A Aura Minerals (AURA33) apresentou resultados abaixo das expectativas no segundo trimestre de 2026, com pressão sobre a geração operacional de caixa e o fluxo de caixa livre.
O EBITDA ajustado somou US$ 197 milhões, valor 4% abaixo da estimativa do Safra e do consenso de mercado.
O desempenho refletiu maiores despesas gerais, administrativas e de exploração. A companhia enfrentou impactos ligados à rotatividade de pessoal na mina de San Andrés, honorários profissionais relacionados à Era Dorada e maior atividade exploratória.
Apesar da pressão operacional, o lucro líquido reportado atingiu recorde de US$ 218 milhões. O resultado foi impulsionado por um ganho não realizado de US$ 126 milhões com operações de proteção ligadas ao preço do ouro.
Já o lucro líquido ajustado caiu 11% em relação ao trimestre anterior, para US$ 97 milhões.
Metas são mantidas
A Aura Minerals manteve suas metas para 2026, apesar do trimestre mais desafiador.
A companhia segue projetando produção anual entre 340 mil e 390 mil onças equivalentes de ouro.
No primeiro semestre, a produção atingiu recorde de 157,6 mil onças equivalentes. Isso implica uma necessidade de forte aceleração no segundo semestre, com produção entre 182 mil e 232 mil onças equivalentes.
Na avaliação do Safra, esse cenário aumenta o risco de execução. A companhia pode encerrar o ano próxima ao piso da meta de produção e ao teto da meta de custos, caso a recuperação operacional venha mais lenta do que o esperado.
Custos seguem pressionados
O custo caixa consolidado da Aura Minerals atingiu US$ 1.513 por onça equivalente de ouro no segundo trimestre.
O número subiu 2% em relação ao trimestre anterior, mas ficou 1% abaixo da estimativa do Safra.
Os custos em Aranzazu, Almas e Borborema vieram melhores do que o projetado. Por outro lado, Apoena, Minosa e San Andrés apresentaram custos acima das estimativas.
A pressão refletiu teores mais baixos, sequenciamento de mina e o foco de San Andrés no desenvolvimento primário subterrâneo.
Excluindo San Andrés, o custo caixa caiu 2% em relação ao trimestre anterior, para US$ 1.277 por onça equivalente de ouro.
Custo total sobe
O custo total sustentado avançou 9% na comparação trimestral, para US$ 1.985 por onça equivalente de ouro.
Excluindo San Andrés, o indicador ficou em US$ 1.653 por onça equivalente de ouro.
A administração manteve a meta de custo total sustentado para 2026 entre US$ 1.720 e US$ 1.865 por onça equivalente de ouro.
Para alcançar esse intervalo, a companhia conta com melhora dos teores em Apoena e avanços na reestruturação de San Andrés ao longo do segundo semestre.
Caixa recua no trimestre
O fluxo de caixa livre recorrente da Aura Minerals somou US$ 80 milhões no segundo trimestre.
O valor ficou 28% abaixo da estimativa do Safra, de US$ 111 milhões, e caiu 15% em relação ao trimestre anterior.
A geração de caixa foi afetada por impostos mais altos, perdas realizadas em operações de proteção de ouro e maiores necessidades de capital de giro.
Esses efeitos foram parcialmente compensados por menores investimentos de manutenção e exploração.
O investimento total subiu 91% em relação ao trimestre anterior, para US$ 84 milhões. Desse total, US$ 54 milhões foram destinados a projetos de expansão.
Dívida continua baixa
A dívida líquida da Aura Minerals aumentou para US$ 168 milhões no fim do trimestre.
Ainda assim, a alavancagem permaneceu baixa, em 0,21 vez a relação entre dívida líquida e EBITDA dos últimos 12 meses.
O aumento da dívida refletiu dividendos, recompra de ações e investimentos de expansão, que superaram a geração de caixa do período.
A companhia anunciou dividendos de US$ 0,72 por ação, o que representa retorno estimado de 1%.
Além disso, a Aura Minerals mantém um programa de recompra de ações de US$ 200 milhões, válido até junho de 2027. O Safra avalia que a execução do programa deve começar em breve.
Produção exige aceleração
As vendas da Aura Minerals totalizaram 78,4 mil onças equivalentes de ouro no segundo trimestre.
O volume ficou em linha com a estimativa do Safra, com queda de 4% em relação ao trimestre anterior e alta de 26% na comparação anual.
Os preços realizados do ouro caíram 11% frente ao primeiro trimestre, para US$ 4.304 por onça.
Com isso, a receita somou US$ 336 milhões, queda de 12% na comparação trimestral e 6% abaixo do consenso de mercado.
Para cumprir a meta anual, a companhia precisará entregar uma produção significativamente maior no segundo semestre.
O que esperar da Aura Minerals
Na visão do Safra, o resultado da Aura Minerals tem leitura neutra.
O trimestre veio abaixo do esperado em geração operacional e fluxo de caixa livre. No entanto, a manutenção das metas para 2026 indica que a companhia ainda espera uma recuperação relevante no segundo semestre.
Os principais pontos de atenção estão na execução operacional, na melhora dos teores em Apoena, na reestruturação de San Andrés e no controle de custos.
Ao mesmo tempo, a baixa alavancagem, o pagamento de dividendos e o programa de recompra ajudam a sustentar a tese de alocação de capital.
Diante desse cenário, o Safra mantém uma visão neutra para Aura Minerals, à espera de sinais mais claros de recuperação operacional e maior previsibilidade na entrega das metas anuais.