, levando o Safra a revisar a recomendação de compra para neutra


O Banco Safra reduziu o preço-alvo de 12 meses da Auren (AURE3) de R$ 14,10 para R$ 11,50.

O novo valor representa potencial de valorização total de 9% em relação ao preço atual da ação. Com isso, o banco revisou a recomendação dos papéis de compra para neutra.

A mudança reflete resultados abaixo do esperado no primeiro semestre de 2026 e um cenário macroeconômico mais difícil para a companhia.

Juros pressionam caixa

A Auren tem elevada alavancagem financeira. A projeção do Safra indica uma relação entre dívida líquida e resultado operacional de 5,3 vezes ao fim de 2026.

Nesse contexto, a alta dos juros exerce impacto relevante sobre o fluxo de caixa da companhia. O aumento das despesas financeiras também reduz o espaço para investimentos e distribuição de dividendos.

O novo modelo do Safra prevê uma taxa interna de retorno próxima de 10%, abaixo da média estimada para o setor, de aproximadamente 12,5%.

Margens de energia recuam

O Safra reduziu as projeções para a Auren após incorporar os resultados do primeiro e do segundo trimestres de 2026.

As novas estimativas também consideram:

  1. Juros mais elevados, com impacto nas despesas financeiras.
  2. Inflação maior entre 2026 e 2027, elevando as taxas utilizadas para calcular o valor da empresa.
  3. Preços médios de energia mais baixos no curto prazo.
  4. Desembolso mais conservador para despesas relacionadas ao corte obrigatório de geração.
  5. Menores margens na comercialização de energia.

Com essas alterações, as projeções para o resultado operacional da Auren (AURE3) entre 2026 e 2028 foram reduzidas, em média, 5%.

Corte de geração preocupa

O corte obrigatório de geração, conhecido no setor como curtailment, continua entre os principais riscos para a Auren.

A companhia mantém provisões de aproximadamente R$ 1,9 bilhão relacionadas ao tema no segundo trimestre de 2026. Ainda existem incertezas sobre os termos e o cronograma de pagamento desses valores.

O desempenho também é afetado pelo baixo nível do fator de risco hidrológico, que reduz a energia efetivamente disponível para comercialização. Além disso, a volatilidade dos preços de energia dificulta o planejamento financeiro da companhia.

Projetos podem aliviar pressão

A conclusão do projeto Cajuína III, prevista para 2026, pode ajudar a melhorar a posição de caixa da Auren (AURE3).

A companhia também espera receber aproximadamente R$ 300 milhões relacionados a disputas passadas sobre o corte obrigatório de geração. Esses recursos podem reduzir parte da pressão financeira nos próximos meses.

A Auren ainda tem a expectativa de receber cerca de R$ 1,5 bilhão em indenizações relacionadas a ativos que não foram totalmente amortizados. No entanto, o prazo para o recebimento desses valores permanece incerto.

Desalavancagem deve ser lenta

O Safra avalia que a Auren pode recuperar gradualmente sua posição de caixa e avançar na redução do endividamento.

Porém, a desalavancagem pode levar mais tempo. A companhia deve continuar registrando perdas relacionadas às posições vendidas de energia previstas para 2027.

Essas posições decorrem da exposição média do balanço energético da empresa e podem reduzir a geração de caixa ao longo do período.

Avaliação da ação

Com o novo preço-alvo, a ação da Auren seria negociada a 7,9 vezes o resultado operacional estimado para 2027. Atualmente, o múltiplo está próximo de 7,7 vezes.

A avaliação também considera um valor de aproximadamente R$ 3,8 milhões por megawatt de capacidade instalada, ante R$ 3,6 milhões no preço atual.

O Safra estima que a ação oferece taxa interna de retorno de aproximadamente 9,9%, abaixo da média do setor. O potencial limitado para o pagamento de dividendos também reduz a atratividade da tese de investimento.

Principais riscos

Entre os principais riscos para a Auren, o Safra destaca:

  1. Margens de comercialização de energia abaixo das projeções.
  2. Níveis de corte obrigatório de geração superiores ao esperado.
  3. Decisões desfavoráveis em disputas judiciais, incluindo processos relacionados a indenizações.
  4. Deterioração adicional do cenário macroeconômico, com juros elevados por mais tempo.
  5. Alocação inadequada de capital, com impacto sobre os resultados e a percepção do mercado.

Visão do Safra

Para o Safra, a perspectiva de curto prazo para a Auren continua desafiadora.

A companhia pode se beneficiar da conclusão do projeto Cajuína III e do recebimento de valores relacionados a disputas passadas. Ainda assim, o elevado endividamento, as menores margens de comercialização e as incertezas sobre o corte obrigatório de geração devem limitar uma recuperação mais rápida.

O Safra reduziu a recomendação para neutra e o preço-alvo para R$ 11,50. O banco avalia que ainda são necessários avanços relevantes na geração de caixa e na redução da dívida para uma reavaliação positiva da ação.


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