O Safra elevou a recomendação para Auren Energia (AURE3) de neutra para compra, após revisar as premissas do modelo e identificar uma relação mais favorável entre risco e retorno. O novo preço-alvo para 12 meses passou de R$ 9,60 para R$ 14,10, o que implica potencial de valorização total de cerca de 22%.
A revisão incorpora novas estimativas para preços de energia, curtailment, GSF, premissas macroeconômicas, custos de operação e manutenção e investimentos. Além disso, o Banco Safra passou a considerar parte dos direitos creditórios ligados a ativos não depreciados e indenizações relacionadas a despesas de curtailment aprovadas por lei recente.
Com isso, a tese da companhia ganhou consistência. Segundo o Safra, a taxa interna de retorno estimada para a ação está em torno de 13%, acima da média do setor, o que torna o papel mais atrativo neste momento.
Novo equilíbrio no portfólio de energia melhora a perspectiva
Um dos principais fatores por trás da mudança de visão está no reposicionamento do balanço de energia da companhia. Ao longo do quarto trimestre de 2025, a Auren (AURE3) reduziu sua exposição para 2026 e 2027 e passou a ter uma posição mais favorável para capturar a tendência de alta dos preços de energia no longo prazo, sobretudo a partir de 2028 e 2029.
Em média, cerca de 12% da energia disponível para venda entre 2026 e 2028 deve se beneficiar desse cenário. Ao mesmo tempo, o Safra atualizou sua estimativa de preço de longo prazo para R$ 240 por megawatt-hora, nível que oferece suporte adicional à geração de caixa nos próximos anos.
Outro ponto relevante é a composição do parque gerador. Cerca de 55% da capacidade da Auren (AURE3) vem de usinas hidrelétricas. Isso pode ampliar a capacidade da empresa de capturar preços mais altos em momentos de maior despacho de energia.
Recebíveis reforçam o valor da companhia
Os recebíveis passaram a ter papel central na tese de investimento. A companhia possui direitos creditórios relevantes relacionados a ativos não depreciados das antigas usinas da Cesp, cujas concessões terminaram antes da amortização integral.
Em outubro de 2025, a Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou os valores a serem atualizados e ressarcidos inicialmente. A Auren (AURE3) agora aguarda a definição das condições de pagamento.
Além disso, a Lei nº 15.629/2025 abriu espaço para a recuperação de parte das despesas passadas com curtailment. Em conjunto, o Safra incluiu cerca de R$ 1,8 bilhão em valor justo nessa frente, o equivalente a aproximadamente R$ 1,70 por ação.
Revisão de premissas sustenta alta do preço-alvo
O Safra também revisou de forma ampla suas projeções para a companhia. O novo modelo considera resultados recentes, o balanço de energia atualizado e uma curva mais alta para os preços de energia.
A projeção agora considera preço de R$ 350 por megawatt-hora em 2026, cerca de R$ 260 por megawatt-hora em um horizonte de cinco anos e custo de expansão de longo prazo de R$ 240 por megawatt-hora.
Por outro lado, o Banco passou a trabalhar com GSF de 0,85 para 2026, abaixo da estimativa anterior de 0,90, e curtailment de 20%, acima dos 6% projetados antes. Também foram incorporadas margens menores na área de comercialização de energia.
Ainda assim, a combinação entre menor exposição aos preços de energia e inclusão dos recebíveis levou a uma elevação média de 3,4% nas estimativas de EBITDA entre 2026 e 2030.
Geração de caixa melhora, apesar da alavancagem elevada
A alavancagem ainda exige atenção. O Safra estima dívida líquida sobre EBITDA de 5,7 vezes em 2026, patamar elevado para o setor. Mesmo assim, a trajetória operacional parece mais construtiva.
A expectativa do Safra é que a melhora da geração de caixa permita reduzir esse indicador para 3,5 vezes até 2028. Essa tendência ajuda a sustentar uma leitura mais positiva sobre o processo de desalavancagem da companhia e reduz parte da pressão sobre a tese.
O que sustenta a avaliação da ação
O preço-alvo de R$ 14,10 por ação foi calculado com base no fluxo de caixa descontado, com custo de capital próprio de 10,1%. Nesse cenário, Auren negociaria a 8,3 vezes o valor da firma sobre EBITDA estimado para 2027 e a R$ 4,1 milhões por megawatt.
Na visão do Safra, a ação negocia atualmente com taxa interna de retorno de cerca de 13%, acima da média de aproximadamente 10% observada entre empresas comparáveis. Essa diferença ajuda a explicar o upgrade, principalmente porque parte relevante do valor pode ser capturada em prazo mais curto por meio dos recebíveis.
Quais são os principais riscos
Apesar da melhora da tese, o investimento segue exposto a riscos importantes. Entre eles estão preços de energia abaixo do esperado no curto e no longo prazo, piora na execução da gestão de custos, decisões legais desfavoráveis sobre os direitos creditórios e uma eventual alocação de capital que destrua valor.
Esses fatores podem limitar a geração de caixa, reduzir o potencial de valorização da ação e comprometer a percepção do mercado sobre a nova trajetória da companhia.
Análise dos especialistas
A nova avaliação do Safra sugere que a Auren (AURE3) entrou em uma fase mais equilibrada. A combinação entre menor risco no portfólio de energia, expectativa de monetização de recebíveis e melhora gradual da geração de caixa mudou o perfil da tese.
Por isso, o Banco Safra entende que o mercado pode começar a deixar para trás os desafios recentes da companhia e passar a precificar uma trajetória mais favorável para os próximos anos.