Os especialistas do Banco Safra elevaram a recomendação da Aura Minerals (AURA33) para compra após a forte correção recente das ações. Desde o rebaixamento no fim de abril, os papéis acumulam queda próxima de 38%, desempenho inferior ao de outras mineradoras de ouro.
O Safra incorporou os resultados do primeiro trimestre e revisou o cenário de preços das commodities. O novo preço alvo para o fim de 2026 ficou em 105 dólares por ação, ante 110 dólares anteriormente. Mesmo com o ajuste, o Safra avalia que o perfil risco retorno da companhia se tornou atrativo.
O momento do setor de ouro se deteriorou de forma geral. Ainda assim, a Aura sofreu mais do que seus pares, em parte por conta da valorização mais intensa antes da correção e de um momentum operacional mais fraco após o primeiro trimestre.
Ouro perde espaço para metais industriais
No cenário macro atual, outras commodities como cobre, alumínio e aço ganharam destaque. O avanço da inteligência artificial e preocupações com segurança de metais industriais direcionaram fluxos de investimento para esses segmentos.
Apesar disso, o Safra destaca que as mineradoras de ouro já precificam um cenário bastante conservador. No caso da Aura Minerals, a ação embute preços do ouro em torno de 3.400 dólares por onça, nível considerado excessivamente pessimista.
Historicamente, os preços do ouro costumam encontrar um piso no início de julho e apresentar recuperação consistente nos meses seguintes. Essa sazonalidade reforça a leitura de valuations descontados no momento atual.
Volatilidade menor sustenta preços no curto prazo
Os especialistas avaliam que o ouro já passou por uma correção relevante, próxima de 20% desde os picos recentes. Tensões geopolíticas elevaram a aversão a risco e a volatilidade, o que pressionou os preços. Ao mesmo tempo, juros reais globais mais altos, venda de reservas por alguns países e forte alocação em setores ligados à inteligência artificial contribuíram para o movimento.
Esse conjunto de fatores formou uma combinação adversa para o metal. No entanto, o Safra observa sinais de normalização. A volatilidade implícita recuou, com o índice de volatilidade do ouro retornando para níveis próximos de 30, após pico perto de 48.
Com menor pressão de posições compradas, o banco entende que o nível atual de aproximadamente 4.340 dólares por onça representa um ponto de entrada interessante. A premissa de longo prazo para o preço do ouro foi ajustada para 4.640 dólares por onça, ante 4.830 dólares anteriormente.
Valuation segue descontado frente aos pares
Mesmo com menor rendimento de fluxo de caixa livre, a Aura Minerals segue negociando com desconto relevante frente a empresas comparáveis. A ação é negociada a cerca de 0,68 vez o valor patrimonial dos ativos, abaixo da média das mineradoras juniores e intermediárias.
O múltiplo de valor da firma sobre geração de caixa operacional estimado para 2026 a 2028 também permanece inferior ao dos pares. Ao mesmo tempo, o Safra destaca o diferencial operacional da companhia, com expectativa de crescimento médio anual da produção de 19% no período, acima da média do setor.
A geração de caixa operacional também deve crescer de forma mais acelerada do que a dos concorrentes. Ainda assim, o rendimento médio de fluxo de caixa livre permanece abaixo do observado em outras mineradoras. Na avaliação do banco, a combinação de crescimento superior e desconto de valuation torna a ação mais atrativa no momento atual.
Estimativas passam por ajustes pontuais
O Safra revisou suas projeções de geração de caixa operacional para 2026 e 2027. Para 2026, a estimativa subiu para 1,044 bilhão de dólares, refletindo principalmente preços mais altos do cobre e volumes levemente maiores. Para 2027, a projeção recuou para 1,474 bilhão de dólares, em função de premissas mais conservadoras para o preço do ouro.
As estimativas operacionais, de forma geral, permaneceram estáveis. O banco também segue vendo potencial de inclusão da Aura Minerals em índices relevantes, como o Russell e o GDX, no terceiro trimestre de 2026, o que pode atuar como catalisador adicional para as ações.
Riscos seguem no radar
Apesar da visão mais construtiva, os especialistas destacam riscos importantes para a tese de investimento. Além da volatilidade dos preços das commodities, pesam riscos de execução em aquisições e disciplina na alocação de capital.
Questões socioambientais, além de fatores geológicos e climáticos, também podem afetar o desempenho da companhia. Ainda assim, a avaliação é que ao nível atual de preços, esses riscos já estão amplamente refletidos na cotação das ações.