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Aura Minerals: ação pede pausa após alta de 94% no ano

Safra rebaixa Aura Minerals para neutra após forte alta da ação, com valuation mais exigente e menor atratividade relativa no curto prazo.


A Aura Minerals (AURA33) entrou em 2026 com um desempenho muito acima da média do setor. As ações acumulam alta de cerca de 94% no ano e avançaram cerca de 12% desde a atualização anterior do Safra, no início de março. Com isso, superaram com folga os principais índices de mineradoras de ouro no mercado internacional.

Esse movimento, porém, levou o Safra a adotar uma postura mais cautelosa. O banco incorporou os novos relatórios técnicos e de reservas da companhia, elevou o preço-alvo para o fim de 2026 para US$ 110 por ação, ante US$ 102,5, mas rebaixou a recomendação para neutra.

A leitura é direta. A Aura Minerals segue com fundamentos operacionais sólidos, mas boa parte dessa qualidade já parece refletida no preço da ação.

O que levou os especialistas a mudarem a recomendação

Os documentos mais recentes divulgados pela companhia aumentaram a transparência sobre os ativos. Ainda assim, o material não trouxe criação de valor suficiente para sustentar uma visão mais otimista no curto prazo.

Na prática, os especialistas do Safra passaram a enxergar uma geração de caixa livre mais pressionada nos próximos anos. O banco manteve sua estimativa de longo prazo para o ouro em US$ 4.840 por onça, nível agora pouco acima da cotação atual. Para 2026, a projeção ficou em US$ 4.768 por onça. Para 2027, em US$ 5.200 por onça.

Mesmo com essa visão construtiva para o ouro, os retornos esperados com geração de caixa perderam força. O rendimento de caixa livre projetado para 2026 e 2027 ficou ao redor de 3%, patamar considerado modesto para o setor.

Além disso, o Safra avalia que o valuation da Aura Minerals ficou menos atrativo na comparação com outras mineradoras. Isso pode limitar novas entradas de fluxo na ação, mesmo em um cenário de continuidade da alta do ouro.

Valuation ficou mais apertado frente aos pares

A principal mudança na tese está na relação entre preço e potencial de retorno. Hoje, a Aura Minerals negocia a 1,15 vez o valor patrimonial líquido dos ativos, acima da média das mineradoras juniores, de 0,92 vez, e também acima da média das empresas intermediárias, de 0,99 vez.

O múltiplo de valor da firma sobre lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização para 2026 a 2029 também se aproximou dos pares. A companhia está em 4,8 vezes, ante 4,4 vezes entre as juniores e 4,5 vezes entre as intermediárias.

Em outras palavras, o desconto relativo que antes ajudava a sustentar a recomendação mais positiva ficou menor. Por isso, embora a Aura ainda se destaque em execução e crescimento, a ação parece menos atraente nos níveis atuais.

Crescimento operacional segue como ponto forte

Se o valuation perdeu atratividade, a operação continua forte. O Safra destaca que a Aura Minerals mantém perspectivas de expansão superiores às de concorrentes do setor.

A projeção de crescimento anual composto da produção entre 2026 e 2029 é de 19%. Entre as mineradoras juniores, essa taxa é de 11%. Entre as intermediárias, de apenas 2%.

No lucro operacional, a diferença também chama atenção. A expectativa de crescimento anual composto do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização entre 2026 e 2029 está em 27% para a Aura Minerals. Nos pares juniores, a média é de 7%. Nos intermediários, de 4%.

Ainda assim, a geração de caixa livre média projetada entre 2026 e 2029, de 10%, fica abaixo da observada em empresas comparáveis. As juniores entregam, em média, 14%, enquanto as intermediárias chegam a 12%.

Esse contraste ajuda a explicar a nova posição do Safra. A empresa continua forte do ponto de vista operacional, mas a ação já embute boa parte dessa qualidade.

O que mudou no valor dos ativos

O Safra também revisou a soma das partes da Aura Minerals. O valor patrimonial líquido dos ativos subiu de US$ 7,515 bilhões para US$ 8,050 bilhões, avanço de 7%.

O principal impacto positivo veio de Era Dorada, com acréscimo de US$ 719 milhões. A mudança reflete a redução da taxa de desconto nominal, de 11% para 8,5%, diante do aumento de visibilidade do projeto e da proximidade do início da construção.

Outro destaque foi Almas, que adicionou US$ 541 milhões ao valor dos ativos após a atualização do relatório técnico, agora incluindo a mina subterrânea.

Por outro lado, Borborema perdeu US$ 165 milhões em valor, após uma revisão para baixo nos teores de minério. Ao mesmo tempo, os ajustes corporativos pioraram de US$ 555 milhões negativos para US$ 833 milhões negativos, principalmente por causa de uma dívida líquida maior ao fim de 2026.

Estimativas foram revistas

O Safra reduziu a projeção de lucro operacional da Aura Minerals para 2026 em 5%, para US$ 1,031 bilhão. A revisão reflete principalmente preços esperados mais baixos para ouro e cobre.

Para 2027, no entanto, a estimativa subiu para US$ 1,506 bilhão, impulsionada pela inclusão da MSG nas projeções do banco.

As estimativas de volume para 2026 e 2027 também avançaram. O maior destaque foi Almas, com aumento de 9% na produção projetada, beneficiada pela atualização técnica e pela contribuição da MSG. Esse efeito mais do que compensou a produção menor esperada para Borborema, onde a revisão dos teores derrubou a projeção em 13%.

Ao mesmo tempo, os custos caixa subiram. A projeção para 2026 aumentou em cerca de US$ 207 por onça. Para 2027, a alta foi de aproximadamente US$ 182 por onça. Segundo o Safra, o movimento reflete custos maiores esperados nas operações da MSG.

Quais fatores podem mexer com a tese

O Safra observa que a tese para a Aura Minerals (AURA33) continua sensível ao comportamento dos preços das commodities, em especial do ouro. Além disso, o banco monitora três grupos principais de risco.

O primeiro envolve a execução de fusões e aquisições e a disciplina na alocação de capital. O segundo está ligado a exigências sociais e ambientais. O terceiro reúne fatores geológicos e climáticos, que podem afetar cronograma, custos e produção.

Por outro lado, há um possível catalisador positivo no radar. O Safra vê chance de inclusão da Aura Minerals em índices como MSCI, Russell e GDX entre o fim do segundo trimestre e o terceiro trimestre de 2026. Se isso ocorrer, a ação pode receber suporte adicional de fluxo.

O que o investidor deve observar agora

A nova recomendação do Safra não aponta deterioração operacional da Aura Minerals. Ao contrário, a companhia continua entre os nomes mais fortes do segmento quando o foco está em crescimento.

A mudança está no equilíbrio entre risco e retorno. Depois de uma valorização muito forte, o espaço para novas altas ficou mais estreito. Por isso, o Safra entende que este é um momento mais de cautela do que de aumentar exposição.

Os próximos resultados trimestrais também devem ganhar peso. Embora a orientação para 2026 ainda pareça preservada, o banco avalia que dúvidas sobre custos podem aparecer já nos números do primeiro trimestre.


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